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Visita de Pence a Temer tem dois motivos: um fake e outro real

Não é só pelo acordo Brasil-EUA na área de Previdência que o vice de Trump gastará tempo com um presidente impopular e em fim de mandato

Visita de Pence a Temer tem dois motivos: um fake e outro real
O acordo deverá beneficiar 1,3 milhão de brasileiros e cerca de 35 mil americanos (Foto: Gage Skidmore/Flickr)

O vice-presidente norte-americano não dá ponto sem nó. E a vinda de Mike Pence ao país nesta terça-feira, 26, não é um passeio pelo Planalto Central. O motivo oficial da visita a Michel Temer será a promulgação do acordo Brasil-Estados Unidos na área de Previdência, com a publicação de um acordo que vai permitir que brasileiros que vivem nos Estados Unidos – e americanos que vivem no Brasil – possam somar o tempo de contribuição registrado no exterior.

O acordo, assinado em 2015 – e que precisou de aprovação na Câmara e no Senado – deverá beneficiar 1,3 milhão de brasileiros e cerca de 35 mil americanos. Mas não será por isso que o vice de Trump gastará seu tempo com um presidente sul-americano, impopular, em fim de mandato e sem possibilidade de reeleição. Pence está preocupado com voos mais altos que um mero benefício.

De mão beijada

O governo brasileiro acaba de promulgar o acordo-quadro na área espacial – assinado por Brasília e Washington há sete anos – e que abre caminho para que os americanos usem livremente o Centro de Lançamento de Alcântara, um elefante branco, localizado num ponto ”tão, tão distante” do estado do Maranhão. A base aérea já foi palco de lançamentos fracassados e de trágicos acidentes que bem demonstram nossa incapacidade de lidar com tecnologia de ponta. E será entregue de mão beijada aos Estados Unidos.

O tal acordo tem caráter genérico que abrirá um grande leque para outros entendimentos mais específicos pelo período de vinte anos. É importante que se diga que, para os americanos, Alcântara tem localização estratégica para monitorar todo o continente – especialmente a Venezuela – e também o continente africano.

A contrapartida brasileira

No campo da pesquisa tecnológica, o Brasil ganhará, como contrapartida, cooperação nas áreas de Ciência, Observação e Monitoramento da Terra; Ciência Espacial; Sistemas de Exploração; Operações Espaciais; e “outras áreas relevantes de interesse mútuo”, segundo informa – sem mais detalhes – o release sobre o acordo. Bem do jeitinho do governo federal.

Também não ficam claros os ganhos na área da propriedade intelectual, uma vez que a transferência de bens e dados técnicos ocorrerá “somente no que for necessário para o cumprimento do acordo”. O acordo-quadro – desenhado de forma a demonstrar quem manda e quem obedece – diz claramente que “nenhum ponto dele pode ser interpretado como concessão explícita ou tácita de direitos ou interesses sobre invenções ou trabalhos”. Em outras palavras: o contrato tem letrinhas muito pequenas. É melhor não apertar os olhos. E fazer vista grossa.

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6 Opiniões

  1. Francisco Taborda disse:

    Bem, ….

    Os americanos não fazem nada que não lhes seja bom. Cumpre a nós garantir que este acordo, também, seja bom para nós. A Base de Lançamento de Alcantara é um patrimônio importante do país. Infelizmente, por vários motivos não estamos conseguindo administrá-lo e tirar-lhe o melhor partido.

    Não conheço – acho que poucos conhecem – o conteúdo deste acordo. Hipoteticamente, se fosse bom para o Brasil, haveria transparência e todos estariam divulgando as boas novas. Como ninguém fala nada, tenho o direito de achar que nem todos do nosso lado estão orgulhosos do que está sendo feito. Mal sinal. De qualquer forma, tem de se ver o que de bom tem este “tratado” e esperar que não seja mais um “imbroglio”.

    Já que estamos falando de coisas esquisitas, como anda a negociação da Embraer com a Boeing? O que vai sobrar para o Brasil? Do jeito que as coisas estão, não existe solução ótima para este problema. A Embraer é, sem dúvida, um grande sucesso. Garantir a perenidade deste sucesso depende muito de pesados investimentos que, talvez, não estejam disponíveis para ela. Aí é que deveria entrar o Estado com uma estratégia setorial de desenvolvimento tecnológico, ampliação de mercado e financiamento. Afinal não vamos progredir só exportando café in natura, minério de ferro, frango e bananas. Será que queremos para nós ser (ou continuar sendo) uma República de Bananas que não perde a oportunidade de colocar na mesa uma jabuticaba?

  2. Guido disse:

    Nossa incapacidade não é de lidar com tecnologia, e sim com a “nossa classe política”

  3. Norberto A Aranchipe disse:

    Quando o Senador Makarty, falou ¨AMERICA PARA OS AMERICANOS ¨ se reféria aos Norte americanos,
    para eles os habitantes ao sul do Rio Grande, são os apenas os LATINOS, e seus territórios apenas seu quintal, o intervencionismo praticado visa dificultar o desenvolvimento do potencial regional que os asiáticos perceberam ( os norte americanos também ) so os LATINO AMERICANOS no entendem que as ULTIMAS RESERVAS NATURAIS,( TERRA AGRICULTAVEL, COMBUSTIVEIS FOSSEIS, AGUA DOCE, MINERIOS ) só VÃO RESTAR nesta parte do mundo e quando o momento chegar , não terá negociação VÃO PEGAR NA TORA e se não estivermos preparados DEUS TENHA PIEDADE DE NOS

  4. Beta disse:

    Com 50% da população brasileira sem saneamento básico, os governos investem dinheiro público – que vem dos impostos que pagamos – nesse ridículo programinha espacial.

  5. Jorge Hidalgo disse:

    Much ado about nothing! traduzindo Pindorama: muito barulho por nada!!

  6. amigo do Nhonho disse:

    brasileiros insistem na ideia de se “desenvolver”. isso não é para todos. e como brasileiro, acho que isso não cabe a nós. brasileiro simplesmente não tem vocação pra isso, e talvez fosse bom aceitarmos este fato de uma vez. ou então me digam: qual a vocação deste lugar, antigamente denominada de “celeiro do mundo” e “pátria do evangelho”?…
    aliás, a única vez que li algo coerente foi numa reunião de espíritas, quando, questionados pela evidente contradição (60 mil assassinatos/ano, milhões de abortos, roubalheira, mentira, etc etc etc…), disseram: o brasil é como um hospital do planeta, e para cá são enviadas as almas mais doentes e atormentadas em busca de acolhimento e cura de seus carmas”…

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