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Quando as selfies vão além da diversão

Psicóloga diz que é possível identificar quando as selfies deixam de ser uma brincadeira saudável e quando geram até mesmo algum tipo de dependência

Quando as selfies vão além da diversão
Selfies: autopromoção, autoexposição, ou apenas diversão? (Fonte: Reprodução/Pixabay)

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Estão na moda e parecem não ter limites. Os famosos autorretratos, ou melhor, selfies, não param de invadir as redes sociais. Vale de tudo e um pouco mais: fotos no espelho, na academia, no elevador, no trabalho e até mesmo em funerais.

A mania que já ganhou o mundo é moda entre todas as classes sociais e — por que não — profissionais. Políticos, celebridades e, principalmente, pessoas comuns aproveitam qualquer oportunidade para tirar uma selfie e publicá-la na internet. Autopromoção, autoexposição, ou apenas diversão?

Em entrevista ao Opinião e Notícia, a psicóloga Patrícia Salin diz que é possível identificar quando as selfies deixam de ser uma brincadeira saudável e quando geram até mesmo algum tipo de dependência.

“Desde sempre nós temos essa necessidade narcisista de vermos nossa imagem exposta. Historicamente podemos observar isso em pinturas como os autorretratos, e posteriormente nas fotografias impressas em papel, sejam individuais ou em grupo”, explica Patrícia.

O que mudou de uns anos para cá foi justamente o meio de propagação destas imagens, diz a psicóloga. “Partindo do princípio de que as selfies são publicadas na web, a autopromoção está sendo praticada de uma forma instantânea, onde o indivíduo tem a possibilidade de se expor constantemente, o que se torna problemático se for de maneira abusiva”, ressalta.

Ainda de acordo com Patrícia, “toda dependência pode ser extremamente perigosa quando está intimamente ligada à perda de autonomia, à carência constante de aprovação e reconhecimento alheio, criando insegurança e submissão”.

A psicóloga lembra que a exposição por meio das selfies pode acabar gerando críticas, e “nem todos nós estamos voltados a compreender a visão do outro quando divergente da nossa, o que pode gerar um conflito emocional bem preocupante e desgastante”.

Patrícia diz, entretanto, que, “mantendo o bom senso e a cautela com a própria imagem, assim também com os demais que possam estar nas alegadas selfies, elas serão consideradas um meio saudável de se compartilhar momentos que podem servir para um dia mais tarde gerar boas lembranças”.

Como tudo na vida, ou quase tudo.

O problema é que muitas vezes o que era para ser apenas uma fotografia, uma brincadeira ou mesmo uma boa lembrança acaba em tragédia. Na Rússia, por exemplo, o alto número de acidentes na hora do “xis” levou o governo a lançar em julho deste ano uma campanha contra selfies perigosas. “Uma selfie descolada pode custar a sua vida”, diz o alerta oficial.

Até aquele mês cerca de 100 pessoas ficaram feridas e outras dezenas morreram no país, tudo por causa da moda da selfie.

Em uma simples pesquisa na internet também é possível encontrar inúmeros relatos de invasão de privacidade envolvendo selfies. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina proibiu os profissionais de saúde de publicarem selfies em situações de trabalho após receber reclamações de pacientes que sentiram que tiveram a privacidade e a intimidade violadas.

Mas como saber em que tipo de situação as pessoas deveriam ou não fazer selfies? Qual o limite para não invadir a privacidade alheia? A psicóloga Patrícia Salin ressalta que “viver em sociedade requer ponderação e responsabilidade”, e que se a selfie em questão “ferir suscetibilidades ou denegrir a reputação da própria pessoa ou de mais alguém que esteja na foto, logicamente isso seria um limitador para esse tipo de exposição”.

Goste ou não, o fato é que o fenômeno dos autorretratos não parece ser uma moda passageira. Afinal, quem nunca parou para tirar uma selfie que tire, ou melhor, que atire a primeira pedra.

Caro leitor, você acha que a moda da selfie está mais para uma exposição excessiva ou para uma brincadeira saudável?

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8 Opiniões

  1. Markut disse:

    Claro que a coisa chegou ao grau preocupante de epidemia da exposição excessiva, para cuja interpretação psicológica e humana, Leandro Karnal tem uma versão penetrante e bem humorada que, de brincadeira saudavel não tem nada.

    Referência : Café Filosófico da TV Cultura.

  2. Roberto1776 disse:

    Resumindo: temos excesso de narcisismo (ou uma espécie de síndrome do Me, Myself & I) e ausência “gritante” de bom senso. É alarmante a perspectiva de que essa moda não seja passageira, pois indica um Homo não tão Sapiens voltado cada vez mais para dentro de si mesmo.

  3. Áureo Ramos de Souza disse:

    O problema é de quem aceita esta usando as novas invenções da tecnologia e que pode ser de bom grado aos amigos e de mau humor para os desconhecidos. Não crie problema para si próprio e saiba quando usar uma selfies.

  4. Gabriella disse:

    Sem dúvida, exposição excessiva!
    Parabéns pelo excelente texto!

  5. Téka Assunção disse:

    Olá, Bom Dia !
    As pessoas estão muito carentes e ficam horas, dependentes de toda essa tecnologia. Seja no Whatsapp, ou ouvindo música…enviando mensagens…. assistindo vídeos, etc.. O adolescente, principalmente, não tem consciência. Crianças dormem com o celular sob o travesseiro. E tudo isso causa malefícios. Existem pessoas jovens, que já estão com problemas de surdez,pois, apesar do fone de ouvido,os decibéis extrapolam, numa área tão delicada como os tímpanos. Ouvem a música no último volume. Quanto às Selfies,se a pessoa é vaidosa, tudo bem.Ela pode tirar 1000 fotos, seja na praia.. ou em qualquer lugar. O importante é saber, com quem tirar… onde tirar…. e como tirar.
    Abraços,
    Téka Assunção

  6. Téka Assunção disse:

    Olá,
    Hoje acordei mais Feliz !!
    É o meu Níver !!!!!!
    Felicidades pra mim !
    Obgda,
    Téka Assunção

  7. Honorio Tonial disse:

    A presidência do Brasil, de Direito, tem nome e endereço, conhecidos. – Quem é que manda, de Fato, neste difícil de nossa Pátria?
    Por favor: Nome e endereço..!
    Neste nosso Presidencialismo quem manda é a maioria legítima ou forjada que venceu as eleições.

  8. ANTUNES BRANCO disse:

    ACHO ESSE MODISMO DO SELFIE MAIS UM DOS ABSURDOS DE HOJE . SOMENTE UM DEBIL MENTAL PODE ACHAR QUE OS SEUS “SEGUIDORES ” DO FACEBOOK OU ISNTAGRAM VÃO FICAR FELIZES E REALIZADOS POR TER ACESSO MILHARES DE FOTOS DA PESSOA….É A APOTEOSE DO NARCISISMO IMBECIL…

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