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EXPOSIÇÃO

As primeiras escritoras do Brasil

Exposição na Câmara mostra a história das primeiras escritoras brasileiras e suas respectivas batalhas pelo direito de manifestarem suas ideias

As primeiras escritoras do Brasil
Exposição acaba de ser prorrogada até o dia 3 de outubro (Foto: TV Câmara/Facebook)

Uma exposição em cartaz no Centro Cultural da Câmara dos Deputados mostra a história das primeiras escritoras brasileiras e suas respectivas batalhas pelo direito de manifestarem suas ideias e terem seus trabalhos reconhecidos por escritores contemporâneos, críticos e público, além de suas próprias famílias.

A exposição “As Mensageiras: Primeiras Escritoras do Brasil” foi aberta à visitação em 12 de setembro e acaba de ser prorrogada até o dia 3 de outubro. O nome da exposição é uma alusão ao periódico “A Mensageira: revista literária dedicada à mulher brazileira”, que circulou em São Paulo de 15 de outubro de 1897 até 15 de janeiro de 1900, numa época em que o nome “Brasil” ainda se escrevia com “z”.

Periódicos como “A Mensageira”, “O Sexo Feminino”, “O Jornal das Senhoras” e “A Família”, entre outros destinados às mulheres, incentivaram a criação autoral feminina na época, despertando um feminismo iniciante, e a consciência das mulheres para a necessidade de conquistarem seus direitos relacionados à educação, sexualidade, profissionalização, divórcio e voto.

A exposição atual faz parte da série “Histórias não contadas”, que resgata a memória de fatos históricos que foram omitidos e desprezados pela história oficial. Entre as escritoras homenageadas na exposição estão Nísia Floresta, Maria Firmina dos Reis, Emília Freitas, Júlia Lopes de Almeida e Carmem Dolores. Conheça abaixo um pouco da história dessas escritoras pioneiras.

Nísia Floresta

Foto: Wikipédia

Foto: Wikipédia

Considerada pioneira do feminismo no Brasil, Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, nasceu em 12 de outubro de 1810, em Papiri – município do Rio Grande do Norte que posteriormente passou a se chamar Nísia Floresta.

Sua primeira obra, “Direitos das mulheres e injustiça dos homens”, é o primeiro livro publicado no Brasil a tratar dos direitos das mulheres. Escrita em 1832, quando Nísia tinha 22 anos, o livro foi inspirado na obra “Vindications of the Rights of Woman”, da feminista inglesa Mary Wollstonecraft. Na obra, Nísia analisa os pensamentos da autora inglesa e traça suas próprias reflexões com base na realidade brasileira.

Inspirada por suas ideias, Nísia Floresta inaugurou, em 1838, uma escola para mulheres. Além de escrever sobre os direitos das mulheres, a escritora – que também defendia ideais republicanos e abolicionistas – escreveu sobre direitos das mulheres, escravos e índios.

Maria Firmina dos Reis

Foto: Wikipédia

 

Maria Firmina dos Reis nasceu em 11 de março de 1825, em São Luís, no Maranhão. Ela é considerada a primeira romancista do Brasil. Negra, filha de mãe branca e pai negro, Maria Firmina foi registrada sob o nome de um pai ilegítimo. Em 1859, ela publicou o romance “Úrsula”, o primeiro romance publicado por uma mulher no Brasil. O objetivo da obra era criticar a escravidão, por meio da humanização das personagens escravizadas. Em 1887, Maria Firmina escreveu o conto “A Escrava”, publicado na “Revista Maranhense”. A obra também descreve uma participante ativa na luta pela abolição da escravidão.

Além da carreira literária, Maria Firmina exerceu o magistério de 1847 a 1881 e participou ativamente da vida intelectual maranhense, colaborando com a imprensa local, além de publicar livros, participar de antologias e ser compositora.

Emília Freitas

Foto: Wikipédia

Foto: Wikipédia

Emília Freitas nasceu em 11 de janeiro de 1855, em Manaus, no Amazonas. Filha de militar, ela se mudou com a família para Fortaleza, no Ceará, após a morte do pai. Emília se formou professora e, em 1873, passou a colaborar em diversos jornais literário, escrevendo contos e poesias. A maioria das poesias foi compilada em um volume chamado “Canções do Lar”.

Emília Freitas exerceu o magistério no Instituto Benjamin Constant, onde lecionava para meninos. Em 1899, ela publicou sua principal obra, “A Rainha do Ignoto”, marcada por conter traços ficcionais, sendo considerada um dos primeiros trabalhos do gênero fantástico no Brasil. Emília também participou ativamente da Sociedade das Cearenses Libertadoras, grupo que tinha caráter abolicionista.

Júlia Lopes de Almeida 

Foto: Wikipédia

Foto: Wikipédia

Nascida no Rio de Janeiro, em 24 de setembro de 1862, Júlia Valentina da Silveira Lopes de Almeida foi escritora, teatróloga e defensora da causa abolicionista. Ainda criança, ela se mudou para Campinas, em São Paulo, onde iniciou sua carreira publicando textos na “Gazeta de Campinas”, numa época em que a literatura ainda não era vista como uma atividade para mulheres.

Mudou-se para Lisboa em 1886, onde lançou-se como escritora, junto de sua irmã, através do livro “Contos Infantis”. Casou-se com Filinto de Almeida, diretor da revista “A Semana Ilustrada”, onde passou a ser colaboradora sistemática de publicações. Em 1888, ao retornar para o Brasil, ela publicou seu primeiro romance, “Memórias de Marta”. Os temas das obras de Júlia sempre tratavam da abolição, direitos civis e da República. Ela também foi presidente da “Legião da Mulher Brasileira”, sociedade criada em 1919.

Carmem Dolores

Foto: Wikipédia

Carmem Dolores é o pseudônimo da escritora Emília Moncorvo Bandeira de Melo. Nascida em 11 de março de 1852, no Rio de Janeiro, ela foi uma das representantes feministas da estética naturalista do país.

Inicialmente, se tornou escritora por prazer, depois, pela necessidade financeira. Carmem foi pioneira na luta pela educação da mulher e pela valorização das mulheres no mercado de trabalho. Era a favor do divórcio, porém, não se mobilizou com relação ao sufrágio feminino. Sua obra mais famosa foi “A Luta”, livro de estética naturalista, publicado em folhetim pelo “Jornal do Commercio”, em 1909. Trabalhou com tanto afinco, que em 1910, ano de sua morte, foi considerada a colunista mais bem paga do periódico “O País”.

Fontes:
Câmara dos Deputados-Prorrogada a exposição sobre as primeiras escritoras do Brasil

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