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Eleições 2010

O perde-ganha das últimas eleições

Uma coroa de espinhos e dúvidas deve pairar sobre a cabeça que recebeu no batismo o nome de Maria Osmarina Silva Vaz de Lima. Por Claudio Carneiro

O perde-ganha das últimas eleições
Marina vota na sede do Incra em Rio Branco (fonte: Futurapress)

Se existe um personagem que saiu vencedor mesmo perdendo as eleições de três de outubro, este alguém foi a candidata Marina Silva, do Partido Verde. Foram os quase 20% dos votos válidos dados a ela que tornaram possível o segundo turno de uma disputa que parecia definida para a candidata do governo Dilma Rousseff. Estes atributos de Marina promoveram uma verdadeira romaria em busca de uma aproximação com aquela que se tornou o fiel da balança política brasileira nos últimos dias.

Os tucanos bateram as asas de pronto e pediram ao presidente de honra do partido, Fernando Henrique Cardoso, que provocasse um primeiro encontro, ocorrido horas depois de as urnas contarem uma história diferente da imposta pelos institutos de pesquisa e suas estreitas margens de erro. Recém eleito governador do Acre, Tião Viana nem esquentou o banco e já recebeu de Lula a tarefa de cortejar uma – embora magra – fortalecida, vitaminada e poderosa representante dos votos de 19,6 milhões de eleitores que optaram em preterir petistas e tucanos.

Preocupadas com a escolha de Marina, até instituições bancárias como o espanhol Santander enviaram relatórios a clientes preferenciais demonstrando sua expectativa, com frases do tipo “a perspectiva era de que a candidata se mantivesse em posição neutra em caso de segundo turno, porém devemos esperar uma comunicação oficial”.

Mas nem só de louros vive uma vitoriosa. Uma coroa de espinhos e dúvidas deve pairar sobre a cabeça que recebeu no batismo o nome de Maria Osmarina Silva Vaz de Lima. Por que um desempenho tão espetacular no país inteiro e tão pífio em seu próprio estado? Com somente 23% dos votos, ela quase empatou com as abstenções acreanas ficando atrás de Serra e de Dilma.

Repórter de Política do jornal A Gazeta, do Acre, Nelson Liano não se surpreende com a votação de Marina no estado: “A ex-ministra do Meio Ambiente foi ausente e permitiu que o Ibama cometesse excessos contra a população mais pobre que vive dos recursos que a floresta oferece. No interior do estado existe uma onda antiMarina”, explica. Liano vê ainda outro motivo – este político – para o fraco desempenho de Marina: “Havia no estado uma enorme coligação. O candidato a governador Tião Viana era apoiado pelos partidos PT / PRB / PP / PDT / PTB / PTN / PR / PSDC / PHS / PTC / PSB / PV / PRP / PC do B. O foco principal era a aliança que tinha o PT e sua candidata Dilma à frente. Além disso, o PV tem pouca representatividade aqui. E mais: Se fosse candidata a senadora no Rio de Janeiro ela venceria, mas perderia aqui”, arremata.

Velhos caciques conhecem a derrota

Pegando o aviãozinho do Ernesto Paglia, decolamos de Rio Branco e pousamos no Rio de Janeiro, onde o ex-cacique Cesar Maia amargou magros 11,06% e ficou em quarto lugar na disputa pelas duas vagas de senador oferecidas nesta eleição. Se não sabe o porquê, o ex-deputado federal e ex-prefeito (por 12 anos) bem se lembra da série de factoides que criou ao se tornar blogueiro e, principalmente, do grande legado que deixou para a cidade: um inútil elefante branco de concreto e aço – inaugurado, embargado e nunca utilizado – que custou R$ 518 milhões. O valor previsto era de R$ 80 milhões. O monstrengo inútil recebeu o pomposo nome de “A Cidade da Música” – desafinada, fora do tom e sem ritmo. A diferença entre o orçamento inicial e o custo final da sinfonia inacabada é o preço que Maia não explicou. O carioca cumpriu a sugestão de Jesus aos fariseus: “A Cesar o que é de Cesar”. E assim foi feito. Cesar recebeu o que merecia.

O Ceará é nosso próximo destino. Lá, segundo a repórter de Política de O Povo Giselle Dutra, a história começa em 1988 quando Tasso Jereissati lançou Ciro Gomes prefeito de Fortaleza. Passados tantos anos, Ciro e o irmão Cid – hoje governador reeleito do estado – foram as criaturas que “racharam” com o criador. Tasso então lançou candidato próprio ao governo do estado, o deputado Marcos Cals – filho de Cesar Cals (lembra?). “Ocorre que os irmãos Gomes tinham nas mãos 44 dos 46 deputados estaduais e venceram a disputa. Além disso, Tasso vinha fazendo – assim como Arthur Virgílio – forte linha de oposição a Lula. Em maio deste ano, Tasso tinha 63% das intenções de voto para senador. Com as vindas de Lula ao Ceará e a intensificação da campanha política, Tasso perdeu espaço”, diagnostica Giselle. Esta foi a primeira vez que ele perdeu uma eleição. E, segundo o que se noticia, será a última pois não concorrerá mais a cargos públicos.

Faixa preta de jiu-jitsu, o senador Arthur Virgílio disse certa vez em plenário que daria uma surra no presidente Lula. Desde então, está levando um ippon atrás do outro. Uma colega jornalista de Manaus – cuja identidade fica preservada – lembra que “Lula conseguiu derrotar nestas eleições seus inimigos e que Virgílio foi apresentado como adversário dos mais ferozes”. A jornalista entende que efeito maior na derrota do ainda senador teve a campanha casada dos candidatos ao senado Eduardo Braga (PMDB) e Vanessa Graziotin (PC do B). Virgílio é mais um que vai pra lona mas pode voltar ao tatame como candidato a prefeito em dois anos.

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14 Opiniões

  1. Reginaldo Nunes disse:

    Fica difícil para Marina que ao longo de toda essa história foi contra o : “é dando que se recebe “, como vai fazer para apoiar Dilma e ter certeza de participação no governo com maioria absoluta no congresso ou aliar-se a Serra e amargar um governo sem apoio nenhum, com um terço do congresso.
    As pesquisas mostram que apenas um quinto das pessoas mudariam os votos.A quantidade de nulos ,brancos e abstenções formaram um terço dos votos.
    Mais do que os votos de Marina a luta esta clara nesses outros eleitores.

  2. CARLOS ALBERTO PEREIRA DE SOUSA disse:

    Não podemos deixar de reconhecer a bravura da candidata Marina, foi uma heroína, sempre confiante na sua capacidade, ela foi a única que mostrou competência para administrar o Brasil, os outros dois, é apenas ambição pelo poder,e muita arrogância, os brasileiros perdera uma boa oportunidade de ter uma pessoa competente na presidência do Brasil.

  3. teodosio silva de sena disse:

    A expressiva votação em Marina, mostra que o povo quer mudança, chega de velhos cacique o “Brasil” precisa de novos políticos comprometidos com a democracia, e com o povo.

  4. gecos@bol.com.br disse:

    Os velhos caciques estavam a merecer um descanso. A renovação é salutar, o que não se coaduna com o processo democrático é um presidente da república considerar adversários como inimigos. Faltou a ele hombridade política e estatura de estadista, além de senso de decência. Para completar a indecência política que grassa neste nosso pobre país, leio que ciro gomes será um dos coordenadores da campanha ao segundo turno do poste eleitoral. Se a oposição souber explorar este fato, derruba o poste e aplica uma derrota fragorosa no apedeuta. Eu torço para que tudo dê certo, para o bem do brasil. Ah! devemos agradecer e elogiar o estupendo desempenho de Marina!

  5. dimas disse:

    A igreja teve papel preponderante nos 20% da Marina, Sermões nas Igrejas e as Cartas dos Bispos em prol da vida e contra o Aborto, Fizeram a onda verde Grande e forte. Quem quiser ganhar de fato as eleições precisa olhar para os cristãos e entender como eles pensam e oque esperam do proximo presidente da republica, Palanque sem Cristinianismo poderá levar o candidato Serra a Nocaute, com um verdadeiro Cruzado.

  6. lucia maria disse:

    ela tem que ficar neutra se quizer preservar a sua trajetoria politica, e sua etica como anda falando, pense no futuroooooooooooooooooooo

    sou a favor da vida e vida com abondança

    sou lucia aqui de são luiz

  7. Beraldo Dabés Filho disse:

    Moral da história: os 19% da Marina ficam distribuídos mais ou menos ds seguinte forma:

    10% de ecologistas visionários, 5% de cristãos evangélicos e 4% de estudantes “do contra”.

    Qualquer que seja a posição de Marina Silva, de neutralidade ou de apoio a um dos dois candidatos restantes, não terão uma direção única e, certamente se dividirão entre votos em branco, Dilma e Serra.

    Sem ruptura das regras constitucionais ou os ferozes ataques da mídia oposicionista, Dilma Roussef será eleita.

  8. T. F. Wilson disse:

    SE A EX-MINISTRA MARINA SILVA E O PV FOREM ESPERTOS…

    O PV E MARINA DEVERIAM APROVEITAR A “ONDA VERDE”, GERADA APÓS O PRIMEIRO TURNO

    SE A EX-MINISTRA MARINA SILVA E O PV FOREM ESPERTOS, DEVERÃO EXIGIR, DAQUELES A QUEM IRÃO APOIAR NO SEGUNDO TURNO, FAZER PARTE DO NOVO GOVERNO, PORÉM, COMPONDO DE UMA FORMA DIFERENTE, PLEITEANDO O MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, O MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES E OUTROS, CUJAS AÇÕES, DE MANEIRA DIRETA OU INDIRETA, PROVOCAM IMPACTOS NO MEIO AMBIENTE.

    Marina e o Partido Verde deveriam pleitear também (caso ainda continuem a existir) o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Ministério da Integração Nacional e o Ministério das Cidades, pois as suas ações têm impactos sobre o conjunto do território e, consequentemente, sobre o meio ambiente.
    O PV nem deveria se preocupar com o Ministério do Meio Ambiente, pois mesmo depois da saída de Marina do cargo de Ministra do Meio Ambiente, o Ministério continua nas mãos delas, devido à “escola” que lá se criou durante sua gestão. Hoje, mesmo sem a presença física de Marina, o Ministério do Meio Ambiente continua ambientalmente forte (independentemente de o meio ambiente ser o seu foco, e o cuidado com o meio ambiente, a sua missão).
    Marina Silva e o PV deveriam buscar assumir o controle dos setores que causam impactos sobre o meio ambiente, comprometendo a sustentabilidade e colocando em risco o futuro das gerações vindouras. É o caso das atividades de exploração mineral, das atividades de estruturação da rede viária e daquelas atividades que têm reflexos imediatos sobre o território e, em seguida, se fazem sentir sobre o meio ambiente. Esse seria o caso das ações as levadas à cabo pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, com seus planos territoriais e pelo Ministério da Integração Nacional, com seus projetos de “revitalização” de bacias hidrográficas e suas políticas regionais.
    No caso do Ministério das Cidades, devemos sempre lembrar que a expansão urbana leva, inevitavelmente, à competição por territórios, com o denominado “espaço construído” lutando pelas áreas naturais, até então preservadas, ou contra áreas de produção agropecuária, competição essa que, a médio e longo prazo, terá conseqüências para o meio ambiente.
    Além disso, o PV deveria aproveitar a ”onda verde” a seu favor. Tão logo os seus deputados eleitos assumam os seus mandatos na Câmara dos Deputados, deveriam propor a criação de uma “Comissão Parlamentar de Políticas Territoriais” no Congresso Nacional.
    Ou seja, o Partido Verde deveria propor a criação de uma nova Comissão Permanente na Câmara dos Deputados, com o objetivo de tratar os assuntos ligados às questões territoriais de modo legítimo, democrático e participativo. Trata-se de uma proposta desafiadora, que implicará, inclusive, na modificação da composição atual das Comissões Permanentes da Câmara dos Deputados, através do desmembramento da atual Comissão Permanente da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional e de suas atribuições.
    Se quisermos que o meio ambiente seja preservado e respeitado, devemos aceitar o fato de que somente a Sociedade, organizada e representada, é detentora da legitimidade que permitirá uma reconfiguração territorial exitosa, que levará em conta as limitações do meio ambiente. E isso só poderá ser feito pela via política. E, neste caso, não só o PV, mas todos Partidos Políticos deverão ser os primeiros a serem conscientizados, motivados e mobilizados para as questões ligadas ao território, em plena conformidade com as orientações ideológicas de cada um, e seus respectivos posicionamentos no cenário político, para que o meio ambiente tenha a atenção necessária que merece.

    OBS.: essa proposta de criação de uma Comissão Parlamentar Permanente de Políticas Territoriais na Câmara dos Deputados já foi esboçada em um artigo que publicamos, intitulado:
    “A ‘Politização’ da Consciência Territorial: a Mobilização Política em Prol do Território”
    o qual pode ser lido em:

    http://www.tfwilson.blogspot.com

    http://www.artigosonline.com.br/proposta-de-criacao-de-uma-%e2%80%9ccomissao-permanente-de-politicas-territoriais-gestao-e-ordenamento-territorial%e2%80%9d-na-camara-dos-deputados/
    http://www.brartigos.com.br/autor.php?misc=search&subaction=showfull&id=1270822863&archive=&cnshow=news&ucat=22&start_from=&

  9. Henrique de Almeida Lara disse:

    Essa lenga lenga não me disse nada! quem é, por exemplo, Maria Osmarina Silva Vaz de Lima?

  10. Markut disse:

    De todas essas avaliações estratégicas, espera-se que sobre apenas a constatação de que o eleitor ,minimamente esclarecido, consiga demonstrar a sua indignação e cansaço perante o que ai está, preservando a esperança que a verdadeira virada acabe se concretizando daquí a 4 anos, talvez com a Marina.

  11. JORGE TERRA NACER disse:

    MARINA É UMA LAMBE BOTA DA DILMA, SAIU TOCADA DO PT E VOLTA QUE NEM VIRALATA.NÃO É A TOA QUE OLULA PAGOU A CAMPANHA DA MARINA .

  12. Beraldo Dabés Filho disse:

    O apoio de Marina Silva não valerá muitos Ministérios em um novo Governo do PT, motivo claro da tendência dos dirigentes do PV, se inclinarem para o lado de José Serra. Estão ávidos de poder.

    O PV é inexpressivo por conta da inexpressividade dos seus próprios dirigentes que, nojentamente estão se articulando contra a própria Marina.

    Rápida e precipitadamente, estão mostrando as garras ferozes, vestidos de periquitinhos verdes.

    Se o PV não seguir a posição pessoal de Marina Silva, ficará na história como o partido que só teve “15 minutos de fama”.

  13. helio, Rio de janeiro disse:

    Quanto desrespeito tem o leitor por Marina e pelo PV.
    Parece até a Dilma, a que nos pareceu muito raivosa no último debate.
    Marina ficará livre para se candidatar em 2014 e os que a apoiam estão livres para votar.
    Ocorre que para uma campanha tão verdadeira como a da Marina, o natural é aderir ao candidato mais verdadeiro.

  14. Beraldo Dabés Filho disse:

    Um dos ícones do PV, que não teve pique para acompanhar os passos do Presidente Lula e que agora está também pulando do barco, sempre foi Fernando Gabeira, que acabou se aninhando no Rio de Janeiro, onde acaba de sofrer fragorosa derrota para o candidato do Presidente Lula.

    A sua personalidade frágil, a sua instabilidade, o seu fracasso político e o fato de ter tido a cara de pau de se declarar usuário de maconha, são fatores que devem ser levados em conta, quando necessário se referir à direção do PV.

    Os dirigentes estão sim, se revelando ávidos de poder e são sim, lobos disfarçados de periquitinhos verdes.

    Marina Silva, boa pessoa e cria política do Presidente Lula, foi aliciada por estes crápulas, de forma hipócrita, comparável às táticas dos traficantes de mulheres, que levam brasileiras para trabalhar na Europa.

    Não dá para acrditar que ela vá se prostituir políticamente, e aceitar eventual apoio do PV a José Serra, “O Pífio”.

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