Início » Opinião » Tendências e Debates » Violência e sociopatias
Tendências e Debates

Violência e sociopatias

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

É na adolescência, dos 14 até aproximadamente os 20 anos, que ocorrem as manifestações típicas de perversidade. Irrompe a maldade. Esse conteúdo tem que ser cerceado, mas, muitas vezes, a família não coloca limites, ou porque não quer, ou porque não foi ensinada a dosá-lo. Há momentos, inclusive, em que os pais, parentes ou amigos fingem não perceber que o adolescente comete abusos inaceitáveis. Esse fingir não ver tem nome: chama-se Negação. Esta é a opinião do psiquiatra Jorge Jáber, diretor da Associação Psiquiátrica do Rio de Janeiro, que diz ainda que o processo é um mecanismo de defesa da personalidade, um fenômeno individual comum em todos os seres humanos, que acontece diante de fatos estarrecedores.

Crenças populares como coração de mãe não se engana, só os pais são capazes de entender os filhos ou meu filho conta tudo para mim estão totalmente fora de questão. Na maioria das vezes, a personalidade explosiva, quando surge, parece surpreendente mas não é. É provável que tenha aparecido até na infância. Lá, já era possível observar os problemas emocionais, os distúrbios, as alterações do pensamento e do comportamento. Não foram devidamente tratados e conduzidos. Mais tarde, acabam prejudicando o indivíduo inclusive socialmente, explica Jáber. O papel da psicanálise, diz, é desvendar aquilo que uma pessoa não quer ver.

A família, especialmente, tende a confiar no doente, porque ele, de forma sutil, é capaz de manipular todos à sua volta em seu benefício. Os sociopatas, antes chamados de psicopatas, sofrem de deterioração do caráter e não experimentam remorso ou sofrimento em suas maldades. Alguns estão na cadeia, outros no manicômio judiciário. As sociopatias ocorrem em vários níveis. Podem ser preexistentes – genéticas – ou predisponentes – culturais, de acordo com a oportunidade, vindo de família permissiva, ambiente violento. Sabemos que existem figuras populares, da política, com personalidade explosiva. Mas suas atitudes se encaixam em sua profissão, nos discursos acalorados, e assim fica suportável. É a forma adequada de utilizar a explosão, conta o psiquiatra.

A falta de informação – além da vaidade – é tão grande que boa parte da população considera normal determinadas atitudes e não procura ajuda. Além do exemplo do político, Jáber cita também médicos que têm a necessidade de fazer cirurgias a qualquer custo, militares ou professores de ginástica que fazem programas de luta ou exercícios puxados e sentem prazer com o sofrimento da turma. Por outro lado, as estatísticas provam que pessoas violentas certamente se envolveram em violência na infância. Do ponto de vista médico, a prevenção contra estes atos, desde a mais tenra idade, em todas as classes sociais, é a melhor medida.

Ele chama a atenção para a divulgação maciça destes distúrbios. Hoje, a sociedade não quer enxergar o tamanho do problema e do risco das drogas. Não há repressão adequada, as instituições que cuidam disso acabam tornando os menores ainda mais pervertidos. A escola deveria ser a grande difusora desse movimento. Além da grade curricular oficial, também precisaria incluir matérias como saúde mental, prevenção, violência e uso de drogas. Em vez de fechar as portas a partir das 17 horas, deveria acolher essa população, aconselha.

Qual a sua opinião sobre esse assunto?

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

7 Opiniões

  1. Acácio Brasil disse:

    Fico horrorizado com essas histórias de crime. Todos os homens deviam se amar.

  2. Acácio Brasil disse:

    Fico horrorizado com essas histórias de crime. Todos os homens deviam se amar.

  3. Marcelo de Matos disse:

    Mais preocupante que a constatação da existência de personalidades “sociopatas” é o surgimento de teorias que propõem a sua cura. No período que antecedeu a ascensão de Hitler, surgiram nos EUA cientistas que propunham a purificação racial. Nesse mesmo país desenvolveu-se a prática da leucotomia, ou lobotomia, sendo tratados mais de 50.000 doentes, inclusive crianças. A lobotomia consistia em uma intervenção cirúrgica no cérebro e sua prática só foi abandonada quando surgiram os fármacos antipsicóticos (?). O que pode vir por aí?

  4. Marcelo de Matos disse:

    Mais preocupante que a constatação da existência de personalidades “sociopatas” é o surgimento de teorias que propõem a sua cura. No período que antecedeu a ascensão de Hitler, surgiram nos EUA cientistas que propunham a purificação racial. Nesse mesmo país desenvolveu-se a prática da leucotomia, ou lobotomia, sendo tratados mais de 50.000 doentes, inclusive crianças. A lobotomia consistia em uma intervenção cirúrgica no cérebro e sua prática só foi abandonada quando surgiram os fármacos antipsicóticos (?). O que pode vir por aí?

  5. gimba disse:

    O problema da violência moderna começou quando a mulher saiu de casa para trabalhar, o pai sempre foi o provedor, mas quem educava mesmo era mãe, a mulher tem um papel muito importante na educação dos filhos.

  6. Maria disse:

    Ridículamente machista sua opinião, Gimba. O homem já não consegue mais ser o provedor e geralmente é o primeiro se desresponsabilizar pela família. Se existe a família, cabe aos dois educar os filhos. é direito dos dois seguir uma carreira profissional. Acho que sua cabeça está parada nos anos vinte.

  7. Vera Lucia disse:

    A sociedade inteira tem que se mobilizar; por que a mídia é TÃO violenta? Tenho certeza que tem pessoas que como eu, NAO GOSTAM de assistir violência na TV, jornais e etc. Aquela boneca do caso Isabela esteve durante uns 15 dias sendo atirada pela janela de todas as formas… nas tvs de bares padarias, residencias; isso não é um tipo de loucura?

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *