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Redução de impostos: o único pensamento original da campanha?

Espero que a presidente eleita não esqueça o que ela mesmo prometeu no seu discurso de vitória e cuide de baixar os impostos. Por Alexandre Barros

Redução de impostos: o único pensamento original da campanha?
Dilma venceu com 56,05% dos votos

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Em primeiro lugar, parabéns a todos os brasileiros pela sexta eleição direta consecutiva para Presidente da República. Talvez alguns de vocês, leitores e leitoras, não se lembrem, mas de 1964 a 1990 elas foram proibidas, como o foram entre 1930 e 1945. Já podemos comemorar 20 anos de eleições diretas para Presidente e de plena democracia, feito que não conseguimos celebrar entre 1946 e 1964.

Agora vamos ao que interessa: redução de impostos.

Ambos os candidatos à presidência foram fartos em promessas. Fartos e muito pouco originais. Prometeram as mesmas coisas que políticos prometem desde que há muitas eleições no Brasil.

No último debate (31 de outubro de 2010, na Rede Globo), entretanto, consegui pescar uma coisa original. A presidente eleita Dilma Rousseff disse (e me perdoem os leitores se a citação não é exata, mas ainda assim confio na minha memória): “Nós [o governo] aprendemos uma coisa. Aprendemos que é possível aumentar a arrecadação baixando impostos. Por isso baixamos os impostos de automóveis e de linha branca e vimos que a arrecadação subiu. Vou fazer uma reforma tributária que leve isso em conta.” (Esta última parte já não me lembro se foi dita assim. Se algum leitor lembrar-se melhor ou tiver a gravação, me corrija, mas na essência a acredito que candidata eleita disse isso. Pode enviar que farei a correção aqui.)

Ela confirmou isso no seu discurso de vitória no dia 31 de outubro. A isso prestei muita atenção.

No meu entender, e olhem que acompanhei esta campanha com atenção, esta foi a única promessa que tocou num ponto raro ou mesmo inexistente nas promessas de políticas brasileiras. Foi original e disse com todas as letras que vai baixar os impostos. Políticos brasileiros não costumam prometer queda de impostos. Falam de reforma fiscal ou tributária em abstrato, mas não falam de baixa de impostos.

Acostumamo-nos todos com a inflação alta que mascarava todos os preços, inclusive o que somos obrigados a pagar para sustentar o governo e suas políticas.

Dependendo de quem calcula, a carga tributária brasileira é muito alta (entre 35% e 43% do PIB). Há outras maiores. Na Dinamarca passa de 50%, mas não somos a Dinamarca.

O fato concreto é que a carga tributária brasileira é cara e malvada com os pobres: quem ganha até 2 salários mínimos por mês trabalha, em média, 197 dias do ano para sustentar o governo. Aguenta uma carga tributária de 53,9%.

Já os mais aquinhoados sentem a mordida do fisco durante menos dias: quem ganha mais de 30 salários mínimos por mês trabalha só 106 dias por ano para sustentar o governo. Sua carga tributária é de 29%. Os cálculos são do IPEA.

Trocando em miúdos, o imposto no Brasil é muito caro, e o que é pior, é socialmente injusto, por ser regressivo. Maltrata mais os pobres.

Uma das vantagens da humanidade é que ela aprende. Se não aprendesse, não teríamos todos os confortos da vida moderna.

Uma família de classe C no Brasil de hoje vive melhor do que uma família da aristocracia francesa do tempo de Luiz XIV. Exceto pela disponibilidade de braços para trabalhar, que eram abundantes, a aristocracia vivia muito mal.

Tinha menos diversidade de opções para tudo, de comida a diversão. Socava a bunda em selas de cavalos ou em carruagens desconfortáveis. Tinha a boca podre de cáries (quando lhe sobravam dentes) e morria muito mais cedo, de doenças das quais hoje pouco ouvimos falar ou quiçá sequer conhecemos.

Espero que a presidente eleita não esqueça o que ela mesmo disse no debate de 29 de outubro de 2010 e reiterou no dia 31 do mesmo mês, e cuide de baixar os impostos.

Os brasileiros ficarão mais felizes porque poderão melhorar seu padrão de vida consumindo mais e de maneira mais diversificada. Com mais dinheiro e um povo mais rico, o governo poderá cumprir mais e melhor as promessas tradicionais feitas aos eleitores.

Torçamos para que esta seja a grande surpresa que a presidente eleita nos fará. Seu antecessor, o Presidente Lula, aprendeu. Quando fez a carta aos brasileiros e nomeou Henrique Meirelles para o Banco Central, varrendo do cenário decisório governamental a maioria dos economistas inflacionistas e heterodoxos (que gostam de chamar a si mesmos de “desenvolvimentistas”), ele mostrou que tinha aprendido que inflação é ruim para todos e pior ainda para os pobres. As geladeiras, fogões, motos, carros e televisores consumidos no Brasil mostram isso com clareza.

Sua sucessora, que ele tanto se esforçou para eleger, já deu um sinal de ter aprendido que o governo pode sustentar-se bastante bem com impostos menores e que todos no beneficiaremos disso.

Só resta esperar que a presidente Dilma não se esqueça do que disse a candidata Dilma no dia 29 de outubro de 2010 e rearfirmou no dia 31: aprendemos que a arrecadação pode crescer mesmo com impostos mais baixos.

Boa sorte e, sobretudo, boa memória, presidente, e vida melhor para todos nós pagando menos impostos.

Fontes:
Ordem Livre - Redução de impostos: o único pensamento original da campanha de 2010?

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8 Opiniões

  1. Luiz Mourão disse:

    A redução de impostos é perfeitamente possível SE o Governo (nos três níveis) entabular esforços para fazer com que os funcionários públicos TRABALHEM!!!!!!!!!!!!!!
    Eu diria, assim meio no chute, que TODO o trabalho do serviço público possa ser feito, com qualidade, por cerca de 60%, ou menos, do funcionalismo empregado!!!
    Se os funcionários atuais TRABALHAREM o que devem, cumprindo suas tarefas e CARGAS HORÁRIAS, já teremos grande parte do serviço feito, podendo, certamente, dispensar terceirizados que só engordam a Folha de Pagamentos às nossas custas, iniciativa privada!!!
    O estranho é que não vejo a mídia fazendo extensivas e intensivas matérias sobre esse assunto; o medo é tão grande de perder as benesses e vantagens do serviço público que ela, a mídia de primeira linha, acaba por ser conivente com esse absurdo.
    Até gostaria de ver o ON fazendo várias matérias sobre esse assunto já que, AINDA (espero que nunca) não faz parte da panelinha…

  2. Nadeje disse:

    Gostaria que os paulistas tivessem esse empenho na hora de criticar a falta de vergonha do nosso ex-governador José Serra, quando criou o Nota Fiscal Paulista para arrebanhar mais dinheiro dos cidadãos. Isso ninguém critica, ao contrário, até aplaudem. Fariseus!!!!

  3. João Cirino Gomes disse:

    Coitados daqueles que acham que as promessas de campanha serão cumpridas!
    Não por ser a Dilma a eleita; mas todos políticos agem da mesma maneira, só pensam em si, em sua corruptela, e familia!
    Boa parte destes trastes mereciam levar é ovo e tomate apodrecidos na fuça, quando estivessem fazendo suas promessas, para iludir a população!

  4. Dimas disse:

    Para quem torce ou torceu para Serra se os impostos forem no mesmo nivel dos da Era FHC, tá muito bom! Ou não! Que em SPaulo com a eleição de um PSDBista o ICMS seja extinto! Assim espero.

  5. helio (rio de janeiro) disse:

    Dilma disse que fará a reforma tributária e política. Penso que fará.

  6. ANDREZA disse:

    ISSO É UMA BANDIDA, NÃO VIU QUE ANTES ELA ERA TOTALMENTE A FAVOR DO ABORTO E DEPOIS PRA ENGANAR OS BESTAS (E AINDA CONSEGUIU NÉ) ELA FALOU QUE ERA CONTRA. QUERO VER O QUE SERÁ DESSE PAÍS E TORÇO PRA QUE OS PRODUTOS(JÁ Q A MAIORIA TEVE SEUS VOTOS COMPRADOS) SEJAM OS PRIMEIROS A PAGAREM PELA BURRICE QUE COMETERAM.

  7. Márcia disse:

    A candidata eleita pode até cumprir o prometido de baixar os impostos, mas em parte.
    Não faltarão novas oportunidades para aumentar a arrecadação, como o incentivo ao empreendedor individual, que pelo limite do faturamento se torna muito mais uma forma de arrecadação do que incentivo, mesmo com suas vantagens.
    Não adianta pensarmos que deixaremos de pagar impostos ou que estes terão redução extraordinariamente expressiva, pois o dinheiro para manter estas promessas que concordo serem pouco originais, mais se cumpridas, de boa utilidade tem de vir de algum lugar, neste caso dos nossos próprios bolsos.
    Não sou petista, nem lulista e nem psdbista, sou simplesmente a favor do Brasil e torço sinceramente que nossa presidente eleita tenha êxodo em sua administração e traga vantagens com um equilíbrio entre o arrecadado e o distribuido.

  8. renato.rvasco@gmail.com disse:

    Em 1954 o poder de compra do salário mínimo era mais de 3 vezes o atual, e a carga tributária da época era de 14% do PIB e vivíamos uma grave crise política. Veja que com carga tributária menor sobra mais dinheiro no bolso do povo, isto é, menos govêrno mais povo.

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