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Coreia do Norte

Cerimônia pode ter determinado sucessor de Kim Jong II

Analistas acreditam que conferência secreta discutiu sucessão do líder supremo norte-coreano e reformas na economia

Cerimônia pode ter determinado sucessor de Kim Jong II
Kim Jong II deve passar o cargo para o filho mais novo, Kim Jong Un

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Delegados de toda a Coreia do Norte se reuniram em Pyongyang para uma conferência especial – talvez o evento mais importante realizado pelo Estado stalinista nos últimos trinta anos. Pôsteres espalhados pela capital celebravam a ocasião como “algo que brilhará eternamente na história de nosso partido e nosso país”. Membros do governo da Coreia do Sul afirmam ter visto mísseis e tanques na cidade, sendo preparados para um grande desfile militar.

Tais conferências são raras: apenas duas foram realizadas desde que o país foi criado, após a Segunda Guerra Mundial, e essa é a primeira convocada pelo líder norte-coreano Kim Jong II. Num país extremamente centralizado, onde as Forças Armadas e o Partido Comunista mantêm o controle, Kim Jong II já havia recusado conferências semelhantes. Logo, o fato da convocação ter partido do líder, após duas visitas à China – grande aliado do país – está sendo encarado como o sinal de que possíveis mudanças estejam a caminho.

A possibilidade mais óbvia é a de que o encontro dê início ao processo de sucessão. As duas conferências anteriores, em 1958 e 1966, resultaram na eleição (ao estilo soviético) de vários membros do governo, logo após a eliminação de diversos “inimigos do regime”. A nova reunião deve apontar o filho mais novo de Kim Jong II, Kim Jong Un, como seu herdeiro. Se for este o caso, o próximo líder norte-coreano será um jovem, ainda na casa dos 20 anos, educado na Suíça, e nunca testado politicamente, que receberá um importante posto no comitê central do Partido dos Trabalhadores Coreanos. Uma grande propaganda também é esperada. A rádio aberta da Coreia do Norte afirmou que 10 milhões de retratos do jovem foram encomendados, e serão distribuídos após o fim da conferência.

A ascensão de Kim Jong II se deu de maneira parecida, quando ele foi elevado após o congresso do Partido, em 1980. Nos 14 anos que se seguiram até a morte de seu pai, Kim II Sung (conhecido como “O Grande Líder”), ele assumiu cada vez mais responsabilidades, até se tornar o chefe da nação de fato, nos últimos anos da vida de seu pai. Seu filho talvez tenha menos tempo de aprendizado: a saúde de Kim Jong II vem preocupando o Partido, e seu filho terá a missão de reunir experiência e conquistar a lealdade de seu povo de maneira rápida para evitar um fim prematuro no controle da Coreia do Norte. E ao contrário de seu pai em 1980, o jovem Kim tem pouca ou nenhuma experiência em assuntos políticos e militares. Sua autoridade, por enquanto, deriva única e exclusivamente do fato de ele ser o filho favorito de seu pai.

Boa parte da resolução desse processo dependerá da posição de Chang Sung Taek, cunhado do líder norte-coreano, e segundo homem mais poderoso do país. Ele é considerado um dos arquitetos da sucessão, e Kim Jong Un dependerá de seu apoio para conquistar o partido e os militares. Conquistar a simpatia dos chineses também deverá ajudá-lo. Ainda assim nada pode garantir que a elite do país aceitará um jovem fã de basquete de 27 anos como seu novo líder, e seu tio como regente. E mesmo que os delegados levantem a possibilidade de elevar Kim Jong Un, analistas apostam que a conferência pode ter produzido vários outros resultados. Com a economia fragilizada e o país se tornando cada vez mais dependente da China, muitos crêem que reformas possam ter sido discutidas no encontro. Embora ninguém espere uma transformação liberal ao estilo de Deng Xiaoping, uma abertura, pelo menos em relação à China, é possível. E a tentativa pode vir das mãos de um jovem.

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Fontes:
Economist - Third Kim lucky?

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