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Tendências e Debates

Lei da cultura africana e afro-brasileira: combate à discriminação ou aumento da segregação?

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Em 2003, foi lançada a lei federal nº 10.639, que modificou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), estabelecendo a obrigatoriedade do ensino de cultura africana e afro-brasileira nas escolas públicas e privadas de todos os estados brasileiros. Apesar de o fato ter sido considerado importante por movimentos de luta dos negros em todo o país, existe uma discussão em torno da validade dessa proposta: ela realmente ajudaria a diminuir o preconceito desde a sala de aula, ou sairia pela culatra e aumentaria ainda mais a segregação, ao destacar a história do povo negro de outros temas curriculares?

Renato Ferreira, advogado e coordenador do Programa de Políticas da Cor da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), lista alguns dos seus possíveis efeitos positivos quanto à redução da discriminação. "A lei visa fazer um resgate histórico que é importante não só para o negro mas para a sociedade brasileira como um todo. Esse é o grande ponto. As pessoas pensam que a lei está retificando a história, e não é. A gente está querendo dar oportunidade para as pessoas negras conhecerem um pouco melhor o Brasil, conhecerem um pouco melhor a sua história, e as pessoas brancas sobretudo; porque você não vence o preconceito e a discriminação com um grupo só sabendo, você só vence quando todos os grupos ficarem sabendo".

Ao falar do ensino oferecido nas escolas brasileiras, Ferreira aponta uma falha que, segundo ele, poderia ser reduzida caso a lei fosse aplicada. "A nossa matriz de conhecimento, que é o que chega às escolas, é essencialmente eurocêntrica. A gente estuda História da Europa, História dos Estados Unidos, e é isso que a gente reproduz, é isso que a gente tende a achar importante. Os outros Estados e aquilo que eles produziram, os seus mitos, as suas crenças, para nós são descartáveis".

Ulisses Martins, que dá aulas de História em escolas particulares do Rio de Janeiro, acredita que a proposta da lei de ensino afro pode aumentar ainda mais a discriminação. "Por que o ensino da cultura afro-brasileira especificamente? E os outros povos que contribuíram para a formação da identidade nacional? Ou foram somente os negros os responsáveis por isso?", questiona. "É exatamente aí que mora o risco de aumento da segregação. Os outros grupos podem se sentir desprestigiados e exigirem o estudo de suas culturas também. E então o que faremos? Criaremos novas disciplinas? Parece que as decisões são tomadas sem que se pense nos alcances que elas podem ter".

Martins diz que lhe causa estranheza o fato de a lei não focar também os índios. "Por que deixar os índios de fora? Querem usar a exploração que o negro sofreu como justificativa para a criação dessa lei; o que faremos com os índios que foram dizimados e perderam suas terras, foram aculturados e, também obrigados a trabalharem como escravos?".

Ferreira concorda com Martins, e acredita que uma outra lei precisa ser criada para contemplar a questão indígena. "O grande problema não é incluir a história dos negros, é deixar de incluir a história dos indígenas", analisa, complementando que uma das razões para os indígenas terem ficado de fora da lei no. 10.639 pode ter sido uma representação não tão grande, no Congresso, à época de sua aprovação.

Apesar de acreditar que outras culturas merecem igual destaque ao que seria dado à cultura negra com a aplicação da lei, Martins destaca que os riscos podem ser minimizados caso a história e cultura afro sejam inseridas dentro do currículo da disciplina de História. "A criação de mais uma disciplina não me parece o caminho ideal. Que essa valorização da cultura não seja apenas da afro-brasileira e seja de outro jeito, porque essa imposição não condiz com a realidade do ensino nacional. Os alunos são muito desinteressados e mais uma disciplina não ajuda".

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Martins se opõe ainda ao sistema de cotas para estudantes originários de escolas públicas, especialmente negros e indígenas. "O certo a se fazer é melhorar o ensino público. Assim, as oportunidades e o preparo para o ingresso nas universidades públicas serão os mesmos, tanto para os alunos das escolas particulares quanto para os alunos de escolas públicas. A criação das cotas é uma ação assistencialista que não tem o alcance necessário para resolver o problema".

Renato Ferreira, lembrando que até hoje pouco se fez para combater as heranças negativas da escravidão, explica seu ponto de vista em relação a essas críticas. "O Brasil não adotou políticas públicas para promover a cidadania dos ex-escravos e seus descendentes. Obteve, com isso, uma discriminação estruturada". Uma solução para o já enraizado problema seriam as políticas afirmativas. "São medidas de inclusão que, promovendo direitos de grupos historicamente excluídos, podem reduzir a discriminação, promovendo a justiça social. Isso é importante para todos os brasileiros. A política de cotas, a lei 10.639, entre outras medidas, são espécies de ação afirmativa, e encontram assento na Constituição da República".

A implementação da lei

Ferreira destaca que para que a lei de cultura africana e afro-brasileira seja aplicada são fundamentais recursos e políticas públicas. "E isso no nosso país é um pouco complicado", destaca, dando as diretrizes que em sua opinião devem ser tomadas. "A responsabilidade pela aplicação da lei, a meu juízo, deve ser do MEC e das secretarias estaduais e municipais de educação, que a elas cabe desenvolver e executar as políticas de educação no país, em primeiro plano".

Os professores, que em sua formação também não receberam aulas voltadas em especial para a cultura africana e suas reais influências no Brasil, vêm comentando que não sabem qual a melhor maneira de apresentar alguns tópicos relacionados a essa história e cultura em sala de aula. Esse pode ser mais um obstáculo à prática do que a lei estabelece.

"Já se percebe uma preocupação com a história africana nos cursos de graduação, e a procura por pós-graduação nessa área também aumentou, mas ainda é muito cedo para se dizer que os professores estão preparados para cumprir a lei", diz Martins, explicando como imagina que se dará a preparação dos professores. "Alguns irão procurar por conta própria, mas acho que as instituições podem oferecer o incentivo financeiro para que seus professores de História façam uma pós-graduação em História da África".

Ferreira afirma que a idéia de fazer cursos de capacitação é muito boa, garantindo que quem leciona tem interesse em se especializar. "Se lançam um edital dizendo que os professores do estado ou do município que queiram estudar sobre História da África têm que se inscrever, muita gente se inscreve, muita gente quer fazer. Mesmo sem nenhum tipo de abono por isso. As pessoas são simpáticas ao tema porque sabem que é necessário".

Segundo o advogado, alguns cursos já estão em andamento, ministrados por ONGs e pelo MEC. Ele acredita ser interessante que professores do Ensino Fundamental de todas as matérias se capacitem, e entre as disciplinas do Ensino Médio destaca Português, Literatura e História, mas acredita que quem dá aulas de outras disciplinas também pode ser instruído.

Na opinião de Martins, é preciso ir com calma e repensar ainda vários pontos referentes à lei. Ele levanta questionamentos. "Ainda acho muito importante que se discuta muito mais a validade dessa lei, seus prós e contras, e que se amplie bastante a discussão, para que ninguém seja pego de surpresa. Será que realmente é necessária? Não há outros meios de se divulgar a cultura e história afro-brasileiras? Pensemos pois para não precisarmos resolver problemas mais graves futuramente".

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  1. Paulo Renato Machado da Silva disse:

    Em nossa sociedade brasileira existe uma cultura das facilidades no trato negocial. Se é fácil para mim, então é bom. Mas se tiver que me esforçar mais um pouco, então não dará certo ou não é necessário. E daí, não importa para que serve, ou porque serve, ou para quem serve. E se tratando dos negros, o desinteresse por parte de alguns ditos intelectuais da nossa sociedade diminui mais ainda da recuperação das potencialidades intelctuais desse povo. Tão massagrado em sua história e cultura devido aos mais de trezentos anos de escravidão no Brasil. Servindo nas bandejas e quartos grupos dominantes economicamente que até os dias de hoje não querem dividir as riquezas prodizidas com o suor e sofrimento do negro vindo em grilhões para o nosso país. Digo, isto, para lembrar e não esquecer jamais da história deste povo que é riquissima culturalmente. Portanto, a 10639, é importantíssima, para o ensino brasileiro, pois resgate uma das lacunas existente na sua formação político pedagógica. E que se firme na obrigatoriedade das instituições de ensino a inclusão da história da Africa e da Culrura AfroBrasileira. Aprendemos a usar cinto de segurança em nossos veículos através de leis, porque não aprendermos a história do povo negro através de leis e outras ações afirmativas pautadas pelo povo negro organizado. Nossas crianças e adolescentes precisam ter a chance de conhecer todas as histórias dos étnicos que construiram este país. Sejamos profissionais realmente da educação. Sejamos educadores construtivos!

  2. Amanda Lwiggy disse:

    Também acredito que o estudo da cultura afro brasileira tornar-se obrigatória abre uma lacuna que pode gerar uma ainda mais segregação, visto que a construção de nossa cultura teve a participação de outros povos tão importantes quanto o negro.

  3. mayra disse:

    muitoo bom …essa lei foi otima.sou contra o racismo.

  4. Paula disse:

    preciso da resposta para essa pergunta:por que existe preconceito com relação aos africanos e afro descendentes?por favor me ajudem eu sei que aqui não é yahoo mas deve ser um site bem melhor obrigada……….

  5. aloisia oliveira silva araújo disse:

    A lei tem por finalidade salientar a importância de se introduzir a história da África e a cultura Afro-brasileira na educação dos jovens, como forma de resgate da consciência negra. Historicamente a educação dos afro-descendentes tinha sua gênese no conceito europeu e não levavam em consideração as tradições africanas, como meio de manter a soberania sobre estes povos.
    Mas vale ressaltar também que temos uma divida muito grande com os índio existente aqui no Brasil sabemos que foram 500 anos onde houve escravidão, catequização, miscigenação e dizimação. Qualquer coisa que se diga sobre os índios do Brasil será pouco. A dívida do branco civilizado para com o indígena é alta e pesada demais. Portanto poderíamos procurar meio de introduzirmos a cultura indígena no currículo nacional. É o mínimo que poderemos fazer PA minimiza um divida tão grande

  6. Josué T. Santos disse:

    A questão do preconceito no Brasil é uma questão que herdamos do mundo, pois não conheço nação nesse mundo que não discrimine o negro, o Indio, o Judeu e por aí a fora. Infelizmente ser pobre ou negro é a mesma coisa para a sociedade; a discriminação não está na cor e sim na classe social a que pertence. No Brasil a quantidade de dinheiro no bolso é que determina a discriminação e o tamanho dela.” Quanto maior o volume de dinheiro no bolso, mais clara será a sua pele. Lei, pra que? se o negro quer namorar loirinha e não a de sua cor! as negras querem namorar loirinhos. Quem discrimina quem? nosso país o problema maior está nas oportunidades que as classes menos privilegiadas não possui, não é a cor.
    Josue T. Santos

  7. emanuelle madureira disse:

    por favor!!! me ajude.
    preciso formular um texto sobre importancia de valores(ética,alteridade,e respeito)frente a necessidade de policas públicas para efetivaçãodos direitos humanosno brasil,tomando como base na realidade do movimento quilombola.

  8. thais disse:

    nada ver tu discrininar uma pessoa pela cor ou sexo ou idade ou pelo passado para é uma bobogem nada ver

  9. MARIA DORALICE DE F.PERUZZO disse:

    MARIA DORALICE DE F. PERUZZO

    por favor!!! me ajude.
    preciso formular um texto sobre importancia de valores(ética,alteridade,e respeito)frente a necessidade de policas públicas para efetivaçãodos direitos humanosno brasil,tomando como base na realidade do movimento quilombola.
    AGUARDO RESPOSTA.
    OBRIGADO.

  10. josiana disse:

    me ajude..preciso formular um texto sobre importancia de valores(ética,alteridade,e respeito)frente a necessidade de policas públicas para efetivaçãodos direitos humanosno brasil,tomando como base na realidade do movimento quilombola.
    AGUARDO RESPOSTA.
    OBRIGADO.

  11. kassia.a. soares disse:

    eu acho as leis africanas super legal pois ajuda a população com suas defasas

  12. cecilia disse:

    tÔ estudando sobre isso ..,. e segundo o martins era preciso tambem implantar a cultura do indío, e isso já foi resolvido na 10.645/08….mais muitos problemas ainda são enfrentados..como professores especializados ,,,e cia ;;;mais realmemte acho que isso é importante para nossa sociedade conhecer não só ;;como os negros e indíos foram escravizados, mais também saber sua cultura seus valores linguas e etc…

  13. janaina disse:

    Apesar de acreditar que outras culturas merecem igual destaque ao que seria dado à cultura negra com a aplicação da lei, Martins destaca que os riscos podem ser minimizados caso a história e cultura afro sejam inseridas dentro do currículo da disciplina de História.

  14. maycon disse:

    achei muito interesante e aprovo esta lei

  15. Isabel Simone, disse:

    Opinião de Isabel simone
    10 de novembro de 2011
    as 23:15

    Com certeza esta lei tem que ser aprovada, a discriminação é uma humilhação, segundo Manuel Freire relata o quanto esta raça vem sofrendo por ser de cor chega já está na hora.

  16. madu disse:

    gostei muito mas acho que poderia falar mais sobre a lei que permite que os indios estude.

  17. mirla késia felix do nascimento disse:

    deveria ter mais leis relacionadas ao afrodescendente e isso é muito importante nos estudos.
    mirla késia

    21 de novembro de 2011.

  18. mariana disse:

    Alguém pode me dizer algunha musica africana ainda pra hoje .. BEIJÂO

  19. francisco jânio disse:

    esta lei não apernas para lembra de onde nossos avos vinheram .E sim para lembra do sofrimento que teve durante essa escravidão de africanos;
    sor afavor desta lei;

  20. Sandra disse:

    Se antes o ensino sobre a cultura africana nunca foi apresentado de outra maneira senão aquela mais conhecida,( negros acorrentados,amontoados, degradados e destruídos na sua integridade) agora, que se ‘obriga’ mostrar que uma África antes do processo de colonização alegam que isso aumenta a segregação!!!
    Se isso aumenta a segregação o que está sendo feito para diminuir o preconceito?