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Visita Papal

Papa Francisco cai no meio de conflito na América do Sul

Jorge Mario Bergoglio priorizou os desvalidos em suas visitas ao Equador e também à Bolívia. Ele ainda passará pelo Paraguai.

Papa Francisco cai no meio de conflito na América do Sul
Jorge Mario Bergoglio sabe que o bom relacionamento com os vizinhos é uma lição que se aprende antes mesmo de ir à escola (Foto: Wikipedia)

Como jesuíta que é, o Papa Francisco tem grande identificação com os excluídos e reitera o compromisso da igreja com os pobres. Jorge Mario Bergoglio priorizou os desvalidos em suas visitas ao Equador e também à Bolívia. Ele ainda passará pelo Paraguai. Os três países são considerados “periféricos” e marcados pela desigualdade.

Um pouco de História não faz mal a ninguém. No século 19, tanto o Paraguai quanto a Bolívia tentaram voos expansionistas e se envolveram em guerras, perdendo homens e territórios. Nos livros de História paraguaios, o conflito contra o Brasil, a Argentina e o Uruguai é chamado de “Guerra da Tríplice Aliança”.

Para os bolivianos, ao que parece, a ferida não cicatrizou. Em 1879, o país –  que tinha terras banhadas pelo Pacífico – iniciou um conflito contra o Peru e o Chile na busca por conquistar territórios ao Sul do primeiro país e ao Norte do segundo. Os peruanos cederam, mas os chilenos compraram a briga no que ficou conhecido como a Guerra do Pacífico. Passados quatro anos, a supremacia militar chilena conquistou o território que pertencia à Bolívia e, de quebra, ainda ficou com as terras que o Peru não se importou em perder. Assim, o Chile se tornou aquele país comprido que vemos no mapa.

Esta semana, Evo Morales manifestou a Francisco a reivindicação que o país faz ao Tribunal Internacional de Haia pela retomada de seu acesso marítimo, perdido no tratado que pôs fim à guerra em 1883. Os bolivianos querem a revisão do acordo que os deixou sem saída para o Pacífico. Com sua experiência de vida e a malemolência de um argentino, Jorge Mario Bergoglio sabe que o bom relacionamento com os vizinhos é uma lição que se aprende antes mesmo de ir à escola. Assim, o papa exaltou as riquezas naturais da Bolívia e disparou: “apelo para um diálogo franco e aberto, de modo a evitar conflitos entre países irmãos”, conduzindo o assunto com a categoria de um Lionel Messi com a bola no pé.

Em contrapartida, o ministro chileno das Relações Exteriores, Heraldo Muñoz, pediu ao papa, para “convencer o governo boliviano a encerrar a agressividade permanente contra o Chile e suas autoridades. O que a Bolívia pretende é afetar a integridade territorial do Chile e isso não é aceitável, como bem sabe o papa Francisco”, disse. O chanceler chileno quer que o santo padre interceda, pondo fim “à agressividade permanente contra o Chile e as suas autoridades”. Ele ressalta que seu país está aberto à negociação e que foi a Bolívia que interrompeu o diálogo com seu pedido unilateral ao tribunal.

Não é fácil a vida de um Papa.

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