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Hollande: poderoso e perigoso

Investidores que duvidavam que o novo presidente francês se manteria fiel às ousadas promessas de campanha estão prestes a ter uma amarga surpresa

Hollande: poderoso e perigoso
Os novos rumos da França de François Hollande preocupam investidores estrangeiros (Reuters)

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O presidente francês tem mais poder do que qualquer outro líder europeu. E, após o segundo turno das eleições parlamentares em 17 de junho, François Hollande tem, no papel, mais poder do que qualquer outro presidente na história da Quinta República da França. Seu Partido Socialista agora controla as duas casas do Legislativo, todas – exceto uma – as regiões francesas, e a maioria dos departamentos, cidades grandes e comunas do país. A questão é: o que este homem cuidadosamente modesto fará com tanto poder?

Hollande passou um ano em campanha, primeiro pela indicação do partido, depois pela presidência, e por fim, pelas eleições legislativas. Somente agora ele pode começar a governar, depois de uma calorosa recepção de seus vizinhos da União Europeia. Seus fãs dizem que ele é mais moderado e pró-Europa do que a maioria dos membros do seu partido, e destacam seu compromisso com o corte do orçamento nacional para menos de 3% do PIB em 2013, e suas ligações os sociais democratas da Alemanha e da Escandinávia. Seu plano de adicionar medidas de estímulo ao crescimento à austeridade fiscal da zona do euro. Seu “pacto europeu de crescimento”, elaborado sobre títulos de projetos, e mais capital para o Banco Europeu de Investimentos, é apoiado pela Itália e a Espanha.

No entanto, todos os que esperavam que o presidente francês abandonasse rapidamente suas promessas de campanha devem se desapontar. Hollande pode ser moderado para os padrões dos socialistas franceses, mas isso acontece principalmente porque seu partido está fragmentado. Na Alemanha e na Escandinávia, os partidos de centro-esquerda dividem um desejo por igualdade e Estados de bem-estar social generosos. Mas eles também abraçam os benefícios da competição e das políticas econômicas liberais: políticas às quais o presidente francês e seus apoiadores se opõem fervorosamente.

É por isso que Hollande começará cortando a idade de aposentadoria para alguns trabalhadores para 60 anos, aumentando os impostos sobre a população mais rica para 75%, aumentando o salário mínimo, e tornando muito difícil para que trabalhadores sejam despedidos. Ao invés de diminuir o setor público, equivalente a 56% do PIB – o maior da zona do euro – ele parece disposto a expandi-lo. Com essas políticas, ele está agindo contra as mudanças no resto da União Europeia. Essas medidas não ajudarão a aumentar a competitividade da França, que enfrenta um período de declínio, e também não tornará o clima dos negócios mais amigável.

Em 2012 assim como em 1981

A França é um país rico. Mas é mais vulnerável hoje do que era em 1981, quando o último socialista no poder antes de Hollande, tentou, e não conseguiu, implantar uma forma de socialismo durante seu mandato. A dívida francesa atual é de 90% do PIB, ao contrário dos 20% de 1981, e sua economia já foi rebaixada por uma agência de crédito. Mercados apreensivos veem a França mais próxima da Espanha e da Grécia do que da Alemanha e da Áustria. Essa visão só ganha mais força cada vez que Hollande se junta a líderes espanhóis e italianos para pressionar a Alemanha a ser mais generosa com seu crédito, uma tática que atrapalha suas relações com Angela Merkel.

No fim, assim como aconteceu com Mitterand, Hollande terá que enfrentar a realidade. Uma França enfraquecida não terá alternativa a não ser abraçar reformas estruturais, e apostar numa economia mais liberal. E isso certamente levará menos tempo que os dois anos que Mitterand teve antes de sua mudança de rumo. Nesse meio tempo, um presidente Hollande poderoso poderia causar grandes estragos ao seu país.

Fontes:
The Economist - Powerful as well as dangerous

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4 Opiniões

  1. Vanderlei Alves Pereira Junior disse:

    Poderá causar estragos e causará. pense bem, se a dívida pública chega, segunda a reportagem, a 90% do PIB, e esse senhor pretende aumentar o individamento do Estado, podemos pensar que ao invés de tentar solucionar os probemas, ele só os aumentará. Aumentar os impostos dos mais ricos, não vai melhorar a situação, pois sempre pode alocar os recursos em algum lugar onde as condiçoes sejam mais favoráveis aos meus interesses.
    Ademais, se desde o último solcialista a dívida foi de 20% para 90%, deve-se desconfiar dessa classificação, e verificar se esses presidentes eram não esquerdistas, não necesáriamente socialistas, como Sarkozy, pois conservadores não aumentam tanto a dívida do país, em tese. Em todo caso, o futuro do França, a continuar esse senhor na presidência por muito tempo, com certeza não será auspicioso. Est trés bien France!

  2. Roberto Henry Ebelt disse:

    Pauvre France.

  3. Carlos U. Pozzobon disse:

    A França precisa afundar para se curar do estatismo. E parece que encontrou a pessoa certa para forçar os franceses a repensarem seus princípios socialistas agora expandidos pela imigração islâmica. A fuga de capitais que já era grande vai aumentar. Os franceses preferem investir na Inglaterra onde os impostos são menores do que em seu próprio país. O resultado já sabemos: aumento da dívida, dos juros e por fim dos preços internos para custear mais impostos.

  4. Mauricio Fernandez disse:

    Sarkozy apoiado pelas classes dominantes inglesas e alemãs caiu nas urnas e levou por agua a baixo as intenções do trio de colocarem a europa embaixo do braço. Mas o desastre causou dois graves efeitos colaterais. Um socialista transtornado com apoio popular e um grande espaço para a Alemanha se “espraiar”, que diga-se, já faz com muita competência.

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