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Auto-censura

Suicídio: um assunto quase proibido na imprensa

Um ato em comum nas vidas de Van Gogh, Antero de Quental, Santos Dumont, Getulio Vargas e Kurt Cobain

Suicídio: um assunto quase proibido na imprensa
A maioria dos suicídios não vira notícia (Reprodução/Internet)

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Com importante papel na sociedade, a mídia influencia um país inteiro tanto nos aspectos sociais, políticos ou econômicos. O jornalista não lida bem, no entanto, com a forma mais trágica da morte. Um acordo de cavaleiros – quase não verbal na imprensa – sugere que noticiar o autoextermínio somente estimularia e influenciaria a ocorrência de outros casos – o chamado efeito “Werther”, nome dado a um personagem de Goethe que se mata por amor e acaba influenciando outros a cometer o mesmo ato.

A maioria dos suicídios não vira notícia. E sequer são relatados. Os motivos são vários – a começar pelo efeito Werther – mas passam por razões religiosas, familiares de extrema complexidade, além do estigma e de questões relacionadas a seguros, por exemplo. Gente que se atira da janela, ingere grande quantidade de remédios, liga o gás ou dá um tiro na boca até poderia ser uma notícia importante – mas correria também o risco de cair no lugar comum – tal a quantidade de ocorrências.

Nesta semana, mais precisamente nesta terça-feira, celebra-se – porque se torna célebre – o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. Nesta mesma semana, a música perdeu o baixista Champignon – que resolveu acabar com a própria vida com um tiro contra a cabeça. Segundo a Organização Mundial de Saúde são cometidos um milhão de suicídios por ano. Mas existe a desconfiança de que tais números estejam subestimados pelos motivos religiosos, familiares e legais citadas há pouco.

Por mais que a OMS queira transformar os dados em estatística, é certo que não existe faixa etária ou classe social para esse tipo de ocorrência. Pode acontecer com jovens estudantes japoneses que fracassam ou com idosos solitários na Suécia.

A Associação Brasileira de Psiquiatria sugere que noticiar o autoextermínio de forma apropriada e cuidadosa pode, de fato, impedir que outras vidas se percam. Entre as estratégias, certamente, estariam não dar publicidade ao nome da vítima, não revelar detalhes e métodos adotados no atentado e não tornar os motivos justificáveis por problemas pessoais de qualquer ordem.

Mais do que tudo, este ato não tem nada de sensacional e, como tal, deve ser tratado. E, jamais, devem-se publicar fotos ou cartas.

Antes de tudo, é preciso tratar este sério problema de saúde pública de forma responsável. Antes que se firme um protocolo na imprensa sobre o tema, este é assunto que deve ser tratado com muito carinho e responsabilidade.

 

 

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1 Opinião

  1. helo disse:

    Exemplos próximos ou de pessoas famosas reforçam a idéia de suicídio.

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