Início » Vida » Comportamento » Quando as crianças não são bem-vindas
ENTRADA PROIBIDA

Quando as crianças não são bem-vindas

Estabelecimentos que proíbem a entrada de crianças são cada vez mais comuns e seguem a onda de um movimento chamado 'childfree'

Quando as crianças não são bem-vindas
Bar de São Paulo causa polêmica ao fazer 'humor' sobre a entrada de crianças (Fonte: Reprodução)

Quem tem criança na família sabe bem que aquelas famosas “birras” são muitas vezes imprevisíveis e podem acabar sendo incontroláveis, com choros e gritos em altos decibéis. O barulho acompanha também momentos de alegria, agitação e brincadeiras. Faz parte do mundo infantil. Compreensível? Nem sempre.

Uma moda relativamente recente, que “proíbe” crianças em determinados estabelecimentos, vem ganhando força principalmente nas grandes metrópoles do país e do mundo. É cada vez mais comum se deparar com restaurantes e hotéis que não permitem a entrada de menores de 18 anos. A idade até varia um pouco, mas o consenso é que o público infantil não é bem vindo nesses lugares. O motivo varia desde uma estratégia de negócio a simplesmente uma prática para “garantir a tranquilidade” dos outros clientes ou hóspedes.

Trata-se de uma tendência que segue a onda do movimento “childfree” (“livre de criança”, em tradução livre), que surgiu na década de 1980 nos EUA e no Canadá e defende uma sociedade mais tolerante com quem opta por não ter filhos e que discursa a favor da decisão de não ter que conviver com os filhos dos outros.

O tema vem provocando grandes discussões nas redes sociais — e muita revolta de ambos os lados. Em março deste ano, um bar especializado em carnes no bairro paulistano de Pinheiros gerou a ira de muitos internautas e o aplauso de tantos outros ao publicar em sua conta no Instagram a foto de uma placa colocada na entrada do estabelecimento com a seguinte frase: “Aqui seu cão é bem-vindo!!! Mas crianças favor amarrá-las ao poste”.

Os proprietários se defenderam ressaltando que o bar tem diversas placas com frases de humor. Na ocasião, em entrevista à revista Veja, um dos donos disse que “isso é obviamente uma piada, um trocadilho entre cachorros e crianças malcriadas” e que “a ideia foi distorcida na internet”. O fato é que a frase gerou muita revolta nas redes sociais, principalmente de mães que se sentiram pessoalmente ofendidas e discriminadas.

O assunto também gera diferentes interpretações por parte de especialistas e autoridades. O Procon de São Paulo afirma que não há problema em restringir o acesso de crianças em alguns estabelecimentos quando isso for previamente informado ao consumidor, de forma clara, a fim de não causar constrangimentos.

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis diz que a segmentação dos estabelecimentos é uma tendência mundial. Já o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, uma associação de consumidores sem fins lucrativos fundada em 1987, afirma que a prática é ilegal e inconstitucional, uma vez que “restringir a entrada de determinado grupo a um ambiente é uma violação à dignidade da pessoa humana, de acordo com o artigos 1º, III e 3º, IV da Constituição Federal”.

O tema também já está sendo discutido em Brasília. Um projeto de lei que proíbe estabelecimentos comerciais de “impedir o acesso, de recusar o atendimento, ou de impor cobrança adicional pela presença de crianças ou adolescentes em suas dependências”, apresentado pelo deputado Mário Heringer (PDT-MG), foi rejeitado em maio deste ano pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados .

O relator, deputado Covatti Filho (PP-RS), argumentou que “não se trata de tratamento discriminatório das crianças ou mesmo das famílias, mas de exploração legítima de um nicho de mercado”. O projeto ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.

A discussão parece não ter fim e certamente irá aumentar à medida que novos estabelecimentos aderirem a essa moda. O fato é que criança tem direito a ser criança e adulto também tem direito a ser adulto. Parece simples, mas não é bem assim.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

2 Opiniões

  1. Pedro Fagundes disse:

    Matéria muito interessante. Particularmente não tinha conhecimento. É um assunto pelo visto bastante polêmico. Vamos aguardar !!!

  2. ceiça alles disse:

    Em vez de dizer que é proibido levar crianças, deveriam apenas estabelecer que o lugar é para adultos. Poderia haver filmes pornô ou qualquer coisa assim q fizesse com que os próprios pais neles não quisessem seus filhos. Outros restaurantes poderiam explorar adequadamente o nicho ‘para crianças também’.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *