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Uma década terrível

O pessimismo americano

Americanos estão pessimistas em demasia a respeito do seu próprio lugar no mundo

O pessimismo americano
Em 2003, Bush falou que "um grande avanço nos levará a um momento em que os culpados terão muito mais medo da guerra que os inocentes". Suas previsões estavam erradas (Reprodução/AP)

Em 1º de maio de 2003, às 6 da tarde, o imenso poder dos EUA atingiu um pico. Após apenas seis semanas de batalhas, o exército de 375.000 homens de Saddam Hussein fora derrotado a um custo de apenas 138 vidas americanas. Sobre o deque do porta-aviões USS Abraham Lincoln, em frente a uma faixa em que se lia “Missão Cumprida”, o presidente George Bush proclamou que “as grandes operações de combate no Iraque chegaram ao fim. Na batalha do Iraque, os EUA e seus aliados triunfaram”.

Desde então, no entanto, o país que um intelectual alemão já chamou de “uberpoder” e um político francês de “hyperpuissance” foi acometido de um sentimento agudo de decadência. Nos oito anos e oito meses que se passaram até que o último soldado estrangeiro deixou o Iraque, a guerra tirou a vida de mais 4.270 soldados americanas, bem como as vidas de milhares de iraquianos comuns. Hoje em dia a carcaça da vizinha Síria está sendo disputada por um ditador, tão brutal quanto Saddam, que tem reprimido rebeldes muçulmanos, alguns dos quais uniram forças com a al-Qaeda. Enquanto o mundo assiste a tudo sem poder fazer nada, mais de 110.000 sírios morreram. Naquela noite em 2003 Bush falou à tripulação do Lincoln de “um grande avanço que nos levará a um momento em que os culpados terão muito mais medo da guerra que os inocentes”. Suas previsões foram reduzidas a pó.

A guerra não foi a única coisa que talhou a outrora ilimitada confiança dos americanos. O seu governo paralisado criou a impressão de que os EUA, assim como Roma no passado, sucumbiu à decadência e à mesquinharia.

O desastre financeiro de 2008 deixou os americanos mais pobres e receosos da expansão imperial demasiada do país. Por trás disso tudo jaz o pressentimento de que o poder está mudando para um grupo de países asiáticos, em especial a China. Medidas pelos seus valores de mercado, tudo indica que a economia chinesa ultrapassará a americana em no máximo uma década.

Fontes:
The Economist-Time to cheer up

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1 Opinião

  1. Roberto1776 disse:

    Nada que um WASP republicano não consiga resolver.

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