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Condado do Tennessee tenta impedir construção de mesquita

População de Murfreesboro afirma que templo muçulmano gerará 'terrorismo e incitação às práticas das leis da sharia'

Condado do Tennessee tenta impedir construção de mesquita
Um debate teológico (Fonte: AP)

Em novembro de 2009, o Centro Islâmico de Murfreesboro comprou um pedaço de terreno no qual pretendia erguer uma nova mesquita e um centro comunitário. A congregação havia se expandido e já era grande demais para seu espaço atual, num pequeno edifício comercial, atrás de uma companhia de pesquisas e de uma oficina mecânica; nas sextas-feiras os fiéis rezavam nas calçadas, e nos feriados era necessário alugar outros espaços, capazes de comportá-los.

Em janeiro, a placa que anunciava a construção do centro no terreno foi vandalizada com a mensagem “Not Welcome”, indicando que os muçulmanos não eram bem-vindos em Murfreesboro. A placa voltou a ser vandalizada em junho, uma semana depois de uma audiência com a Comissão do Condado, na qual um pastor ter declarado que a população “tinha o direito de investigar qualquer um sob a bandeira do Islã”. No mesmo mês, a candidata republicana de Murfreesboro a uma vaga no Congresso se declarou contrária “à construção de um centro de treinamento islâmico em nossa comunidade”. Em agosto, o equipamento de construção no terreno foi incendiado.

Portanto, talvez não seja coincidência que três moradores do condado de Rutherford tenham entrado com um pedido legal em setembro, para interromper a construção da mesquita. Os acusadores afirmam que “foram e serão irreparavelmente lesados pelo terrorismo gerado pelo proselitismo do Islã e pela incitação às práticas das leis da Sharia”, que segundo eles, “defende o abuso sexual de crianças, o espancamento e o abuso físico de mulheres, proclamações de leis que pedem a morte, assassinatos em nome da honra, assassinatos de homossexuais, mentiras descaradas àqueles que não se submetem às leis da Sharia, zonas livres de Constituição e dominação mundial total”. Murfreesboro teve uma mesquita por décadas, e ela não parece infestada de “zonas livres de Constituição”; como o risco se intensifica com a mudança para um templo maior ainda é algo que permanece pouco claro.

Também não está claro o porquê do presidente da audiência ter permitido um testemunho tão abrangente. A defesa convocou apenas uma única testemunha, que afirmou que a Comissão de Planejamento do condado seguiu o procedimento burocrático. A acusação convocou 17 testemunhas, inclusive Frank Gaffney, que comanda uma usina de ideias em Washington e fala constantemente sobre os perigos da Sharia (no tribunal, ele declarou: “não sou um especialista na Sharia, mas já falei várias vezes sobre o assunto como uma ameaça”). Seu advogado se concentrou não nas leis com respeito a encontros abertos, mas sim, nas incompatibilidades entre a Sharia e as leis norte-americanas; na dúvida se o islã é ou não uma religião (o status de religião foi confirmado pelo governo federal), e se a invocação das leis da Sharia seria protegida pela primeira emenda.

Essa diferença permaneceu até os argumentos finais. A recapitulação da defesa se concentrou em aspectos do procedimento e argumentou que a única intenção dos acusadores foi “criar um grande show”. Tom Smith, um dos advogados de acusação insistiu que os muçulmanos são bem-vindos nos Estados Unidos, “desde que não venham nas sombras da Sharia, mas sim, sob a luz da liberdade”, se questionou se “as sombras da Sharia” não estiveram presentes nos encontros no condado de Rutherford. A decisão do juiz foi a favor da defesa, mas isso não significa que o conflito tenha acabado. Smith afirma que a “extraordinária reação pública” continuará se o projeto da mesquita não for interrompido. Seu colega Joe Brandon espera levar o caso à Suprema Corte. Mas só porque um prédio não poderá ser construído, não significa que as pessoas que o frequentariam irão desaparecer.

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Fontes:
Economist - Islam in Tennessee: An uncivil action

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