“Como ter preconceito no Brasil?”, perguntou Camila Pereira, 22, uma das sócias do restaurante Nonno Paolo. O restaurante, no bairro do Paraíso, na Zona Sul de São Paulo, foi acusado por um casal de espanhóis de expulsar, no dia 30 de dezembro, o filho deles, um menino negro de seis anos, adotado na Etiópia. Segundo os pais, ele foi segurado pelo braço e levado até o lado de fora do restaurante, onde foi encontrado, aos prantos, pelo casal.
Existem muitas versões para o caso do Nonno Paolo. Não se sabe se o – agora afastado – funcionário que tirou o menino do restaurante de fato o segurou pelo braço (a versão de Camila conta que a criança, que não fala português, teria se assustado ao ser abordada, e saído por conta própria). De acordo com o delegado Márcio de Castro, da 36ª DP (Vila Mariana), tudo indica que a expulsão foi “em decorrência das características da criança, configurando em tese o delito de preconceito de raça, pois impediram o acesso da criança ao local por causa da sua cor”. Segundo a polícia, na ocasião, um homem que se apresentou como gerente teria confirmado que tirou a criança do local, alegando que a confundiu com um morador de rua.
O caso, e a frase da sócia do restaurante, reabriram a discussão sobre o racismo no Brasil. Apesar de questões como as cotas raciais nas universidades, e as infelizes declarações do deputado federal Jair Bolsonaro (que afirma ter entendido mal uma pergunta da cantora Preta Gil no programa CQC da Rede Bandeirantes) trazerem o assunto à tona de tempos em tempos, o Brasil ainda é visto como uma nação onde a miscigenação conseguiu evitar que o racismo se instalasse de maneira marcante na sociedade (o que não evitaria as eventuais manifestações individuais de racismo que todos conhecemos).
É verdade que no Brasil não há grupos de extrema-direita pregando reduções dos direitos dos negros; que os neonazistas do país não passam de meia dúzia de acéfalos com um bocado de tempo livre; e que, nos anos 1960, quando Martin Luther King falava sobre seu “sonho”, as crianças brasileiras nos mais variados tons de peles já iam à escola juntas há décadas. Diferentemente de locais como o sul dos Estados Unidos, no Brasil nunca houve assentos especiais para negros nos ônibus, ou estabelecimentos com placas proibindo a entrada de negros, ou nada próximo do que se viu no regime do apartheid sul-africano.
É verdade também, segundo pesquisas anuais, que os negros no Brasil recebem salários menores, e formam a maior parte dos desempregados do país. No entanto, esses dados são contestados pela afirmação de que isso acontece não por motivos étnicos, mas sim porque os negros formam a maior parte das classes D e E, e, portanto, são menos escolarizados e menos qualificados para o mercado de trabalho, o que nos levaria de volta ao velho argumento de que o preconceito no Brasil não seria racial, e sim social. Essa afirmação, por sua vez, também é contestada: que motivo – senão o racismo – haveria para que negros formassem a maior parte das camadas menos favorecidas da sociedade?
Ontem, hoje e amanhã existirão pessoas racistas, em todo e qualquer segmento de toda e qualquer sociedade. A pergunta que não quer calar é se casos como o do restaurante Nonno Paolo são expressões individuais de racismo ou se são, de fato, representações significativas da sociedade brasileira. E não há momento melhor para se fazer essa pergunta, do que o atual: o Brasil, esse enorme país povoado por gente de todas as cores, pela primeira vez na história tem uma maioria de negros e pardos, de acordo com o censo oficial. Se somos, de fato, uma sociedade racista, o momento para reverter esse cenário, e criar anticorpos para o futuro, é este.
Caro leitor,
O Brasil é um país racista?
O preconceito existente no Brasil é mais racial ou social?
Os sócios do restaurante Nonno Paolo deveriam ser punidos pela expulsão de um menino negro confundido com menino de rua?

sim devem ser punidos.
O Brasil não é um país racista, basta ver todas as constituições republicanas e principalmente a Constituição de 1988. Nem temos racistas. O que temos é, ainda, muita ignorância em todas as etnias e classes sociais.
Reafirmando que nosso país é racista vemos pelo entendimento de um PM na USP em dias atrás entendeu que uma pessoa negra, em dependência estudantil na USP, não poderia ser estudante, exigiu a sua identidade estudantil, como ele se negou a apresentar, esse policial agiu co0m truculência e imbecilidade chegando até a sacar sua arma, a cena foi gravada e esta em todas as redes da Internet, estes casos são somente os que são divulgados pela midia, mas como somos um País racista temos até aqueles casos de racismo cometidos, também, por alguns negros contra a própria raça, em estabelecimento comerciais, onde a gestão é feita por afrodescendentes que agem como capitães do mato do Século 21. Fui vitima por incrivel que pareça em, por ironia do destino num Supermercado chamado NEGREIROS NA ZONA LESTE DE SÃO PAULO. A punição deverá ser exemplar, inclusive pecuniária.
Com certeza sou negra e sei, que chegamos a sofrer 16 vezes crimes de racismo por dia!!!! Piadas de mal gosto, intolerancias etc. E o estado do Ceará é o mais racista do pais.
Infelizmente, ainda a sociedade brasileira é racista, ou seja, não conseguimos (enquanto pessoas civilizadas) apagar os resquício do período colonial, o qual pré-jugava a sobreposição racial.
Precisamos lutar pela vedadeira democracia de classe social e, sobretudo, a racial.
Não acho que o Brasil é um pais racista. Há casos isolados e isso, vai continuar tendo, infelizmente.
Questão de Cultura.
Geralmente quando uma pessoa carrega alguma característica que ‘lembra’ algo não muito bom ou que desperta algum eventual risco e dependendo do ambiente, ela pode sofrer esses tipos de agressões.
Isso é um problema de difícil solução uma vez que todos os envolvidos são pessoas e como pessoas, desconfiam uma das outras.
Veja só: Entre numa concessionária de veículos mal vestido pra ver se você logo é bem atendido!?!
Opa! Sou do RS e sou meio índio, branco e negro (Como muitos da Etnia Gaúcha). Aqui no sul é comum entre pessoas da minha Etnia (Gaúcha), ter “preconceitos” contra negros (Escuros), já com pessoas “morenas” ou chirús, não há este preconceito, apenas por ser mais claro. No entanto, ao ver algum cerne negro de pilcha (Roupa tradicional dos Gaúchos), qualquer Gaúcho (Rio-grendense ou da Etnia Gaúcha de fato) se admira e acha lindo. Logo, concluo que o preconceito é muito mais social do que propriamente racial, ao menos aca, em minha experiência.
o racismo é uma questão de educação que vem de berço.Sou branco e devo aos negros a minha formação ética,profissonal,religiosa,e,a própria formação de caráter.Convivendo entre brancos e negros,aprendi que o que realmente vale é uma confiança e respeito de ambos os lados.Como já afirmei sou branco,mais meus pais me ensinaram que valor de um ser humano está em seu caráter e não em sua cor.