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Ultramaratona

A insanidade dos corredores de longa distância

Mal-estar, pernas que não dobram e alucinações. Por que qualquer pessoa em sã consciência correria o Spartathlon?

A insanidade dos corredores de longa distância
Spartathlon agora consta entre as ultramaratonas clássicas do mundo (Reprodução/Getty)

O Spartathlon, realizado todo ano em Atenas, é umas das ultramaratonas mais duras do mundo. A corrida deste ano, a qual aconteceu no fim de setembro, foi a 30ª e contou com 310 participantes. Todos já haviam participado de pelo menos uma corrida de, no mínimo, 100 km. Para esse evento, eles tiveram que correr 245 km (ou quase seis maratonas consecutivas) dentro de 36 horas. Apenas 72 dos corredores de fato acabaram chegando à Esparta histórica.

O Spartathlon começou como uma homenagem à ultramaratona mais famosa da história, completada por Feudípede, um ateniense que teria corrido de Atenas até Esparta em 490 AC. Sua missão era pedir ajuda aos espartanos na batalha contra os invasores persas; Heródoto, um historiador, registra que o corredor chegou a Esparta um dia após ter partido de Atenas. Esta conquista inspirou a organização do primeiro Spartathlon em 1983; a corrida agora consta entre as grandes ultramaratonas clássicas do mundo.

Desafios vão além da distância

O Spartathlon combina vários testes diferentes. Há o calor do dia grego, seguido da queda de temperatura quando vem a noite. Há subidas também; a rota inclui uma série de ladeiras, entre elas uma passagem através de uma montanha de 1.200 metros de altura que acontece durante a noite. Acima de tudo, há a inclemente pressão do relógio. Uma série de 75 pontos de marcação intensificam a pressão; se um corredor não tiver ultrapassado um dado ponto de marcação em um tempo específico, ele é eliminado da corrida.

Aqueles que terminam a prova recebem uma coroa de louros e água de colegiais desajeitadamente vestidas com túnicas. Os corredores têm enormes manchas de sal em seus equipamentos decorrentes de litros de suor derramados. Seus olhos ficam fundos devido a uma noite sem repouso. Muitos são tomados pelo emoção ao receberem suas coroas antes de serem levados a uma tenda médica para receberam massagem e banhos salinos.

Diz-se, porém, que a euforia é efêmera. Dentro de alguns minutos, as articulações começam a se recompor: após a corrida, a cidade parece uma locação de filme de zumbi devido às pernas dos participantes que não dobrarão de jeito nenhum. O fim de um evento longo e duríssimo pode fazer com que  o corredor se sinta à deriva. Este é um problema com o qual Feidípedes não teve que lidar, já que ele teve que correr de volta para Atenas.

Fontes:
Economist - The lunacy of the long-distance runner

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2 Opiniões

  1. Rudy Lang disse:

    Tem louco para tudo que se possa imaginar. Esses, pelo menos, prejudicam apenas a si próprios.
    Pior foi o Galtieri (provocador da maluca guerra para tomar as ilhas Falkland do ingleses, mencionada nesta edição). Aquele sim, não tinha limites. Seria ele um parente da Cristina?

  2. Glória Drummond disse:

    Tenho horror a qualquer tipo de competição. Acho um insensatez., uma falta do que fazer… um modo de arranjar problemas físicos. Odeio Olimpídas, Copas, torneios. Pura mediocridade. Inclusive as competições artísticas, escolares.

    O corpo humano não foi feito para esses tipos de competições. Esporte? só de forma lúdica. Malhação ? Só para deixar o corpo mais gostoso, mais ágil…

    Esse tipo de competição, inclusive as paraolimpíadas, refletem a insanidade das pessoas. E ainda querem que elas sirvam de exemplo…

    Até a dança, prefiro aquela sem rigidez , livre… como dançava Isadora Duncan.

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