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Os riscos da compra de medicamentos pela internet

Segundo a OMS, mais de 60% dos países não têm legislação sobre o funcionamento de farmácias on-line

Os riscos da compra de medicamentos pela internet
Existem 1,2 mil sites ilegais que funcionam como drogarias online (Reprodução/Internet)

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A facilidade e a praticidade têm estimulado a compra de remédios pela internet. Mas, o que poucos sabem são os riscos desse tipo de comércio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), medicamentos vendidos em sites ilegais que não fornecem seus endereços físicos são falsificados em 50% dos casos. Ainda de acordo com a entidade, mais de 60% dos países não têm legislação sobre o funcionamento de farmácias on-line.

A França é uma dessas nações. Em julho, a Federação Profissional dos Fabricantes de Medicamentos do país alertou a população sobre o problema da falsificação nos produtos ofertados na rede. Uma pesquisa publicada em 2011 pela Associação Nacional dos Conselhos de Farmácia (uma organização americana) mostrou que 96% das farmácias on-line são ilegais. O dado confirma os resultados obtidos em 2008 pela Aliança Europeia para o Acesso a Medicamentos Seguros, que verificou que 95,6% das lojas de medicamentos na web ​​estavam trabalhando ilegalmente.

Vendas no Brasil

No Brasil, o levantamento “Fiscalização digital: ameaças à saúde coletiva na internet”, encomendado pelo Ministério da Saúde, detectou que empresas que vendem na internet medicamentos como inibidores de apetites,  esteroides anabolizantes e abortivos enganam os consumidores com anúncios de que essas drogas têm o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O estudo constatou a existência de 1,2 mil sites ilegais, sendo 359 de venda de abortivos (30% do total). O trabalho identificou ainda que há, nas redes sociais, “drogarias online”, com práticas criminosas.

O presidente da Associação de Defesa dos Consumidores e Usuários de Medicamentos do Rio de Janeiro (uma ONG que repassa medicamentos a preço de custo aos seus associados), Odari Saboia, lembra que remédios controlados, que só podem sair das farmácias após a retenção da receita, também são encontrados clandestinamente na web:

“Como é possível avaliar a procedência do material? Na maioria das vezes, a economia que se procura, não é obtida. Assim como o gasto pode ser duplicado ao considerarmos a possibilidade de ineficácia dos produtos”.

Segundo a Anvisa, a venda pela internet está regulamentada desde 2009 no Brasil. Os sites que comercializam medicamentos no país devem pertencer a farmácias ou drogarias autorizadas e licenciadas pelos órgãos de vigilância sanitária competentes. Além disso, podem utilizar apenas o domínio “.com.br” e precisam conter, na página principal, informações como a razão social, o nome fantasia e endereço completo da unidade responsável pela dispensa dos produtos.

Ainda de acordo com o órgão, está disponível em seu portal a cartilha “O que devemos saber sobre medicamentos”, que contém orientações para o uso racional de medicamentos.

A Anvisa reconhece que o combate à venda ilegal de remédios pela internet é bastante complicado no mundo todo. O órgão, no entanto, ressalta que consegue diferenciar suas ações em função do domínio do site.

“Temos como identificar os responsáveis pelo registro dos sites com domínio com sufixo .com.br e atuar sob o ponto de vista sanitário, publicando resoluções para a suspensão da fabricação, distribuição, uso e divulgação dos produtos irregulares, inclusive determinando a retirada do site do ar, bem como, de forma complementar, em ações conjuntas com autoridades policiais”, informou, em nota, a assessoria de imprensa da Anvisa, que admite que os sites terminados em .com, hospedados no exterior, dificultam a identificação de responsáveis.

A Anvisa informou, no entanto, que está buscando alternativas para o enfrentamento do problema, que, devido a sua complexidade, exige mais estudos sobre alternativas mais efetivas de atuação.

Caro leitor,

Você compra remédios pela internet? Já teve alguma experiência ruim na compra de remédios pela web?

Farmácias online deveriam ser proibidas ou suas vantagens superam os riscos?



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