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O que é uma plataforma colaborativa, afinal?

Nova figura tecnológica surge no competitivo universo disputado por portais, sites, redes e blogs

O que é uma plataforma colaborativa, afinal?
Arianna Huffington lucra US$4 milhões anualmente, enquanto seus colaboradores não recebem remuneração (Foto: Flickr)

No competitivo universo online em que portais, sites, redes e blogs disputam seus nichos de mercado, surgiu, na metade da década passada, nos Estados Unidos, uma nova figura tecnológica batizada de plataforma colaborativa. “The Huffington Post” chegou aglomerando conteúdos de colunistas, personalidades e blogueiros,  todos eles parceiros da empreitada que, com o sucesso do empreendimento, obtiveram – mesmo sem remuneração – relativa notoriedade ao se hospedarem sob o guarda-chuva da nova empresa agregadora de conteúdo criada por Arianna Huffington e Kenneth Lerer.

Apresentada como uma mídia social que revolucionou as comunicações e baseada no “jornalismo cidadão”, a plataforma cresceu tanto que ganhou valor. Muito valor. Sem escrever uma única linha editorial, “The Huffington Post” já recebia 8,9 milhões de visitas únicas no mês de fevereiro de 2009. Também vieram os prêmios: o Webby, o do Clube de Imprensa de Los Angeles e também os das revistas Time e Observer. Um grande negócio.

Em fevereiro de 2011, com mais acessos que o New York Times, “The Huffington Post” foi vendida para o AOL por US$ 315 milhões, mais um fee anual de US$ 4 milhões na conta bancária de Arianna Huffington. Escritores e blogueiros parceiros – que ajudaram a transformar “The Huffington Post” numa potência de comunicação – resolveram reivindicar para receber uma parte do dinheiro. Eles alegaram que o negócio foi construído com a ajuda de escritores – que nunca viram um centavo por seu trabalho e exigem que Arianna divida os lucros com as pessoas responsáveis pelo sucesso do empreendimento.

Depois de fechar o negócio, a empresária enviou e-mail a todos os colaboradores, dizendo que a visitação aos seus blogs cresceria muito, mas eles continuariam sem remuneração. Nas redes sociais, eles criaram a página “Ei, Ariana, você pode dividir esse cascalho?”.

Com relativo atraso, as plataformas colaborativas se apresentam agora no país como um novo e simpático negócio. Sem escrever uma linha sequer, tais plataformas pretendem hospedar os conteúdos dos sites de notícias – geralmente desarticulados e desunidos  – como divulgadores de conteúdos locais. São novos entrantes e, de cara, concorrentes disfarçados de parceiros. O que pode parecer um negócio “modernoso” não passa de suicídio.

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