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Tendências e Debates

As feias que me desculpem, mas…

Por Vivian Vasconcellos

As feias que me desculpem, mas…
Modelo da campanha Dove Real Beleza depois de retoques do Photoshop

O “Photoshop” é fundamental? De onde vem a obsessão pela forma perfeita, a juventude e o padrão de beleza aceito pela sociedade? O Adobe Photoshop, software de recurso de edição, possibilita que todos cheguem a esse status, estampando capas de revistas e peças publicitárias de todo o mundo, mas quase nada é 100% real. A busca por um sonho inalcançável pode gerar insatisfação e transtornos psicológicos, em uma sociedade que, de acordo com especialistas, associa o caráter do indivíduo à sua aparência.

Assim como o poeta Vinícius de Moraes já pregava a beleza, a psicanalista e coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza do LIPIS da PUC-Rio, Dra. Joana Novaes explica ao Opinião e Notícia que a personalidade e a imagem estão interligadas no imaginário social. “O perverso nessa história é que a mídia moraliza a beleza e passa um discurso de que só é feio quem quer. Com tantos recursos, de um direito passa a ser um dever se cuidar e melhorar sua imagem.” Para ela, o diferencial da contemporaneidade é responsabilizar o indivíduo pelo próprio corpo, e quando um ideal não é alcançado, o mesmo se frustra.

“O padrão de beleza conhecido é um corpo de classe. Requer tempo, dinheiro, renúncia e sacrifício. O corpo ideal não é para todos e pode ser visto como um capital, um lócus de investimento muito importante”, afirmou Dra. Joana Novaes.

A modelo Twiggy, antes e depois do Photoshop

A modelo Twiggy, antes e depois do Photoshop

A França e a Inglaterra tiveram problemas com propagandas retocadas pelo Photoshop.  Foi proibida a veiculação do comercial de um produto antirrugas, da marca Olay, com a ex-modelo britânica Twiggy, de 60 anos, após 700 pessoas na Inglaterra reclamarem da foto modificada da artista. No Brasil, a atriz Suzana Vieira foi capa de uma revista em que aparecia completamente retocada. Na mesma semana, foram tiradas fotos de seu corpo na praia, retratando a diferença entre a realidade e o digital.

Consultora para Unilever, que desenvolveu a Campanha Dove Pela Real Beleza, com outros especialistas de todo o mundo, Joana seguiu a contramão das publicidades e expôs o “efeito photoshop” em vídeos-propaganda, além de campanhas com “mulheres de verdade”.

Veja o vídeo da campanha Dove Real Beleza

O Projeto de Lei 6853/10, conhecido como Lei do Photoshop, do deputado Wladimir Costa (PMDB-PA), está em tramitação na Câmara dos Deputados. Caso seja aprovado, fotos manipuladas digitalmente passariam a exibir a seguinte mensagem: “Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada“. Segundo Costa, o objetivo é “acabar com a idealização do corpo humano pela publicidade”.

“A mídia veicula padrões e tem que ter a sua devida responsabilidade. Os ícones de beleza representam um mundo de sonhos, mas é importante que seja dito que aquela imagem não é real”, concorda a Dra. Novaes. A psicanalista atribui a atenção que se dá à imagem nos dias de hoje ao fato de existir uma “sociedade do espetáculo”. “A propaganda cita e forja, mas reflete a sociedade.”

Caro leitor,

A mídia é responsável pelo padrão de beleza atual?

Vivemos em um momento em que a imagem é mais valorizada do que deveria?

Você concorda com a implantação da Lei do Photoshop?

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13 Opiniões

  1. Markut disse:

    As pessoas que a mídia expõe não são verdadeiras.
    É claro que a publicidade, atrás do consumo em massa de produtos, idéias, candidaturas, e outros mil assuntos, estimula imagens idealizadas.
    A frustração entre o idealizado e a realidade conduz a terriveis neuroses que, no campo da beleza feminina, atinge niveis quase intoleraveis e insensatos.
    Com o consumismo instalado, falta a formatação mental , capaz de permitir a inclusão de outros ingredientes para atingir o grau de auto estima necessário , na busca da utopia da eterna felicidade.

  2. Jonnathan Germano disse:

    Não acredito que seja a mídia responsável por esse padrão, o maior responsável é a nossa sociedade, a mídia só mostra o que as pessoas querem ver e saber, não o que vai ser bom e funcional para as pessoas, o que neste caso se deve mudar é o conceito da sociedade, as pessoas devem tornar-se mais humanas, devem preocupar-se com o que é realmente importante para o seu desenvolvimento não só individual mas do espécime como um todo.

    A muito tempo atrás, na idade média, quem decidia a vida das pessoas era a Igreja Católica. O casamento era feito da seguinte forma, se em uma vila havia um homem que já estava na idade de se casar a família deste ia a Igreja para falar com o padre e este por sua vez procurava na vila qual a moça que seria melhor para casar-se com esse rapaz, não existia a importância do amor e a beleza e sim o dever deles se casarem, portanto era muito comum um homem ou uma mulher ficarem desgostosos com a aparência dos seus parceiros, mas uma vez casados não podiam separar-se(só se fosse um motivo muito grave), com o passar dos anos a Igreja foi perdendo esse “poder” e as pessoas começaram a casar-se a critério de ambos, sem o consentimento da igreja e esta agora só servia para selar a união, e com o antropocentrismo no auge, as pessoas estavam valorizando mais o humano e carne o visível a razão, e como tudo que é reprimido quando se liberta sai com muita revolta o desejo da carne é o que hoje predomina.

    Sempre as pessoas vão dar um jeito de fazer o que querem, então não será a limitação do uso do programa que fará com que as pessoas parem de querer ser o que não são. Acho que a lei não deve ser aprovada.

  3. Andre disse:

    Eu prefiro ser enganado!!! Dá-lhe photoshop!

  4. Lara Sossai disse:

    Isso seria ótimo se “pegasse” aqui no Brasil. Quantas e quantas pessoas se matam em academias e em economias para melhorar a aparência e parecer com tal ou tal pessoa. Embutiram um padrão de beleza na mente dos indivíduos que virou uma obsessão. Se uma moça não tem silicone ou é magra do cabelo liso está fora de moda, é vista como uma aberração.
    Espero que essa lei seja aprovada logo e seja obrigatória para todos as formas de mídia.

  5. Helio disse:

    As vezes photoshop funciona melhor que plástica. Detesto a estética Barbie, bem difundida entre celebridades. Culpo mais o mau gosto que o photoshop.

  6. Teresa da Motta disse:

    O maior garoto propaganda responsável, em grande parte, pelo êxito da CIRURGIA PLÁSTICA foi Vinícius de Morais ao divulgar sua celebre frase : “AS FEIAS que me desculpem, mas beleza é fundamental” !!!! Não seria o caso dos cirurgiões plásticos escolherem Vinícius de Morais como o santo padroeiro da cirurgia plástica ???

  7. Regina Céli disse:

    Em um momento que se faz tanto alarde em prol de uma alimentação saudável, acho muito legal que possamos ver em propagandas pessoas de beleza verdadeira, sejam atores ou não. A Natura também já usa em seus comerciais “mulheres de verdade”, de todas as idades. Muito interessante e atual essa matéria. Se a mídia tem uma parcela grande de culpa nesse estereótipo de beleza fabricada, nada como vocês mesmos começarem a tocar com vara curta essa marmelada toda.

  8. Priscila disse:

    O maior problema nao esta na propaganda, nem no Photoshop, nem no ideal de beleza (que muda a cada decada) e sim na maneira como as pessoas se sentem sobre si mesmas. Principalmente as mulheres, hoje em dia ainda tem muito auto-preconceito, e olham muito de fora para dentro.

    Uma pessoa com auto-estima alta pode olhar qualquer propaganda e revista e ainda se sentir feliz consigo mesma. Mas uma pessoa infeliz e sem auto-estima vai sempre achar que as outras sao melhores que ela.

  9. Luiz Mourão disse:

    Esse é o nosso planetinha: um bando de seres humanos que, ao invés de buscar e cultivar VALORES PROFUNDOS, vão criando uma “vida” ancorada em aparências e futilidades que não têm a menor importância para o Destino da Humanidade.
    Acabamos criando um mundo em que TODOS estão atrelados a bobagens infantis e pueris, quando os verdadeiros VALORES são desprezados e nunca passados aos epígonos…
    Tem sido assim ao longo dos séculos, e não se para para refletir sobre o que ocorre, e como mudar o rumo geral das coisas..
    Acho que Nietzsche tinha razão: precisamos do filósofo na sociedade…
    Triste quadro o a Humanidade…

  10. Marcelo Sommer disse:

    A mídia nao é responsável pelo padrao de beleza. Vivemos, sim, um período de valorizacao da imagem. Nao concordo com a lei… A manipulacao dos valores se dá pela falta de educacao. A mídia surfa nessa onda, pois se imaginamos que ela pode influir, de outro lado ela responde a tendencias – assim, o que ela produz é um feed-back do imaginário social. Nao é a mídia que me diz o que é uma mulher bonita. É bom lembrar que Vinicius é um homem pré-midiático. Quanto a valorizar imagens, é produto da lei do menor esforco, pois a visao é o sentido mais espontâneo e mas acessível ao transmissor das idéias. Daí por quê a mídia impressa cede espaco à TV e a cegueira é a mais importante das descapacidades sensoriais. Os meios intuem por onde chegar nas pessoas, que têm a predisposicao a responder aos estímulos. Quanto à lei, digo que fazer norma para redundar outras que já tratam de propaganda enganosa (Código do Consumidor), de fraude, falsificacao, é caro e contra-producente. É só para chamar a atencao. O fundamental é cobrar a responsabilidade intrínseca que a publicidade cobra quando oferece um produto. Precisamos mais de promotores e juízes que se disponham a aplicar essas normas. Quem valoriza as imagens, nao vai ler as advertências ao pé da imagem… você sabe quem tira as fotos? Pois é… o nome do fotógrafo e da agência estao na margem das fotos. Prometer corpinho de 20 ou 30 para uma “véia” é enganoso… E ela acreditar nisso é pueril. A Patricia Pilar nao tinha aquelas maos com que se ensaboava com o Lux há 15 anos… fonte segura!

  11. Natasha disse:

    Com certeza o momento atual valoriza a imagem mais do que deveria. Até porque, como a própria matéria comprova, as imagens divulgadas são totalmente modificadas, fazendo com que as pessoas desejem o inalcançável para si.
    Apóio a aprovação da Lei que transmita perante a Câmara. Nada mais justo do que a população ser informada acerca da veracidade das imagens publicadas. Vai chover a mensagem “Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada“ nas capas das Playboys. rsrs.

  12. Vitor disse:

    Muito simples e recorrente.

    Quem consegue ficar bonito é quem não teve que passar seu tempo trabalhando, fazendo coisas úteis à própria sobrevivência. Significa que a pessoa é sustentada pelo trabalho das outras. Significa poder. A Dra. está correta quando diz que a beleza é um capital – algo que se gasta tempo para fazer e que aumenta o status social.

    O mesmo vale para as lutas medievais, para as diversas fases do vestuário e assim por diante. Já tentou lavar roupas de espartilho? Ou subir numa árvore para colher uma fruta de terno? Não dá certo. Não é funcional. Cumpre o papel de mostrar que a pessoa não pratica tais atividades.

    A cada dia que passa inventamos uma nova forma de diferenciar aqueles que trabalham para a sobrevivência do grupo e aqueles que são sustentados e podem viver apenas do lazer.

    A imagem sempre foi valorizada; seu padrão é que muda. E é óbvio que a mídia reproduz e amplifica o fenômeno.

    Concordo com a lei. Me lembra o aviso do ministério da Saúde sobre cigarro e sobre o uso de medicamentos éticos.

  13. renata gingueleski disse:

    na minha opinião a midia deveria mostrar a mulher real com sua beleza natural pois oque adianta aparecer toda bontina em capas de revista e outros anuncios sabendo que não a verdadeira face da pessoa mais uma máscara que dura apenas algumas horas!!!

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