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Os possíveis governos Dilma Rousseff

Qualquer semelhança que um desses mundos possa vir a ter com o mundo real será mera coincidência. Por Mario Guerreiro*

Os possíveis governos Dilma Rousseff
Na melhor das hipóteses, Dilma fará um governo mais medíocre do que o de seu antecessor

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Ó deuses! Não vos peço a imortalidade, peço permissão para explorar o campo do possível _ Píndaro

Num passeio descontraído através dos mundos possíveis, vamos ativar nossa imaginação política e descrever que rumos poderá tomar o governo Dilma. Advertindo desde já os espíritos simplórios que não estaremos nos movendo no mundo dos fatos, porém explorando regiões do vasto campo do possível.

Começaremos pela menos ruim das alternativas. Nesta, Dilma não representará grande ameaça para a democracia, não dará continuidade ao PNDH3 – que passará a ser mero projeto eleitoreiro – não escolherá Mercadante nem nenhum economista heterodoxo para ministro da Fazenda e tocará a passo de cágado as obras do PAC (Plano que Alavancou a Companheira).

Nisto, ela seguirá à risca seu grande mestre político, pois, como dizia o
maquiavélico Maquiavel: “O mal tem que ser feito de uma só vez, mas o bem tem que ser feito aos poucos, porque o povo tem memória curta”. Se bem que o povo brasileiro não tem memória curta, conserva apenas uma vaga lembrança do passado recente.

Dilma fará um governo mais medíocre do que o de seu antecessor, se é que isto é realmente possível. No entanto, ela será mais discreta e precavida quanto à aproximação das coisas ruins internacionais. Ao contrário de seu antecessor, ela não demonstrará grande paixão por Ahmadinejad, Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales et caterva.

Ela não enfrentará nenhuma crise econômica devastadora e o país crescerá a uma média medíocre de uns 3 % ao ano. Concluirá seu governo deixando a maior parte da população insatisfeita, nem tanto pelo governo que fez, mas pelas grandes expectativas suscitadas na campanha, e pela comparação de seu carisma zero com o forte carisma de Lulinha-Paz-e-Amor que, aliás, conseguiu até mesmo eleger uma múmia.

Como consequência, a oposição crescerá, e Aécio Neves será fortíssimo candidato a presidente, tendo chance de derrotar até mesmo Lula, inevitável e imbatível candidato do PT em 2014: ano das Olim-Piadas no Rio [Já estamos rindo por conta].

O pior dos mundos possíveis

Passemos agora a descrever o pior dos mundos possíveis. Possuidora de um temperamento irrascível, intratável e autoritário, aliado a uma notável
incompetência administrativa – já demonstrada nas falências da prefeitura de Porto Alegre e da sua atividade como pequena empresária – Dilma fará um governo de constante atrito com seus comandados, trocando de ministros como uma mulher troca de bolsas e sapatos.

Como nada irá adiante no seu governo, em virtude de um grande caos
administrativo e da refrega do PMDB com o PT por cargos e boquinhas, ela tentará se servir de avassaladora propaganda. Mas graças à sua figura fria e inexpressiva, não conseguirá persuadir o povo que seu governo é beleza pura, como fez matreiramente Lulla – com dois éles de Collor – nos seus dois (des)governos.

Seguindo os passos de Cristina Kirchner – a indomável megera argentina –tomará medidas radicais para amordaçar a mídia. Após uma inútil resistência da opinião pública esclarecida, ela acabará conseguindo. Tendo um Congresso subserviente e a mídia manietada, ela governará com mão de ferro o país. Crescerá a corrupção. Crescerá o autoritarismo. Crescerá o caos. Crescerá a oposição.

A bomba-relógio armada por Lulla explodirá com um aumento colossal da dívida interna e das despesas estatais. Dilma aumentará impostos, mas se recusará a cortar despesas do Estado e isto gerará inevitavelmente o retorno de uma escalada inflacionária vertiginosa.

Abrem-se três alternativas: na melhor das hipóteses, ao final do governo Dilma, a oposição crescerá exuberantemente, e Aécio Neves será fortíssimo candidato a presidente, tendo chance de derrotar até mesmo Lulla, inevitável e imbatível candidato do PT em 2014.

Na menos ruim das hipóteses, os governos de São Paulo e de Minas Gerais promoverão o impeachment de Dilma, ela será deposta e assumirá o
mefistofélico Michel Temer disposto a fazer todo e qualquer negócio, contanto que o PMDB permaneça no poder fazendo bons negócios. E voltaremos à velha política do antifranciscano Robertão: a do dá cá, toma lá, pois “é recebendo que se dá!”. Por pior que pareça, essa é mesmo a menos ruim das alternativas…

Mas há ainda uma hipótese pior, uma verdadeira tragédia grega, que eu preferiria que jamais passasse do domínio do possível ao do real:

Minas e São Paulo se sublevarão contra Dilma, ao passo que Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul – dos fiéis aliados Sérgio Cabral e Tarso Genro – tomarão sua defesa. Os demais Estados da Federação se alinharão de um lado ou de outro. A tensão política tornar-se-á incontrolável. É a guerra civil! O Brasil democrático de Aécio e Alckmin contra o Brasil dilmesco e seus acólitos.

Supondo que isto venha a ocorrer, certamente as FARC e Hugorila Chávez fornecerão armas e guerrilheiros cubanos há muito de prontidão na Venezarzuela, e estes se juntarão aos sem-terra e aos sem-vergonha. Por sua vez, os Estados Unidos do pós-guerra fria – pouco se lixando para o alastramento do comunismo na América do Sul – se fingirá de morto.

Mas importa saber apenas uma coisa: De que lado se colocarão nossas Forças Armadas ou ao menos a maior parte de seu contingente.

Advirto que qualquer semelhança que um desses mundos possíveis possa vir a ter com o futuro mundo real não terá passado de mera coincidência…

* Doutor em Filosofia pela UFRJ. Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ.

Fontes:
Instituto Liberal - Os possíveis governos Dilma

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5 Opiniões

  1. Gibran Shalom disse:

    Dizer que o governo de Lula foi “medíocre” é uma confirmação exuberante que na democracia tudo se pode se dizer, pois é garantido o direito de livre expressão, ressalvadas as responsabilidades jurídicas. Medíocre para quem, para o pobre ou para o rico? Para o social ou para os mega interesses econômicos de grupos especializados em extorqui o povo, de uma maneira tão bem elaborada, que depois são aplaudidos com mãos encalejadas? “Parabéns” por seu “Doutor” artigo.

  2. Beraldo Dabés Filho disse:

    Isto não é uma matéria política. É o anúncio do fim do mundo, começando pelo Brasil.

    Nos meus idos tempos de universitário tive tolerar matérias do tipo Filosofia I, Filosofia II e vai por aí afora. Nunca ví tanta coisa junta, que não serve pra nada.

    De lá pra cá, por mais que tentasse, não conseguí perder a ogerisa de Filosofia, que de mim se apoderou.

    E agora me aparece um “Doutor em Filosofia” pra me fazer ler tanta treslouquice.

    Um cara desse, ao morrer (a morte é certa) tem de ser enterrado pelado e sem caixão.

  3. helio (rio de janeiro) disse:

    Curioso é que foi graças á Filosofia que surgiram pensamentos e convicções como as de Beraldo e Gibran. Novas teorias e visões do futuro se esboçam. Finalmente ficaremos livres desse capítulo maçante de ideologias do passado, com seus mantras e repetidos refrões.

    Gibran, considerando a hipótese de que existem governos para ricos e para pobres, diria que o de Lula foi para os ricos, apesar da excepcional propaganda dizer o contrário.

    A Corrupção tira dos pobres, compromete o nosso futuro e o desejo de erradicar a miséria. Assim como impostos altíssimos, inflação, alianças a qualquer preço, pouco investimento em Saúde, equívocos graves na Educação, abandono da infraestrutura, desindustrialização.
    Boas intenções precisam de boas idéias. Os bons ventos na Economia devem muito ao momento global até 2009, e ao continuismo, ainda que medíocre, dos programas anteriores, apelidados de “herança maldita”.
    Aplaudo a expansão do programa do Bolsa de FHC. Entretanto a falta de fiscalização teve resultados muito inferiores aos esperados. Faltou governo. Lula deveria ter governado mais, feito menos campanha, e não ter entregue o leme a Erenices.
    Gibran,a propaganda foi como você diz, feita “de maneira tão bem elaborada” que teve o aplauso das mãos calejadas. Felizmente muitos, não cairam nesse golpe esperto.

  4. Peter Pablo Delfim disse:

    Éssa matéria é estarrecedora. Lembra mais os milhões de e-mails difamatórios distribuidos diuturnamente durante a campanha eleitoral contra Dilma Rousseff. Estou incrédulo. Chamar este atentado à democracia, ao povo, suas escolhas, seus direitos de “matéria” é o mesmo que travestir a injuria, a calunia, a difamação, a restrição aos direitos humanos e a suspenção dos direitos constitucionais de “chamamento a ordem e aos bons princípios”.
    Já vimos esse filme e está bem presente ainda na mente de milhões de brasileiros. Somente embasbascadores de plantão sem qualquer tipo de escrupulos aventuram-se em incursões tão perigosas. Nem como piada serve. Se foi esta a intenção vá aconselhar-se com o Tiririca que pelo menos teve a aprovação de 1.300.000 (hum milhão e trezentas) mil pessoas.

  5. GERACINA disse:

    PODER E DINHEIRO ANDAN JUNTOS. ALGUEM SABE DIZER O QUANTO LULA E SUA FAMILIA E AMIGOS K. ERAM POBRES E HOJE COMO E O PODER AQUISITIVO A CUSTAS DOS TRABALHADORES.

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