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universo eclético de estilos

‘O prazer do poema’, organização e traduções de Ferreira Gullar

Ferreira Gullar optou por traduzir muitos poemas em língua estrangeira em razão do caráter extremamente pessoal da escolha das poesias

‘O prazer do poema’, organização e traduções de Ferreira Gullar
De acordo com Ferreira Gullar sua intenção não foi ser didático ou informativo (Reprodução/Internet)

“Este livro nasceu de uma descoberta, a descoberta de uma coisa que eu já sabia: que o poema pode deslumbrar. Não serão todos os poemas, certamente, nem mesmo todos os bons poemas. Porque há bons poemas que não deslumbram. Isso é matéria talvez para uma teoria da comunicação poética, que não cabe aqui. De qualquer modo, foi o encontro com esses poemas que deslumbram que determinou a composição desta antologia.”

É assim que o grande poeta, crítico de arte, tradutor e ensaísta, Ferreira Gullar, justifica por que começou a guardar e compilar, ao longo de três décadas, esta preciosa antologia pessoal, que reúne importantes nomes da poesia do Brasil e do mundo, com poetas e poesias que lhe provocaram e provocam um “curto circuito”. Os poemas estão reunidos nesta antologia por ordem temática, e não cronológica, alfabética ou estilística. Temos aqui um universo eclético de estilos, épocas e nacionalidades, desde clássicos como “Ode I Livro III” de Horácio, Augusto dos Anjos, com sua poesia antilírica e mórbida, o delírio poético de Antonin Artaud, Baudelaire, Garcia Lorca, o grande poeta norte-americano Walt Whitman, com o poema belíssimo “Uma mulher espera por mim”, Rimbaud e nosso querido poeta Vinicius de Moraes, entre muitos outros.

Ferreira Gullar optou por traduzir muitos poemas em língua estrangeira em razão do caráter extremamente pessoal da escolha das poesias. Segundo Gullar, seu objetivo era, por um lado, não se afastar do conteúdo essencial do poema e, por outro, criar em português um texto belo, expressivo, capaz de transmitir ao leitor o mesmo fascínio que o poema exercera sobre ele. Em casos da impossibilidade de alcançar esse propósito, Gullar fez uma tradução livre, quase uma paráfrase. Ele recorreu também a traduções consagradas e a ajuda de amigos como Ivan Junqueira, Nicanor Parra, Fernando Albuquerque, Jean Claude Elias, Péricles Eugênio da Silva Ramos, Pierre Grimal, Gabriel Germain, Ivo Barroso e Jorge Wanderley.

Por fim, de acordo com Ferreira Gullar sua intenção não foi ser didático ou informativo, nem apresentar ao leitor amostras antológicas de todos os grandes poetas da poesia mundial, e sim oferecer o poema como um prazer estético, que comove e deslumbra.

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