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O tamanho do Petrolão

Não há mais dúvidas que se montou na principal estatal não financeira do Brasil uma rede de desvio de recursos e de superfaturamento da obras que salta aos olhos

O tamanho do Petrolão
O ano de 2015 será marcado pela espera da lista de políticos envolvidos no caso do Petrolão (Reprodução/Internet)

Sabem qual foi o tamanho dos desvios dos recursos da Petrobras? Eu ainda não sei, mas é nítido que as cifras que estão sendo divulgadas são de um tamanho impressionante.

O gerente-executivo da diretoria de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, se comprometeu a devolver aos cofres da Petrobras mais de US$ 100 milhões. Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, mais US$ 23 milhões. Alberto Youseff mais R$ 55 milhões. Júlio Camargo, o executivo da empreiteira japonesa Toyo Setal vai devolver mais R$ 40 milhões. Apenas essas quatro pessoas já falam em devolver mais de R$ 400 milhões. É muito dinheiro.

Pelo tamanho das fortunas que os acusados que participam do acordo de delação premiada se comprometem a devolver é possível estimar que os desvios de recursos de 2003 a 2012 foram valores muito elevados.

Não há mais dúvidas que se montou na principal estatal não financeira do Brasil uma rede de desvio de recursos e de superfaturamento da obras que salta aos olhos e, hoje, o que se pergunta é porque se demorou tanto para descobrir um desvio tão grande de recursos, se ou não os diversos presidentes da Petrobras desde 2003 sabiam da atuação de alguns dos seus ex-diretores, e mesmo se o esquema de pagamento de propinas para obras superfaturadas funcionava na Petrobras antes de 2003.

Quanto mais formos a fundo nessa história melhor. Se aparecer indícios que essas práticas de desvios de recursos é anterior a 2003, que se investigue e se puna exemplarmente qualquer um dos envolvidos. Assusta o uso politico da estatal na magnitude do que aconteceu mesmo depois do julgamento e da condenação dos envolvidos no famoso caso do mensalão.

De fato é possível que, como diz a presidente Dilma, a operação Lava-Jato, que apura corrupção na Petrobras, ponha fim à impunidade no Brasil. Novamente, o que impressiona é como tudo isso não foi percebido antes por pessoas que afirmavam de forma tão veemente que estavam fortalecendo a Petrobras desde a descoberta do Pré Sal e que levou a maior capitalização do século da empresa, em 2010. Diretores hoje que estão presos saíram da companhia com menção honrosa e, de repente, o ex-diretor Renato Duque não teve padrinho político.

Sem dúvida, este é talvez o maior escândalo recente da história do Brasil dada a magnitude dos recursos desviados e por envolver a Petrobras que, apesar disso tudo, é a maior e mais inovadora empresa da América Latina. Seria muito bom que: (1) as investigações fossem aprofundadas para sabermos se essas supostas práticas criminosas tiveram ou não início, em 2003; (2) que os demais diretores da empresa e os presidentes da empresa quando esses desvios ocorreram sejam investigados; e (3) de que forma a associação dos funcionários da empresa pretende lidar com este problema para evitar novos casos de desvio. É impossível que alguém não tenha desconfiado de nada. Não havia sinais de enriquecimento ilícito de alguns dos diretores? Ninguém desconfiava de nada nas conversas do cafezinho?

Por algum tempo, alguns funcionários da Petrobras estavam tão interessados em falar mal das gestões anteriores da estatal e da mudança na Lei do Petróleo de 1997 que não se deram conta do tamanho dos desvios de recursos que acontecia na empresa.

É claro que a imagem da companhia, apesar de todo o sucesso histórico no desenvolvimento de tecnologia de extração de petróleo em águas profundas, sai chamuscada deste episódio. Este caso ficará nos jornais aqui e lá fora por um bom tempo.

Além disso, em um ano que deveríamos estar discutido reformas estruturais, o ano de 2015 será marcado pela espera da lista de políticos envolvidos no caso do Petrolão. Da mesma forma que o mensalão colocou, segundo o STF, uma quadrilha criminosa na cadeia, o Petrolão será importante para o combate à impunidade e o uso político que se fez da Petrobras.

*Mansueto Almeida escreve no Blog do Mansueto Almeida

Fontes:
Blog do Mansueto Almeida

1 Opinião

  1. Ludwig Von Drake disse:

    É impossível que se roube tanto e por tanto tempo em uma empresa, sem o consentimento dos chefes. Está na hora da PF colocar “gente graúda” na jaula.

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