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Milagre econômico

Apesar do estado fraco, empresas fortes impulsionam a Índia

Mão de obra jovem e empresas privadas dinâmicas estimulam a economia da Índia, que esbarra em infraestrutura precária para se equiparar à opulência chinesa

Apesar do estado fraco, empresas fortes impulsionam a Índia
Economia pode ser salvação para Índia

Muitos acreditam que eventos esportivos grandiosos dizem muito sobre um país. Se a afirmação for verdadeira, a preparação da Índia para os Jogos da Comunidade Britânica de 2010 não passou uma mensagem positiva do país para o mundo. Má higiene, transporte precário e segurança escassa foram apenas alguns dos defeitos apontados pela mídia internacional. O agudo contraste com os impecáveis Jogos Olímpicos de 2008 realizados na China mostram um abismo entre as situações atuais dos dois países. A economia pulsante da Índia, contudo, pode trazer surpresas positivas no futuro.

Apesar das manchetes, a Índia está se saindo muito bem no campo econômico, com uma expectativa de crescimento de 8.5% este ano. Apesar da riqueza indiana ainda ser quatro vezes menor que a chinesa, economistas acreditam que seu crescimento pode superar o da China em 2013. Na realidade, alguns economistas acham que a Índia irá crescer mais que qualquer outro país grande pelos próximos 25 anos – uma expectativa animadora para uma nação que abriga 1.2 bilhões de pessoas.

Há duas razões pelas quais a Índia deve ultrapassar a China em breve. Uma é a força demográfica. Enquanto a força de trabalho chinesa em breve estará velha e escassa – resultado da política de filhos únicos implantada no país –, a Índia nunca conseguiu implantar com sucesso nenhuma medida restritiva nesse sentido. A taxa de dependência da Índia – proporção de crianças e idosos em relação a adultos em idade de trabalho – é uma das mais positivas do mundo e deve continuar assim. Com isso, a força de trabalho indiana, jovem e crescente, pode funcionar como combustível para um verdadeiro milagre econômico.

A segunda razão é a ridicularizada democracia indiana. Mesmo que algumas teorias apontem o autoritarismo chinês como responsável por sua eficiência econômica, a liberdade da Índia permitiu o crescimento de diversas empresas privadas que cuidam de seus próprios negócios. Desde o início dos anos 90, quando a Índia acabou com o “licence raj” – série de medidas que dificultavam a abertura de empresas – e se abriu para o mercado externo, os negócios da Índia aumentaram exponencialmente. O país agora é lar de legiões de pequenos negócios prósperos e um grande número de negócios grandiosos. Essas empresas são menos dependentes do apadrinhamento do estado e, geralmente, mais inovadoras. Elas foram responsáveis por criar o carro de $2 mil e a operação cardíaca ultrabarata. Isto porque, ao contrário da constantemente censurada China, na Índia as ideias fluem livremente.

Da mesma maneira, o “capitalismo individualista” da Índia é mais robusto que o estatal da China. Enquanto empresas chinesas prosperam sob a batuta de um governo inteligente, um governo ruim pode causar muito mais estragos do que em um país como a Índia. Se, por exemplo, Mao ressurgisse hoje na China, não haveria mecanismos para derrubá-lo.

Por enquanto, os problemas da Índia são gritantes. O transporte público precário – combinado com o estado lastimável das estradas – faz com que grande parte do tempo dos empreendedores indianos seja passado no trânsito. As firmas ficam reféns dos custos de construir a própria infraestrutura – desde geradores a planos de tratamento de água. Além disso, a vantagem demográfica indiana pode não ser mais um trunfo se a grande maioria do povo continuar desempregada. Os níveis de alfabetização estão crescendo na Índia, mas ainda estão bem atrás dos chineses.

O governo indiano reconhece a necessidade de corrigir a crise da infraestrutura, e também está ficando melhor em persuadir empresas privadas a injetar capital. Mas o processo é lento e infestado de corrupção. Nesse sentido, a China ainda parece ter alguma vantagem, uma vez que se utiliza de métodos brutais – como atirar nas pessoas – para conter criminosos. Dada a escolha, a maioria dos investidores estrangeiros provavelmente preferiria investir na China. O mercado é maior e o governo mais fácil de lidar. Contudo, à medida que a economia global fica mais focada em conhecimento profissional, a vantagem da Índia irá aumentar. É algo a se pensar durante as horas passadas no trânsito de Nova Délhi.

Fontes:
Economist - India's surprising economic miracle

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