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CORRUPÇÃO

Sanha criminosa da Odebrecht pode derrubar presidente do Peru

O Peru entrou na rotina de dias agitados que também sacudiram o Brasil com malas de dinheiro

Sanha criminosa da Odebrecht pode derrubar presidente do Peru
Kuczynski nega ter qualquer ligação profissional ou política com a Odebrecht (Foto: Flickr)

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“Compatriotas, não vou me amedrontar. Sou um homem honesto”. Com estas duas frases, o presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski prometeu resistir aos apelos e à forte pressão para que renuncie depois que vieram a público documentos que comprovam o envolvimento dele em escândalo de corrupção patrocinado pela construtora brasileira Odebrecht.

Rodeado por seus ministros – para demonstrar apoio e força política – Kuczynski foi à TV e afirmou não ter envolvimento com a Westfield Capital no período em que a consultoria recebeu cerca de US$ 800 mil da empreiteira brasileira. Ele é dono da empresa, mas quer que o povo e os políticos peruanos acreditem que não esteve envolvido em sua administração enquanto serviu no governo.

O Peru entrou decisivamente na rotina de dias agitados que também sacudiram o Brasil com malas de dinheiro e conversas secretas no Palácio Jaburu. Na verdade, poucos acreditam que o presidente resistirá ao fim de semana e buscará um acordo para que deixe a Casa de Pizarro, na Plaza Mayor, em Lima, onde está localizado o Palácio de Governo, pela porta da frente, bem como tenha o direito de usar todos os artifícios políticos e jurídicos para que não vá direto para a prisão. Políticos de diferentes vertentes apelam para que o presidente deixe o cargo.

Eleito em 2016 por defender o combate à corrupção no país, o bem-sucedido empresário, de 79 anos, nega veementemente ter qualquer ligação profissional ou política com a Odebrecht, mais ou menos como fizeram os políticos brasileiros que caíram em desgraça – o ex-governador fluminense Sérgio Cabral é o maior exemplo. Kuczynski tenta explicar o batom na cueca.

Esta semana, a oposição peruana teve acesso e tornou públicos os documentos que comprovam os pagamentos da Odebrecht para a Westfield. Uma comissão de investigação recebeu certidões da Odebrecht mostrando que a empresa brasileira pagou cerca de US$ 780 mil entre 2004 e 2007 a uma consultoria aberta pelo presidente, da qual ele era o único diretor. Em boa parte do período destes pagamentos, Kuczynski atuou como ministro da Economia ou primeiro-ministro. Mas, há meses, o agora presidente alega não ter mantido contatos com a Odebrecht.

Odebrecht reconheceu a distribuição de propinas

É o murro em ponta de faca e a negativa das evidências. Kuczynski escalou um boi-de-piranha e o apontou como o sócio que assinou os contratos com a Odebrecht no período mencionado “sem o seu conhecimento”. O discurso pré-renúncia é sempre muito parecido: “Não vou abdicar de minha honra, de meus valores ou de minhas responsabilidades como presidente de todos os peruanos”, pronunciou ele para que – nos próximos dias – diga algo como “renunciei para obter provas da minha inocência e recuperar a minha honra”, como o dizem os que, pressionados pelas evidências, deixam seus cargos em países marcados pela corrupção e pela compra e venda de favores.

Em acordo fechado com o Departamento de Justiça dos EUA no ano passado, a Odebrecht admitiu ter distribuído propinas de quase US$ 800 milhões, a maior parte do montante para garantir contratos de estrutura junto a governos na América Latina. Do total, reconheceu a empresa, US$ 29 milhões foram pagos no Peru ao longo de três governos, entre 2005 e 2014. Naquele país, a Odebrecht construiu canais de irrigação, gasodutos, entre outras grandes obras. Na última década, a construtora brasileira conquistou contratos de US$ 12 bilhões no país.

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2 Opiniões

  1. Laércio disse:

    A Odebrecht, bem como outras empresas, vários políticos e alguns magistrados deveriam ser considerados traidores da pátria, não foi somente um crime comum mas a condenação de uma nação! Deveriam ser submetidos a pena de morte, são traidores; não é momento para falar de ética mas sim punir exemplarmente aqueles que atentaram contra o Brasil, são traidores e devem morrer; a legislação brasileira está falha porque não atua de forma proporcional, então, não promove justiça…o povo está de mãos atadas, ou melhor, de cérebro atado, afinal são anos absorvendo o vômito de nossas mídias e empresas comunistas! Que o exército acorde um dia e comece um programa de “decaptação coletiva” iniciando pela dama cega…

  2. Francisco Taborda disse:

    Vejamos:

    Para haver corrupção precisamos de corruptores e corrompidos. A ausência de qualquer das duas variáveis da equação corrupção inviabiliza a sua materialização. A educação ajuda a diminuir o valor das duas variáveis, corruptor e corrompido. É, também, uma questão de cidadania. Só a ação policial não resolve o problema definitivamente. Em algumas circunstâncias o sistema se ajusta para minimizar o alcance da investigação policial. Trata-se de um guerra a ser enfrentada em duas frentes para garantir a redução da dimensão e amplitude da corrupção que, infelizmente, foi institucionalizada no nosso país.

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