article image
Tendências e Debates

Acordo ortográfico: os prós e os contras de uma unificação

por Fabíola Leoni

por Por Fabíola Leoni

fonte | A A A

Vinte e seis letras, não mais 23. O “k”, o “w” e o “y” novamente fazem parte do alfabeto. Trema? Esqueça. Já o hífen aparece com novas particularidades. Apesar de as mudanças causarem um certo estranhamento, apenas 0,43% das palavras do alfabeto do Brasil sofrerá alterações a partir de 2009 com o acordo ortográfico. E o decreto presidencial prevê quatro anos para adaptação.

O acordo ortográfico é a unificação gráfica da língua portuguesa no mundo. Dessa forma, todos os países lusófonos terão a mesma ortografia. De acordo com o escritor e presidente da Comissão de Língua Portuguesa do Ministério da Educação (MEC), Godofredo de Oliveira Neto, os sotaques, a sintaxe e as características lexicais são mantidos. Os regionalismos são respeitados, por exemplo, sandália no Nordeste permanece como o termo para designar qualquer tipo de calçado. No Sul, namorar “com” alguém persiste, enquanto que cariocas, por exemplo, continuam namorando alguém. Paragem de ônibus em Portugal continua a ser parada de ônibus no Brasil. E o António português continuará convivendo com o Antônio brasileiro.

“Com o acordo, os países de língua portuguesa terão uma identidade mais forte e a língua portuguesa sai fortalecida. Haverá maior circulação de livros entre os países lusófonos. Com uma tiragem maior, a expectativa é que o livro saia mais barato, o que vai contribuir para a diminuição do analfabetismo”, analisa Godofredo.

A sétima língua mais falada do mundo ainda não conseguiu entrar para o rol das oficiais de órgãos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU). Todos os documentos publicados em português têm que ser disponibilizados em duas vias: português do Brasil e português de Portugal. De acordo com Godofredo, apesar de em outras línguas também não existir uma total combinação — como é o caso do inglês falado nos Estados Unidos e na Inglaterra, e do espanhol na Espanha e na Argentina –, essas diferenças são vistas como variações, e não como erros. “A unificação vai reforçar a influência da língua portuguesa na comunidade internacional. A produção científica dos países lusófonos vai poder ser veiculada mais facilmente e criará um bloco mais coeso na política global.”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, no dia 29 de setembro de 2008, na Academia Brasileira de Letras, o documento de entrada no acordo. Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe são os outros países que também já aderiram à unificação da língua. Faltam, ainda, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor Leste. Godofredo afirma que trâmites internos atrasaram a ratificação do acordo por parte desses países, mas ele acredita que todos assinarão em breve.

O prazo para a adaptação definitiva ao acordo no Brasil expira em dezembro de 2012. Até lá, serão aceitas as duas normas em vestibulares, provas e concursos públicos. Mas, em diário oficial e jornais, assim como demais áreas, janeiro de 2009 é o marco para o início das novidades. Godofredo diz que as escolas já estão ensinando a nova gramática.

Por outro lado, o diretor da Imago Editora, Eduardo Salomão, questiona a nova legislação. Ele acredita que a relação custo-benefício da unificação não é boa. “Os custos para trocas de livros nas editoras podem ser contabilizados. Mas os custos sociais, não. Qual será o preço da adaptação de toda a sociedade brasileira?”, desafia. “Nós vivemos em um país com quase 200 milhões de pessoas e todo mundo terá que se adaptar.”

Salomão afirma que a responsabilidade da nova legislação na internet também não é mensurável. “Desde sites de banco até sites de busca, será que alguém se dará ao trabalho de organizar o banco de dados com o novo acordo ortográfico? Existe um prazo para as editoras, para os jornais. E para os sites?” As editoras terão custos materializados, como revisões e novas produções. “Teremos que fazer tudo de novo. Eventualmente, teremos até que refazer a capa.”

Para Salomão, é provável que a sociedade ainda conviva com as duas regras ortográficas que em um período maior que dois anos. “Como será o vestibular daqui a três anos? Vão tirar ponto se for utilizado um acento em desuso?”

A Academia Brasileira de Letras vai publicar o vocabulário ortográfico em fevereiro próximo, obra que fixará definitivamente todas essas mudanças. Lei é lei e deve ser cumprida. São Tomé e Príncipe aderiram ao acordo em 2006. O Brasil já tinha começado os trâmites internos em 2007, mas aguardou a posição final de Portugal para formalizar sua participação. “O Brasil esperou Portugal porque entendeu que algo que veio para unificar não tinha porque nascer desunido”, observou o presidente da Comissão de Língua Portuguesa do MEC.

O documento assinado por Portugal — que terá 1,42% de mudanças em seu alfabeto — foi um avanço, uma vez que o país era o mais reticente a respeito das novas normas. Os portugueses haviam encarado o acordo como uma imposição dos editores brasileiros. “A idéia de dono da língua não faz sentido. Quem é o dono é o usuário”, conclui Godofredo.

Caro leitor,
Você acha que é importante Brasil, Portugal e os outros países serem obrigados a escrever igual?
Você acredita que isso trará benefícios para o mercado editorial?

Nesta sexta, escolhemos os seguintes livros para a premiação:

Globalidade“, de Harold L. Sirkin, James W. Hemerling e Arindam Bhattacharya;
O Código da Inteligência“, de Augusto Cury;
http://www.explicadoaosmeusfilhos.com.br/

De volta ao topo comentários: (42)

Sua Opinião

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Estado

Cidade

  1. Fernanda Suguino disse:

    Que o acordo trará benefícios futuros a todos os países que falam a Língua Portugues, eu não tenho dúvidas; mas ainda fico estupefata com as críticas que ouço de portugueses que condenam o acordo e ainda dizem que, no Brasil, falamos “brasileiro”. Agora, que tudo isso vai levar um bom tempo para se tornar algo natural…. não precisamos nem comentar!

  2. Pedro disse:

    Paragem de ônibus em Portugal não existe.
    O que existe é “Paragem de autocarro”

    PORTUGAL

  3. [...] Leia também: Reforma ortográfica trouxe prejuízos para editoras Leia também: Acordo ortográfico: os prós e os contras de uma unificação [...]

  4. skarlatte disse:

    não isso não pode aconteçer será estranho os paises falarem iqual ficara bom assim mesmo os paises continuarem a escrever diferente.

  5. Raquel G. disse:

    Isto é o maior absurdo, uma coisa é aceitar variantes da mesma língua, outra coisa é impor à nação mãe da dita língua que aceite como exclusivamente certo uma variante que foi sendo tolerada noutros países, que se habituaram a escrever como falam. A língua evolui com certeza, mas de forma natural e não forçada. Não é porque um governo decide que de um momento para o outro o nosso belíssimo património cultural falado muda. Se as palavras são estas e não outras é porque a nossa língua se insere num contexto europeu ocidental herdeiro do latim. Alguém considera sequer ir dizer à rainha de Inglaterra que seja mais americana?! Esta política do facilitismo é uma vergonha de quem nunca soube escrever em bom português. Querem discutir gramática? Aprendam-na e depois podemos discutir. Mais uma vez, a língua muda por si, nunca por ser obrigatório.

  6. AB Willemann disse:

    Honestamente, muitos dos que criticaram o Acordo argumentaram pela dificuldade de aprendizado das novas regras. Eu, na verdade, acho que o Acordo facilitou o aprendizado do uso dos indicadores ortográficos. Muitos de nós só sabíamos da existência do hífen em certas palavras por estarmos acostumados a elas. Não sabíamos o porquê do tal uso. E creio que falar sobre perda da identidade cultural é um tanto radical. As mudanças não foram tantas a ponto de se chegar a uma situação dessas. Ora, o português de cada país continua sendo próprio. Ainda há as variantes semânticas e fonéticas, os estilos, a forma de se expressar. As novas normas são mais convenções, antes de tudo, que facilitarão o acesso a livros e informações. O que antes era erudito vai se popularizando. Acredito também que o Novo Acordo atribuiu maior valor à nossa língua. Preocupados em aprender para acertar nos vestibulares, nos concursos ou nos demais desafios da vida, passamos a dar maior atenção às normas que, normalmente, não nos seriam relevantes. Portanto, acredito que levará, sim, a uma diminuição nas taxas de analfabetização e a um português mais correto. Tudo isso sem mencionar a facilitação da comunicação entre pessoas de nações diferentes e das relações políticas e comerciais. Eu, pessoalmente, vejo mais prós do que contras. É um rumo a mais para o nosso desenvolvimento.

  7. sjuwydbuq disse:

    cara, por mais que dificulte a escrita nos vestibulares, não é só isso que a gente devia olhar.. pra mim isso pode mehorar de alguma forma o Brasil.

  8. juliane disse:

    Acho uma bobagem essa mudança…complica os comcursos vestibulares faculdades até mesmo nas escolas..

  9. David Martins disse:

    O acordo temque ser encarado não como algo que venha desrespeitar os direitos das pessoas,mas simcomouma proposta pra estreitar as relações comerciais entre no países lusófonos

  10. Wander disse:

    É válida a tentativa de unificação da língua portuguesa, mas na prática tenho dúvidas se funcionará. Mesmo nos meios acadêmicos, jornalisticos e literários, quantos eu conheço nestes meandros que dependem de editores de texto para escrever. Na verdade, poucos eu conheço que sabem dizer a regrinha do porque com ou sem acento, junto ou separado etc. Enfim, a linguagem da maioria dos jovem de hoje esta muito restrita, a linguagem da internet está criando uma linguagem de ícones. Esperemos no que vai dar, até!!!

  11. Dorival Silva disse:

    O acordo não tem intenção de "engessar" a maneira como usamos a língua, nem de mudar a linguagem coloquial ou o sotaque de cada país. Simplesmente, se escrevermos igual, uma mesma edição de cada livro poderá ser lida em todos os países. Isso trará edições muito mais numerosas, baixando substancialmente os preços dos livros.

  12. Markut disse:

    Está faltando uma consideração que reputo importante.
    Não adianta querer engessar um organismo vivo, como é a língua (qualquer que ela seja).
    Tirante a necessidade de um mínimo de regras a serem obedecidas , na comunicação verbal e escrita , a evolução das línguas, ao sabor dos acontecimentos históricos, sempre esteve e sempre estará presente, nesta encantadora e rica babel,que é a comunicação verbal do ser humano. A tentativa do esperanto, visando unificar a linguagem, em carater universal,fracassou, como não poderia deixar de acontecer.
    Não é por aí que vamos chegar à fraternidade entre povos.
    Lembrem que existe uma matéria chamada Gramática Histórica, que trata justamente dessa evolução da linguagem.
    Aproveito para perguntar ao sr. Aldo Rabelo, ou a outros que rezam pela mesma cartilha, se ele usa o "pen drive", no seu computador , ou se ele se refere ao "disco duro portatil"

  13. Letícia - PR disse:

    Não acredito que em um primeiro momento a mudança ortográfica beneficie as editoras, todo material deverá ser refeito e assim se gastará mais, e o que fazer com os antigo? Reciclar? Como? Acredito que cada país deve manter suas características e isso inclui o seu idioma. Cada país é diferente um do outro e deve continuar com suas peculiaridades, culturais, linguísticas, econômicas, políticas.

  14. Roberto Junqueira disse:

    O negócio é uma língua só pra todo mundo… "vamo" simplificar a vida…

  15. Cristina Florencio disse:

    O acordo ortográfico só beneficiará o mercado editorial que, refazendo os livros e publicando novas gramáticas, aumentará seu faturamento. Os editores lamentam em público, mas, intimamente, devem estar gargalhando! A princípio, foi dito que esse acordo facilitaria a adoção do Português como uma das línguas oficiais da ONU – e, portanto, não precisaríamos mais aprender o Espanhol. Porém, nada confirmou essa idéia. Acho a publicação dos documentos da ONU em duas versões (a brasileira e a portuguesa) puro preconceito. Por que não fazem o mesmo com o Inglês? E não venham me dizer que é porque a língua inglesa não tem acento gráfico!

  16. AURORA RESENDE disse:

    Ainda não consegui entender a quais interesses (políticos, sociais ou econômicos)essa reforma ortográfica vai atender. O único setor não beneficiado será o cultural, que só terá dificuldades em se adequar, seja por uma questão de regionalismo, ou pela própria oneração que essa mudança acarretará aos cofres públicos em verbas que poderiam estar sendo utilizadas em projetos bem mais práticos e de retorno para nossa população, que ainda não conseguiu aprender a usar nem o nosso bom e velho português, quanto mais quando as mudanças forem feitas!

  17. Valéria Alem de Biazi disse:

    Sou professora de Português e sinceramente não consigo entender em que aspectos este acordo ortográfico é "unificador" do idioma. Muitos portugueses ainda estão mobilizados contra a implementação do acordo em Portugal, pois acreditam que estarão abrasileirando a língua e se sujeitando à antiga colônia. Nós, brasileiros, nos adaptaremos facilmente às mudanças, até porque as pessoas em sua maioria já desconheciam as regras e continuarão a desconhecer. A meu ver, o melhor deste acordo é o fato de estar gerando tanta polêmica e fazer com que as pessoas se interessem mais pelo idioma e discutam mais sobre ele. Nós devemos ter orgulho da nossa língua portuguesa e tratá-la com muito respeito.

  18. Pedro Tavares disse:

    Nem toda mudança vem para melhor, mas esta é. Se as linguas portuguesas faladas e escritas em diferentes paises começarem a a fazer exceções dentro de um tempo teremos linguas diferentes e similares como o portugues, o espanhol, o italiano e o frances. Mão de ferro nesse caso é importante, pois manterá a unicidade dos povos atraves da lingua que será a mesma. Um livro escrito em um outro pais desses será isento de adaptações para ser entendido. Penso até que a pronúncia deve ir no mesmo sentido, mas isto implicaria talvez em importar professores de português de um unico pais, é portanto mais complicado. Fiquemos então com a reforma escrita por enquanto.

  19. Mauri Toni Dandel disse:

    A padronização da escrita em portugues não trará benefícios a um ou outro país. Logicamente, poderá beneficiar a um ou outro povo, mas o custo-benefício disso não vale a pena. Cada país tem uma forma de escrever ou pronunciar e você querer mudar isso não é interessante pois mudará os costumes de um povo. Daqui a pouco o espanhol da Argentina deverá ser o mesmo da Espanha. E o inglês americano, idem com o da Inglaterra. Só falta, daqui alguns séculos, portugues, ingles e espanhol ser uma língua só, com tantas mudanças no decorrer dos anos.
    no frigir dos ovos, isso é coisa de quem não tem o que fazer, pois os custos na linha editorial é muito alto.

  20. Anderson Velloso disse:

    Há prós e contras neste projeto. Os prós são de unificar um universo de quase 300 milhões de falantes, além de fortalecer nossas relações em quanto falantes de uma mesma língua. No entanto, muitas publicações (como livros didáticos) deverão ser refeitos, o que acarretará um ônus ao erário público.

  21. Adilson Rocha disse:

    Acho que não! Para falar a lingua do povo, não é preciso mudar letras ou qualquer sinal mesmo que isso envolva varios paízes. Acho que existe atualmente, outras coisas de que devemos nos preocupar. A principal é? Professores bem mais preparados, salários compatível e mais escolas gratuitas para que crianças e adultos possam começar ou concluir seus estudos.

  22. Marco Vito Oddo disse:

    Está claro que certas regras são necessárias dentro de uma língua para que a comunicação seja possível. Porém, a partir do ponto em que o receptor consegue entender a mensagem, não faz diferença se a “conversa” é com um “s” ou “ç”.

    Unificar pra quê? Todos os países que assinarem o acordo estarão sujeitos a mudanças, a readaptações literárias e editorias, sem que a regionalidade se perca, no entanto. A língua falada foge da gramática dita correta, “sabe cumé”? Com trema ou sem trema o baiano vai continuar falando “oxê”, e o paulista “meu”.

    Uma característica cultural íntima à cada localidade molda a língua portuguesa em brasileira, angolana, moçambicana. E que estória é essa de país lusófono? O que eu falo é carioca, bicho!

  23. myrsonl lima disse:

    O acordo já é uma realidade. Houve dezoito anos para a dicussão de seus prós e contras.Todas as línguas internacionais já unificaram o sistema ortográfico. Poderia ter sido uma reforma mais radical como pretenderam as tentativas anteriores, mas foi a que possível apesar da forte resistência especialmente dos portuguees.
    A Língua só tem a ganhar para fortalecer sua unidade e facilitar seu manuseio e intercâmbio entre os falanteses dos oito países lusofônicos.
    Estmos todos de parabéns.

  24. Talita Lopes disse:

    Olá, sou universitária e ao contrário do que muitos dizem, de que a unificação só trará mais complicação, acredito que não. Isso porquê, o português é um elo forte entre seus falantes e, se pensarmos bem, se outros países, com proximidade linguística, aproximarem-se mais ainda do "nosso" português, haverá um fortalecimento da língua e, dessa forma, poderemos rumar para os primeiros lugares entre as línguas mais faladas ao redor do mundo; junto com o inglês e o espanhol.
    Para isso, basta lembrar quantos países falam espanhol(juntamente com suas variantes) e mesmo assim mantiveram sua identidade e, na verdade, a fortaleceram.
    Afinal, quanto mais "rebuscada" for a língua, mais complicada e unificada entre seus países praticantes, maior será a identidade linguística(idiomas fáceis demais de serem apreendidos levam a sua banalização).

  25. Benedito Duarte disse:

    Aprovado desde final de 1990, o processo de unificação ortográfica da língua portuguesa foi marcado pela morosidade, onde os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa pouco se mostraram interessados pelo tema. Somente a partir do empenho maior do Brasil, a partir de 2006, que este assunto começou a ganhar força e destaque politicamente e jornalisticamente.

    Este é um tema que tem vários pontos de abordagem e influência, passando pela educação, integração social, política e economia.

    Considerando os prós e contras em cada um destes setores, creio que o saldo está a favor da unificação ortográfica. E dificuldades relatadas, como o novo aprendizado das novas normas ou adaptações a elas, será de simples resolução, uma vez que são poucas as alterações, sendo bom lembrar que o percentual de modificação da língua no Brasil será de apenas 0,43% e em Portugal, será de 1,6 %; e custos editoriais com revisões e/ou reimpressões deverão ser compensados e até superados pelos ganhos com a maior globalização e comercialização das obras de língua portuguesa, ou seja, obras e literatura em geral, das nações de língua portuguesa, deverão circular em maior quantidade e com maior facilidade, o que, além de favorecer o comércio editorial, favorece o maior relacionamento e intercâmbio entre estas nações.

    Além disso, creio que fatos como o fortalecimento e reconhecimento da língua portuguesa em nível internacional abonam a unificação de nossa língua.

    Benedito Duarte – Rio de Janeiro (beneditoduarte@gmail.com)

  26. vera lucia disse:

    SOS…sempre fui boa aluna em português; mas acho que parece que o Brasil anda para trás…o idioma fica cada vez mais complicado…não dá para SIMPLIFICAR? A Academia brasileira de Letras deveria fazer alguma coisa…

  27. ROSANGELA FRIEDRICH CAMARA disse:

    Sem querer ser radical, porque todos os países do mundo não fazem um plebiscito e escolhem uma única língua para todo o planeta? Não seria mais fácil? Será que é tão difícil assim imaginar, que a língua falada em um país faz parte de um senso de patriotismo, do orgulho de cada cidadão em uma nação?
    Eu não acredito que em pleno século XXI, estejamos preocupados com a unificação das línguas lusófonas, enquanto o diálogo dos nossos filhos e netos na internet, não obedece nem mesmo a língua que já existe. Esta sim deveria ser uma preocupação legítima, pois o “internetês” que tomou conta dos diálogos são 90% incompreensíveis.
    Já imaginaram se todos os paí¬ses do mundo resolvessem fazer acordo ortográfico na mesma proporção? Será que não haveria um tempo em que vivenciarí¬amos uma nova "Torre de Babel"? Sim, porque se já não é assim tão fácil aprender outra língua, imagine ter que fazer atualização dos acordos ortográficos. Coitados dos poliglotas, não?

  28. Sabrina Neves - Jd. Santa Lúcia disse:

    Todos os países tem as suas particularidades ortográficas e isso não significa que um esteja certo e o outro errado, mesmo se tratando de uma mesma língua.
    No caso da língua inglesa há a variação, porque no caso dos países lusófonos tem que haver a unificação?
    O presidente Lula assinou esse acordo provavelmente na intenção de fortalecer a língua, mas não será a unificação que mudará a visão de todas as pessoas dos países envolvidos.
    Apesar de todos sermos passíveis à mudanças, há uma história, um passado. Estamos falando de movimentação, de novidade.
    Como será aprender novas regras gramaticais?
    Os professores nas escolas vão dizer a seus alunos que algumas coisas que demoraram a aprender mudou de repente?
    Está certo que muitas coisas já estão em desuso, porém tenho como claras algumas regras de português em minha cabeça. Teremos todos que voltar à escola?
    Acredito também que isso não mudará o interesse da população em aprender, levando à diminuição o analfabetismo.
    Os livros continuarão caros, inacessíveis e em alguns casos, para alguns, não serão entendidos da mesma forma que era antes.
    Cada ser humano é único. Cada língua é única, tem sua identidade.
    E por falar nisso, quando é que nossa língua começará a ser " Língua Brasileira" e assumiremos nossa própria identidade?

  29. Eneida Schiavon disse:

    Continuará tudo como dantes, no quartel de Abrantes? Por certo que não. Embora o Brasil vá continuar com alto índice de analfabetismo (índice correto, não o maquiado), entendo que perdemos mais uma parte de nossa identidade cultural. O português do Brasil está para nossa identidade, assim como o maracatu está para o nordeste. O que vejo é a tentativa de adequar a língua (que não é mais) pátria aos que pouco ou nada sabem sobre isto. E não estou me referindo ao trema, pouquíssimo usado. Refiro-me, isto sim, à acentuação,em especial. Acho que este é mais um triste capítulo que revela (outra)perda de nossa identidade. Falta agora extinguir a próclise, a mesóclise e a ênclise – que a grande maioria, lamentavelmente, sequer sabe do que se trata. Aliás, práticas estas que há muito foram banidas e substituídas por um tal de "ele se despediu"… e quejandos…Acho que só temos a lamentar.

  30. Renato Benetti disse:

    Só faltava essa, hoje em dia quem alfabetiza tem um problema danado, começa pelos nomes alguns com "th" outros com "nn" e assim vai, sem contar o tanto de professores que ainda tem dificuldade de usar a língua portuguesa, é um tal de "Z" no lugar do "S", o uso de "SS" ou "Ç" uma bagunça para quem ensina ou está aprendendo, mas aos poucos vão se adaptando, sem contar que para o adulto é bem mais difícil a escrita já é automática.
    Bom, restaram poucos educadores no Brasil, e esses poucos gênios educam para o mundo e devem ser consultados, acredito que sancionar uma Lei para a escrita é complicado, pois a escrita deve respeitar sim a cultura e a identidade do brasileiro. Será que vai ser boa a mudança ou vai gerar mais confusão na língua portuguesa brasileira.

    Mogi das Cruzes – SP

  31. Milla Lola disse:

    O acordo ortográfico trará muitos benefícios ao país, fazendo com que os países que falam a língua portuguesa se tornem mais fortes a partir da unificação da língua. Apesar de ser a 7ª língua mais falada, a nossa língua portuguesa não tem tamanha força que deveria ter, não é dado o devido valor como é dado ao reconhecimento de outras línguas como o inglês, o espanhol ou o francês. Para que se dê o devido falor no estrangeiro, tem que começar em casa a se dar o devido valor, e a unificação da língua ajudará a se dar o devido reconhecimento à língua portuguesa. Porém, num país como o Brasil, em que há um número absurdo de analfabetos e semi-analfabetos será que adianta mudar a língua, se não será usada da devida forma? Talvez a mudança deveria começar realmente em "casa", propiciando um melhor acesso ao estudo básico às pessoas! Aí sim se valorizaria muito mais a língua, visto que é necessário que, ao menos, as pessoas que integram o país saibam dar o devido valor À sua língua para que haja respeito no estrangeiro!

  32. angeli rose disse:

    "Gosto de roçar a minha língua na de Camões/gosto de ser e de estar(…)":
    A questão de acordos entre línguas vem de há muito e o grande problema que toca na história e na tradição de cada povo, especifamente falantes de língua portuguesa,advém em grande parte de termos uma escrita dividida entre critérios baseados na oralidade( sons que firmaram maneiras de escrever) e a grafia advinda da história e de contextos específicos de palavras.
    Sem dúvida,que o momento é de buscar meios de estruturar essa babel que se criou em torno do vernáculo, entretanto,outras frentes serão importantes para fazerem frente ao novo modo de escrever que a "rede" impôs.A questão , pois, então ultrapassa a idéia de erro e acerto, ela coloca a possibilidade de culturas manterem suas singularidades também inscritas nó idioma e seus dialetos.
    Creio que os estudos filológicos deverão ser cada vez mais incentivados a fim de propiciarem uma comunicação mais aprimorada entre gerações.
    Caetano veloso,profeticamente brincou com essa babel portuguesa na canção "Língua"…

  33. Valter de Carvalho disse:

    Como já está bem claro no NAO – Novo Acordo Ortográfico, nós não escreveremos completamente igual aos outros falantes do português nos diversos países que o falam. As peculiaridades estão mantidas. A unificação está sendo realizada nos pontos nos quais os próprios falantes já deixam de usar na grafia diária. Por exemplo: a maioria dos falantes, ao escrever, não colocam o trema; há anos temos pessoas cujos nomes se escrevem com "k, y e w" entre outros. Acredito que trará benefício sim. A questão é mais política, uma vez que a língua portuguesa precisa ocupar um lugar de destaque nos órgãos internacionais. Aos poucos, nós brasileiros nos adaptaremos.

  34. Priscila disse:

    Eu até acho uma boa tirar os acentos, mas tirar TODOS os acentos, não tirar só alguns como é nesse novo acordo ortográfico, o hífen estava bom do jeito que estava, mas agora tem que ter um curso para os professores alfabetizar e passar para os alunos como é o correto agora. Bom certo ou errado a juventude escreve errado mesmo, poucas pessoas escrevem corretamente, e, "de boa" essa lei ai é totalmente inútil!

  35. kávyla disse:

    Num país em que a diversidade gera consequências boas ou ruins, a principal tarefa é unificar as pessoas num único entendimento:os valores políticos, humanos, ambientais;estão esquecidos. Vivemos a margem de tudo – inclusive de nós mesmos- nossos propósitos estão tão dispersos quanto as falsas idéias progressivas ou de formação ou de numa pessoa qualificada para tudo. O portugês mais claro é: "ordem é progresso". Essa frase não precisa de nenhuma correção. No entanto, todos estamos cegos diante da tradução de seus defeitos.Precisamos antes de tudo: entender as entrelinhas.

  36. Michelson Borges disse:

    Embora haja detalhes questionáveis nessa reforma ortográfica, o fato de ajudar na unificação lexico-cultural dos países lusófonos e ampliar o mercado editorial desses países já justifica o esforço. Mas vejo uma vantagem acima dessas, especialmente em nosso país: ao ser levada para a mídia popular como notícia, a reforma ortográfica promoveu discussões nos lares, nas lanchonetes, nos pontos de ônibus… O povo passou a conversar sobre sua língua! Tida por muitos como matéria chata dos bancos escolares, a língua portuguesa de repente virou tema de bate-papo, e isso é muito bom. Se for para promover a cultura, a conscientização e a discussão de valores, que venham outras boas reformas!

  37. Gilberto F. Keiper disse:

    Acho que o acordo mais do que cultural é político e econômico, veio em boa hora e tende a influenciar o livre comércio entre os países de língua portuguesa e os beneficiados somos nós.

  38. lourenço disse:

    Sorry,periferia!DAD SQUARISI está certa!
    Já imaginaram o volume de recursos financeiros envolvidos nesta operação "prá inglês ver"?
    Quiero ser dono de editora e gráfica para o MEC!!!!

  39. Carlos A Carneiro disse:

    Apesar da "globalização" de nossas vidas, não podemos deixar de destacar o “coloquial” de cada país. As expressões, as gírias estão cada vez mais frequentes nos idiomas de qualquer nação. Não acho que a unificação ortográfica entre os países de língua "portuguesa" traga qualquer benefício.
    O que temos que mudar e confirmar é a utilização do nosso idioma no dia a dia. Porque ainda temos expressões em latim nos textos de "Direito"? Porque ainda temos expressões em inglês no meio empresarial?
    Não às regras!!!

  40. Professor Doutor Abbud disse:

    Fazia-se mister uma renovação da ortografia da língua portuguesa, pois certos acentos são não apenas desnecessários, como chegam a dificultar a escrita, em particular para pessoas de faixas etárias ainda em fase escolar: vôo<voo. O "h" de úmido em português luso cairá. A unificação não atenta às peculiaridades dialetais, pois "fato = evento, ocasião" prossegue "facto" em Portugal, já que "fato" ára nossos irnãos europeus é "paletó".
    Minha única ressalva é em relação ao trema. O que impedirá uma criança em idades escolar de pronunciar "tranquilo" como em espanhol (qui=Ki)? Tendo a oportunidade de ouvir inúmeras vezes "Guiana" (gui=gui de guinada) ao invés de Guiana (gui=gu-i, o certo) achava que deveria ser mantido e acrescentado em palavras amiúde mal pronunciadas

  41. degilson disse:

    O povo brasileiro, e adaptável a qualquer tipo de novidade. Num pais que tem girias e sotaques tao plurinacionais, a mudança das regras da língua portuguesa será fichinha até mesmo pra "D.Maria" vizinha ali da esquina… Num País que o índice de analfabetismo diminui a cada ano, creio que não teremos problemas quanto a isso… Continuaremos falando nossas gírias, nossos sotaques, e até mesmo aqueles que tem vestibular pra enfrentar nesse fim de ano, tirarão de letra tais mudanças. e o progresso consiste nisso, melhorias, leis novas, e vamos ver daqui algum tempo, muitos K, W e Y e na nossa língua e escrita.

  42. Elisa Lucas - Porto Alegre disse:

    Está claro que unificar a língua parece uma proposta tentadora. Mas será que não é melhor assumirmos os dois idiomas: o português de Portugal e o português do Brasil e aprender a ler os dois? Podemos aprender na escola a exercitar isso, temos essa capacidade.
    O que parece mais complicado dessa situação é a mudança ortográfica que volta e meia nos persegue. Para quem estudou, e agora está no mercado de trabalho e fora da atividade escolar, sente um estranhamento pois, de repente, se vê desconhecendo sua própria língua. Ou seja, daqui a pouco, eu estou escrevendo um comentário neste site com o português incorreto, errado. O que valia não vale mais, o que nos ensinaram como certo, agora é errado. Quem sabia alguma coisa, não sabe mais! Parece um pouco de desrespeito. O conhecimento é uma ferramenta que poucos no nosso país conseguem dominar. A comunicação, através da escrita, pode cruzar fronteiras, aproximar pessoas, instrumentalizar povos, e não temos que ficar a vida inteira na escola, revendo conceitos e mudanças naquilo que nos foi ensinado. A menos que sejamos pesquisadores, acadêmicos, mas isso é outra história. Minha posição pode ser radical, mas acho que em língua não se deve mexer. Não se deve mudar, as pessoas passam por ignorantes, estão sempre dependentes de novos manuais, novos dicionários, etc. A evolução é uma tendência natural, mas quando ela nos beneficia e simplifica nosso cotidiano, não quando ela nos impõem transtornos.