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No ar há três anos, site compartilhava para download obras raras e fora de catálogo
Polêmica

Suspensão de site gera indignação no meio acadêmico

Autores e pesquisadores defendem o site Livros de Humanas, ameaçado judicialmente por promover o compartilhamento digital de livros raros

por Bolívar Torres

fonte | A A A

Há três anos, ele tem se mostrado uma ferramenta essencial para estudantes e pesquisadores. Diversos livros esgotados podiam ser baixados de graça em formato PDF ou Epub pelo Livros de Humanas, site de compartilhamento de publicações de ciências humanas. Para o público da área, era a chance de ter contato com obras teóricas raras sobre filosofia, antropologia, literatura e psicanálise, muitas vezes impossíveis de serem encontradas. No entanto, desde esta quinta, 17, os usuários se depararam com a seguinte mensagem ao acessar o site: “Olá. O site está fora do ar porque recebemos notificação judicial da ABDR (Associação Brasileira dos Direitos Reprográficos). Por ora é o que podemos informar”.

Criado em 2009 por um estudante da USP, o Livros de Humanas era o maior e mais conhecido site de compartilhamento de livros. Em pouco mais de dois anos de existência, já havia formado uma biblioteca maior do que a de muitas faculdades brasileiras. A biblioteca do Livros de Humanas era toda formada sem qualquer autorização. O motivo da ameaça judicial teria sido dois livros, um de Jacques Lacan, que estava esgotado até o ano passado, e outro do professor de letras e linguista brasileiro José Luiz Fiorin. Ao mesmo tempo, outros sites do gênero também saíram do ar por causa de ameaças judiciais, como o IOS Book e EpuBr. Mais tarde, chegaram informações de que os responsáveis pelas ameaças judiciais eram duas editoras didáticas, Contexto e Forense. Esta última um selo do grupo Gen, editora de apostila didática para concurso, cujo presidente, Mauro Koogan Lorch, é diretor da ABDR.

O processo que resultou na retirada temporária dos sites coloca em xeque a cultura de compartilhamento de livros digitais. A ampliação da circulação de obras promovida pelo sistema de trocas na internet revolucionou o acesso ao conhecimento, mas bateu de frente com os interesses das editoras. Por outro lado, a medida provocou indignação no meio acadêmico. Professores e pesquisadores, muitos deles autores de livros (e, portanto, diretamente interessados) se manifestaram nas redes sociais em apoio ao site.

O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro defendeu a cultura de compartilhamento de livros, afirmando em seu Twitter que “Sites que permitem a leitura gratuita de livros de difícil acesso, esgotados ou absurdamente caros, são fundamentais para a difusão do saber. O que a internet perturba é o CONTROLE, pela editora, da relação entre autor e leitor. Ninguém perde economicamente. A questão é política. Exceto é claro no obscuríssimo mercado de livros didáticos, onde a instrumentalização do saber e a concentração de poder são a regra”.

O antropólogo também acredita que o ataque ao site é “uma excelente ocasião para se inventariar o negócio do ‘livro didático’ no Brasil, das editoras ao MEC”. Ele aproveita para questionar os dogmas da ABDR e do mercado editorial: “Nunca vendi tantos livros (nunca foram muitos, mas enfim) como depois que meus livros entraram nas bibliotecas públicas da rede”, contou. Ele também afirma que “jamais COMPREI tanto livro como depois que pude começar a baixar livros GRATUITAMENTE pela rede”.

Quanto mais downloads, mais vendas

A teoria de Viveiros de Castro é a mesma de muitos especialistas da área; a de que o público que baixa livros é o mesmo que compra livros. Recentemente, ninguém menos do que Paulo Coelho, um dos autores mais vendidos do mundo, confessou que vazava propositalmente seus livros na internet, já que isso ajudava a promovê-los. O autor notou que suas vendas aumentaram em países onde costumava ser menos popular, como a Rússia, logo depois que traduções em russo de seus livros foram disponibilizadas para download.

“Mais pessoas leram meus livros graças ao @Livrosdehumanas que por qualquer outra via”, lembrou em seu Twitter Idelber Avelar, professor de literatura na Universidade de Tulane em New Orleans. “Como autor, sou profundamente grato e quero ajudar”. Ele também promoveu uma mobilização: “A internet tem que dar uma resposta contundente a esse ataque da ABDR contra @Livrosdehumanas. Levantar grana, boicotar, encarar a luta.”

A ideia de boicote às editoras foi levantada por diversos perfis no Twitter. O professor e poeta Eduardo Sterzi afirmou que “Em resposta ao ataque que fizeram a uma das mais democráticas bibliotecas brasileiras, nunca mais comprarei livros da Forense e da Contexto”. Sterzi acrescentou: “Sites de compartilhamento de livros têm de ser vistos e respeitados como bibliotecas. É o que eles são. Combatê-los é fomentar a ignorância”.

Não é a primeira vez que o Livros de Humanas sofre com ameaças judiciais. Em 2011, já havia recebido mensagens de violação dos termos de uso. Ameaçado, foi obrigado a sair do WordPress e ir atrás de um servidor fora do país. O site, no entanto, sempre funcionou sem nenhum interesse comercial. Promovia “vaquinhas” entre os usuários para comprar livros e digitalizá-los. Na prática, trata-se de um sistema de trocas que sempre aconteceu: diversas pessoas se mobilizam para comprar um livro e repassá-lo uns para os outros. A internet apenas deu à prática um alcance global. Além do mais, o site só digitalizava obras esgotadas e de difícil acesso.

“É óbvio que o blog desrespeita a legislação vigente”, havia dito o criador da página em entrevista ao Globo, em 2011, logo após as primeiras ameaças judiciais. “Mas não porque somos bandidos, mas porque a legislação é um entrave para o desenvolvimento do pensamento e da cultura no país”.

Vale lembrar que, segundo o próprio site da ABDR, o Livros de Humanas não aparece entre os enquadrados na categoria pirataria editorial. No Twitter oficial do site, o administrador anuncia que “a discussão se fará em juízo” e disse que já está “consultando advogados”.

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  1. Luana disse:

    É muito absurdo… Se fosse assim, as bibliotecas também não poderiam existir, já que proporcionam a leitura de livros sem que se tenha que pagar necessariamente por eles. Quanto absurdo…

  2. Marina Da Gama disse:

    Muito triste.

  3. Alexandre disse:

    Anotemos os nomes das empresas que estão negligenciando o acesso a cultura e vamos boicotalas, não compremos mais nada dessas empresas!!!

  4. Dono de Editora disse:

    Bom dia, boa tarde, boa noute a todos e a todas desse meu Brasil varonil. Meu nome é… não, prefiro não revelar meu nome. Sou dono de uma famosa editora paulistana extremamente conhecida, sou um homem culto, sempre viajo a Europa etc. e tal.

    Bom, o fato é o seguinte. Se os livros começarem a ser distribuídos gratuitamente, como é que vou pagar meus empregados? Como é que vou colocar gasolina no meu Audi? ou na minha Captiva? Como é que vou viajar de primeira classe para Paris?

    Se o povo não pode comprar livros, que leiam gibi oras boas! Como disse a Srta. Thais: vocês querem “vampirizar” as obras? Tem que pagar sim, e pagar caro! Os livros da minha editora tem custos de 10 reais mais ou menos, mas vendo por 80, 90 ou até mais de 100. Sempre tem otário que compra! Que fica pagando de gatinho na Livraria Cultura, com cara de conteúdo, hahahahahaha amo isso. Eu vejo e dou risada hahahahahah.

    Fora os professores universitários paulistanos e autores de classe média, que se humilham perante minha pessoa, só falta beijar os meus pés, querendo publicar livros pela minha editora hahahahahahaha.

    Bom, páro por aqui. Sou a favor do fechamento desse site fundo de quintal mesmo. Onde já se viu uma coisa dessas. Livro é feito para ser vendido, não para ser lido.

    Obrigado!

  5. Carlos A Jacintho disse:

    É a modernidade da internet esta ai, porém vivemos em modelo de sistema capitalista, que para alguns parece um tanto quanto obscuro.Quando a rentalibidade baixa e os ganhos emcolhem procura-se os reais motivos para tal fato.Entrentanto, o reverido site não ira esgotar as possibilidade de pesquisas, que são dispares em nosso universo tão o quanto moderno.

  6. Luiz Bouchardet Júnior disse:

    E os senhores ainda duvidavam que isto iria acontecer? Abram os olhos, o próprio governo deve estar metido nesta cachorrada, através de MEC e deste judiciário corrupto. Quanto mais pessoas desinformadas e ignorantes é melhor para o governo controlá-las. Nenhum país com seus três poderes corruptos que se prese, quer seu povo saudável, inteligente e verdadeiramente instruído, pleno de saber.
    O STF liberando o terrorista comunista, já condenado na Itália.
    O STJ negando a levar em juri o pessoal (15) do josé dirceu e seus canalhas.
    O povo elegendo um presidente semi-analfabeto em troca de cestas básicas.
    O QUE OS SENHORES ESPERAM DE UM PAÍS COMO ESTE.
    Agora, se fosse para contar sobre futebol, novela e BBB, estaria tudo liberado.
    ESTE É O PAÍS DO PÃO E CIRCO.

  7. acm disse:

    sou autor de tres livros publicados, a caminho de mais dois

    essa perseguicao e’ revoltante, num pais com 80% de analfabetos funcionais

    os leitores deveriam fazer um lobby para aprovar uma lei muito simples: “Livros que NAO possam ser comprados no mercado por dois anos ou mais, podem ser distribuidos gratuitamente em formato digital na internet”

    isso vai evitar q as editoras fiquem escondendo bons livros durante 70 anos

    o site p/ distribuir livros “incompraveis” pode ser o http://www.gutenberg.org/

  8. Thais Linhares disse:

    Se o download pirata é gratuito, é legal?
    Se oferecemos de graça um prato de comida a quem tem fome, a última coisa que se perguntará é de onde veio essa comida.
    Numa situação de desespero ninguém lembra de se perguntar se essa atitude pode causar consequências tão ruins quanto a carência que motivou a entrega do prato.

    Sem dúvida que o dilema moral de que recebe é bem menos dramático do que de quem oferece. Fiz duas faculdades, a primeira tecnológica os livros eram caros.
    A segunda de Belas Artes, os livros eram inviáveis. Não havia internet na época e não dá pra estudar artes visuais em xerox toscas.
    Aliás… pela sua lógica, não deveria a xerox ser gratuita?

    Repare que na natureza humana, cruel ou generosa que seja, nada é feito a troco de nada. E raríssimos são aqueles que conseguem ver além das aparências e defender o que é justo.

    Muitos sites que oferecem downloads de obras autorais obtém ganhos indiretos, com anunciantes, com doações ou com promoção em paralelo de produtos e serviços que “pegam carona” no interesse dos leitores pelos livros oferecidos pra se divulgarem.

    Um aluno entra pra fazer seu download e em pouco tempo descobre que pode contratar o dono do site pra outros serviços, ou comprar as camisetas bonitinhas do Pirate Bay.

    Os leitores do site nem se tocam da jogada. O dinheiro entra, mas o hospedeiro da pirataria fica com a parte de quem investiu nas obras, e ainda monta o personagem: “pague a camiseta, pague a doação, e “ajude” a pirataria se tornar lucrativa”. Lhe garanto que em face de lucro fácil, pouco serão os bem intencionados no final das contas.

    Então temos o caso do indivíduo que decide se tornar um “paladino da cultura”, e dispor de seu preciosíssimo tempo para escanear milhares de páginas prontas, formatá-las em PDF e outros formatos acessíveis, e ainda montar toda uma logística de distribuição e feedback com os leitores que a maioria das editoras não têm simplesmente porque não tem como pagar por isso.

    Primeira observação: não seria o caso dele montar esta estrutura em paralelo, trabalhando inicialmente apenas com as obras liberadas, e usando o sucesso da mesma pra atrair os editores como parceiros? Atingiria seu objetivo inicial de tornar a cultura mais barata e acessível e não penalizaria a cadeia produtiva do livro.

    Cadeia aqui sem duplo sentido.

    Voltando ao paladino. Ele não ganha dinheiro, então dorme de consciência limpa. Sinto informá-la que o bem estar dele é fruto de uma lógica distorcida. Não é porque não ganha dinheiro que deixou de causar prejuízo. E causa prejuízo exatamente aos ideais que imagina estar promovendo.

    Ele vilaniza todos os envolvidos num sistema cruel. Editores e autores são tão vítimas de vícios de mercado quanto os leitores. Montar um esquema que promove a pirataria como algo heroico, é apenas colocar mais um tijolo na parede.
    Ou no caso, mais uma pedra no túmulo, pois como adoram falar por aí: “este é um sistema falido”
    E de que “sistema falido” exatamente estamos falando? Porque estão levando junto um que é estrutural: tudo que se produz teve de receber um investimento, e sem retorno não há produção. O direito autoral é o salário do autor, e a garantia do editor de que a obra não será roubada depois de pronta e seu investimento perdido.

    O que o nosso paladino ganha em “auto-estima; está saindo do esforço de editores, autores, e todos os outros envolvidos na parte de risco do investimento no livro ou demais bens culturais. Que máximo poder distribuir presentes, sair bem na fita, se valendo do talento alheio. Nada diferente de um patrão, e sua “produtora executiva”, que eu tive…No meio autoral temos um termo para isto: ETA. O sujeito ETA é o Explorador do Talento Alheio.

    Curiosamente, ele fecha os olhos para o fato, pelo que pude verificar aqui, conhecido, de que quando um livro deixa de sair da prateleira, o intermediário, seja ele a Saraiva ou o Fernando Chinaglia, deixa de ganhar mas nada perde. É o editora e o autor que perdem uma venda, o lucro necessário para uma oportunidade de desenvolvimento, a chance de um novo projeto.

    Dizer que a versão eletrônica não prejudica em nada o impresso, pode até ser verdade. Não temos como saber de fato. Mas suponha que a versão ebook realmente não prejudique, até mesmo ajude, o impresso. Mesmo neste caso a distribuição à revelia dos que criaram a matriz é injusta e errada. O correto seria formar as parcerias necessárias para usar esse recurso também em favor do setor criativo da sociedade, que lembro a você, pode ser qualquer um, pode ser eu, pode ser você.

    Mas, com a pirataria correndo solta, quem é que vai se arriscar em formar tal parceria? Por incrível que pareça, já existe esse formato, a muito tempo, remunerando autores por suas criações. Alguns inclusive distribuído gratuitamente.

    Quem coloca o primeiro pé na doutrina do Budismo… espere, não estou fugindo do assunto, mas não resisti à interferência… Quem se inicia no budismo recebe as três primeiras atitudes: Não fazer o mal, fazer o bem e, principalmente, saber como. Ou como dizemos aqui no ocidente, “de boas intencões o inferno está recheado”. O site que, na boa fé, distribuiu os livros ilegalmente, é o exemplo perfeito disso. Desenganos compreensíveis sobretudo quando temos dezenas de pessoas – incluindo quem se pretende formador de opinião – usando a Internet para promover a pirataria como algo bom.

    A pirataria autoral é nada mais que o top da evolução no sistema que massacra a criatividade.

  9. esse site precisa voltaa urgente , éuma arma preciosa disse:

    esse site foi a melhor invençao para nós alunos que compramos livros. sempre quem lê esses livros em seguida compra.

  10. Luciana Leite disse:

    Eu utilizo muito o site e nem por isso deixo de comprar os livros. Muito pelo contrário, ao consultá-los na forma on-line me certifico que seu conteúdo é bom e que serve para meus objetivos acadêmicos. Acho um absurdo a suspensão. O site é uma importante ferramenta de divulgação e também de ajuda para consulta, além de ser um cerceamento à liberdade.

  11. Vivian Farias disse:

    Gente, vamos fazer algum coisa para barrar isso, isso é preocupante.
    Qualquer movimento, tô dentro!

  12. Alvaro Luis Freitas disse:

    Bom, sou estudante de Ciências Biológicas da UFC e, mesmo sendo de uma área completamente diferente e não sendo beneficiário direto do site, venho qui demonstrar minha inignação, já que tal ferramenta tem se mostrado de grande importância para o desenvolvimento do saber.

    Muitos outros blogs e sites que divulgam livros de biologia também tem sido fechados por ordem judicial o que prejudica centenas de estudante e pesquisadores por todo o brasil, principalemente no que remete a livros que já estão esgotados e sem previsão de reimpressão.

    Já que as grandes editoras se esforçam tanto para acabar com um trabalho tão bom quanto este, por que eles não vendem versões digitais dos livros a preços bem em conta (tipo R$ 10,00 no máximo). Acho que assim eles fariam muito mais pelos leitores.

  13. Marcos Luã Freitas disse:

    Não repassar aos consumidores o abatimento de impostos que as editoras recebem parece ser legal! Claro, só para as editoras.

  14. FV disse:

    Virou digital, poderá ser copiado. Os mercados de cultura em geral nasceram devido às enormes dificuldades práticas que os artistas tinham para dar vazão a sua criatividade. Com a revolução digital, estas dificuldades acabaram e, por conseguinte, o mercado DEIXA DE FAZER SENTIDO. Inteligente será quem entender isso e se adaptar, ao invés de tentar lutar contra o inevitável. Este caso é uma batalha ganha, mas a guerra já é perdida.

  15. Sandra disse:

    Atitude lamentável.
    O que podemos fazer efetivamente contra essa decisão?
    Existe alguma possibilidade do site voltar ao ar?

  16. Marla disse:

    Como estudante de universidade pública, sempre utilizei o site na busca das mais variadas obras da área de Humanas. E jamais teria dinheiro para comprar os livros em formato impresso. É lógico que democratizar a cultura e a leitura não é interesse nem de governos, muito menos de empresas. (Manter o povo na ignorância é uma premissa para que seja melhor controlado) O site Livros de Humanas é o mesmo que anterioremente se chamava Letras Usp Downloads, assim o comentarista anterior corroborou para que ele migrasse de novo e de novo em busca de uma hospedagem segura. Discussão de autoria a parte, acho difícil segurar a ‘onda’ de downloads e espero que as alternativas ainda existentes de compartilhamento sejam utilizadas para continuar a divulgar o tão rico acervo. #FreeLivrosdeHumanas

  17. Anônima disse:

    Não tenho como emitir opinião sobre o site em questão que foi suspenso, pois não sei de que maneira disponibilizava o download gratuito. Esclareço, todavia, que minha posição enquanto autora é: 1) o donwload gratuito favoreceria inclusive o aumento das vendas de minhas obras impressas, pois continua divulgando o meu nome e isso parece contribuir para o interesse na compra de meus livros impressos. 2) Por outro lado, uma disponibilização online de minhas obras, que seja mal-feita, me acarreta prejuízos. Vou exemplificar com o que ocorreu no site “letras USP” (algo assim), que denunciei à editora que os comercializa, e exigi providências legais severas contra o referido site: a) a cópia da obra suprimiu o nome da editora, dificultando a procura em livrarias de minhas obras; também suprimiu os dados de catalogação da publicação e, fato gravíssimo, suprimiu as imagens que acompanhavam o texto. Ou seja: o referido site, além de suprimir informações importantes para a venda da versão impressa, realizou uma verdadeira mutilação no próprio conteúdo de minha obra, tornando-a menos consistente e menos atraente que em sua versão impressa. 3) Em suma: sites que disponibilizem gratuitamente de forma séria as minhas obras, sem mutilá-las como no “Letras Usp”, são bem-vindos e fico contente. Por outro lado, sites que desrespeitem minha obra, faço questão de denunciar e cobrar as devidas providências jurídicas, junto à editora sem a qual, minha obra não seria atualmente conhecida em todo o Brasil e no Exterior.

  18. Thaty Mariana Fernandes disse:

    Como eu disse no meu Facebook, a justiça está “queimando livros”. Muitos só podem ter acesso a alguns deles através da internet. O acesso a um amplo acervo é economicamente inviável para muita gente. É preciso mudar essa realidade e essas leis para que a internet cumpra a sua brilhante função de levar cultura de uma forma fácil e barata para todos que queiram acessar.

  19. Fernanda Sousa disse:

    Bom, também acho lamentável que isso ocorra, sobretudo quando o site atende principalmente estudantes de uma Universidade Pública. Enquanto muitos falam hoje em copyleft, outros preferem defender o absurdo que é o mercado editorial brasileiro, onde autor geralmente ganha seus 3 ou 5% de direito autoral (nossa, que dinheirão, hein!) e editoras e livrarias levam todo o resto, sendo que a segunda fica com 50% do valor do livro e a primeira em geral se preocupa em fazer livros bonitos e caríssimos, no lugar de livros acessíveis.

    Todos sabem que a faixa média de livros gira em torno dos R$40,00, então me digam, como numa faculdade pública, onde alunos se viram com numa renda familiar miserável (e existe sim miséria no Brasil), alunos podem lidar com compras de 4 ou 5 livros por matéria – no mínimo?? Façam as contas. O curso público sai por alguns mil reais…

    Muito justo, não?

  20. Silvia disse:

    Existe uma anticultura em relação a cultura que chega ao absurdo!
    Em algumas escolas, como a que meu filho estuda, os alunos tem que ler de 4 a 5 livros de literatura anualmente, porém a escola não disponibiliza esses livros em sua biblioteca, pelo contrário, disponibiliza a venda dos mesmos dentro da instituição.
    Normalmente são livros inéditos, atuais, dificilmente você os encontrará em sebos ou disponíveis em bibliotecas públicas e custam em média R$ 30,00 cada! Cada criança acaba adquirindo o seu! Eu acho um absurdo e sempre pergunto para meu filho, não tem um amiguinho que queira compartilhar o livro!? Ele sempre me diz que não!
    O que eu acho mais absurdo ainda é que nem a escola nem os pais incentivam o compartilhamento dos livros!
    Sabe, não estou dizendo: não compre livros! Mas em uma sala de aula com 30 alunos, poderia-se comprar 10 livros e ensinar os alunos a compartilhar! Isso é cultura!

  21. Tony Rodrigues disse:

    Penso que uma saída seria os autores forçarem as editoras a aceitar o regime de copyleft, ou seja, especificar em contrato que o livro será comercializado em papel, mas que o arquivo digital será livre para download, desde que não seja COMERCIALIZADO por terceiros que não a editora ou as livrarias parceiras. O autor que não quiser, pode especificar que não permite o download digital gratuito, e aí é uma questão dos leitores buscarem autores que permitam.

    É um tema polêmico, atual, e de indispensável debate, que envolve interesses de autor, leitor, editor, tradutor, vendedor, todos os envolvidos num projeto de livro. Inclusive o CONSUMIDOR, que antes de ser consumidor é LEITOR.

    Leitura em arquivo digital (principalmente PDF) é um FATO, e tornou-se uma necessidade básica, além disso também é fato que muitos livros impressos são difíceis de se encontrar, ou se encontram esgotados, aí pergunto: se é tão complicado compartilharmos do saber desses materiais, por que ainda insistimos em prescrever seu uso? Por que não adotar outros autores, mais recentes, ou que sejam a favor do compartilhamento gratuito (que não seja para fins lucrativos)? OUTRO fato, ainda, é o uso cada vez maior de tablets, o incentivo do governo de adoção de tablets pelas escolas, aí teremos acesso apenas a coisas de 500 anos atrás e só a classe média/média alta terá acesso a arquivos que possam comprar? E as digitalizações do Google?

    E temos que ver até que ponto o download gratuito de um texto se trata de DIREITO autoral e até que ponto se trata de DEVER autoral.

    Isso dá uma boa mesa de debate…

    Abraços,

    Tony

  22. Thais Linhares disse:

    Paulo Coelho não começou liberando suas obras. Sö fez isso depois de se tornar milionário (e já morava num casarão em Copacabana). Mas usou investimento editorial de outros pra se lançar. Não pode-se usa-lo como base pra nenhum argumento a favor da pirataria, e duvido muito que ele defendesse o prejuízo de um jovem autor com base nisso.
    Por outro lado, tenho autores, meros mortais, que sobrevivem na base de tiragens que não ultrapassam os 3.000 exemplares, tendo sua obra pirateada – às vezes por indicação de ESCOLAS e faculdades- na base de 7.000, 10.000 exemplares, pra começar… Você tem a ideia do ganho médio desses autores?

    Nenhum tem carros importados na garagem como o dono da megaupload. Cada livro deles custou ao editor uma média de 10.000 reais pra editar. imprimir… com a distribuição comendo de 40% até 80% do valor de capa! Sem contar o risco do investimento, que numa época de pirataria irresponsável foi às alturas.

    Esses autores são a maioria. São esses que estão vendo sua existência em risco, tanto os que hoje produzem quanto aqueles que ainda querem criar e se desenvolver com suas artes o que pode ser qualquer um!

    O pirateiros fingem esquecer que na base, no todo, e sempre, o DIREITO AUTORAL não atende a nenhuma elite!
    É utilizado por TODO E QUALQUER CIDADÃO que queira produzir obras autorais e assim pode decidir LIVREMENTE como deseja levar à público sua obra, inclusive de forma gratuita.

  23. Thais Linhares disse:

    Deprimente que esse discurso “liberdade” na rede se generalize de forma irresponsável colocando no mesmo saco tudo quanto é tipo de investidor em cultura. Quer dizer que todo mundo que tira do bolso pra editar um livro, produzir um filme, colocar uma música no palco é pilantra? E quem quer vampirizar essas obras sem pagar nenhum tostão é o heroi? Sério? Porque é exatamente como estão colocando. Quantos desses que choram miséria e querem ter de graça o que custou caro produzir estariam dispostos a abrir mão de seus confortos pra levar cultura às massas? Pois afinal, isso é possível, e não há nada na lei que proiba que seja feito. Parem de reclamar e invistam em cultura. Pegar de graça o que já teve o custo coberto por outro é tão fácil quanto roubar algo pelo qual não se teve de trabalhar. É acima de tudo injusto. E por isso mesmo tem de ser considerado ilegal. Tenho amigos fazendo isso, correndo atrás, se arriscando financeiramente pelas obras que acreditam, produzindo uma nova e verdadeira cultura de liberdade criativa.

  24. Thais Linhares disse:

    Então qual seria a solução? Sabendo da legislação, não teria sido mais eficaz contactar os autores interessados em liberar suas obras e rescindir o contrato deles com os editores? A Lei brasileira privilegia o AUTOR antes de tudo. Se algum autor deseja ver seus livros circulando livremente basta que dê ordem para isso, que retire o direito da editora de explorar a obra, resolvendo seu contrato e cobrindo os eventuais CUSTOS que o editor teve ao investir, divulgar e publicar sua obra.
    Pregar a livre circulação à revelia dos investimentos (tanto dos autores que necessitem do retorno por seu trabalho, quanto dos editores) é discurso demogágico, tão tirânico quanto a supressão da circulação da cultura. É SIM preciso contemplar os dois lados, encontrando um equilíbrio justo. Francamente, só vejo defender o uso sem remuneração da obra de autor quem não investiu um centavo na obra a ser “downloadeada”. Como por exemplo, professores universitários que já têm seu salário garantido por uma grande instituição. Nesse caso, ao invés de apoiar uma forma de usufruto que seria diretamente danosa à produção de autores que NÃO TEM SEUS PROVENTOS pagos por instituições, que criam de forma autônoma e totalmente LIVRE de verdade, que esses professores PAGUEM de seu bolso pelas publicações, de rescindam seus contratos editoriais e liberem seu trabalho pra todos. E deixem aqueles que não tem os mesmos PRIVILÉGIOS simplesmente receber a justa remuneração tão necessária para que se mantenham como autores verdadeiramente LIVRES e independentes. Aí sim dá pra acreditar num postura idealista honesta e não puramente demagógica e inconsequente.

  25. Gina Paola disse:

    Um país se faz com homens e livros, já dizia Lobato.
    Mas, parece-me que neoliberalismo mudou a cérebre frase para “politica e dinheiro”.
    Se continuarmos assim, daqui a algum tempo, não teremos mais país.
    Gina Paola

  26. Márcia disse:

    Já são tão poucas as oportunidades para as pessoas que realmente querem estudar nesse país e o que tem de bom ainda tiram? Onde estão os governantes para que se façam representantes dessa população que clama pelo conhecimento e a boa educação?

  27. Gothardo Garcez Vilete disse:

    Um absurdo, crime é vender concimento e cultura, Isso sim deveria ser proibido e passar a obrigação do estado.

  28. Fernando Gonçalves disse:

    Paz e Bem, Comunidade.

    Atitude lamentável. Precisa encontrar pronta resposta dos ativistas da Cultura Livre e Sociedade Organizada. Levemos a Bandeira da Liberdade de compartilhamento onde preciso for.

    Sê Livre !