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Espionagem nos EUA

Criptografia usada na internet é um livro aberto para a NSA

Documentos vazados por Edward Snowden mostram como a NSA está vencendo a batalha contra os métodos de criptografia que protegem o tráfego na internet

Criptografia usada na internet é um livro aberto para a NSA
Novos documentos vazados por Snowden mostram como a NSA decodifica mensagens criptografadas (Reprodução/NYT)

Nos últimos meses, documentos do governo americano vazados pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden mostraram o amplo alcance da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) no recolhimento de grandes quantidades de comunicações digitais ao redor do mundo. Nesta quinta-feira, 5, novos documentos vazados por Snowden e divulgados pelo jornal New York Times revelam como a agência americana consegue decodificar as mensagens que são automaticamente criptografadas na internet e ler as informações que recolhe.

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De acordo com o jornal, a NSA está vencendo a batalha contra os métodos de criptografia que protegem o tráfego na internet.  A agência de espionagem usa supercomputadores, truques técnicos, ordens judiciais e o bom e velho poder de persuasão do governo americano para minar as principais ferramentas de privacidade das comunicações na internet.

Segundo os documentos vazados, a agência já conseguiu decodificar grande parte dos sistemas de criptografia usados no comércio global, sistemas bancários, segredos comerciais, registros médicos,  e-mails, pesquisas na web, chats na internet e chamadas telefônicas nos EUA e no mundo.

Muitos usuários assumem — ou foram assegurados por empresas de internet — que seus dados estão a salvo de olhares indiscretos, incluindo os do governo. A NSA gostaria de mantê-los sob essa ilusão. A agência trata seus sucessos recentes em decifrar informações protegidas como um de seus segredos mais bem guardados, restrito apenas àqueles com acesso a um programa altamente confidencial de codinome Bullrun.

Além de dispor de um orçamento anual milionário e computadores super-rápidos para quebrar códigos, a agência colabora com as empresas de tecnologia nos EUA e no exterior para construir pontos de entrada nos produtos comercializados para internet.  Em muitos casos, a agência consegue invadir computadores considerados alvos e surrupiar mensagens antes de que sejam criptografadas. A agência também explora o fato de ser a fabricante de códigos para computador mais experiente do mundo para introduzir falhas nos padrões de criptografia comumente usados por desenvolvedores de hardware e software.

O sucesso da agência em destruir muitas das proteções à privacidade oferecidas pela criptografia não muda as regras que proíbem o ataque deliberado do governo contra dados, emails ou chamadas telefônicas de americanos e estrangeiros, mas mostra que a agência não é limitada pelas atuais tecnologias de privacidade.

O fundador da Lavabit, uma pequena empresa de criptografia de e-mails que fechou as portas recentemente em vez de cumprir as exigências da agência americana, que pedia informações confidenciais de seus clientes (um dos quais era Edward Snowden), escreveu recentemente uma carta aberta com um aviso sombrio: “Sem uma ação do Congresso ou um forte precedente judicial”, escreveu Ladar Levison, “eu desaconselho fortemente qualquer um a confiar seus dados privados a uma empresa com laços físicos nos Estados Unidos”.

Fontes:
The New York Times - NSA Foil Much Internet Encryption

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1 Opinião

  1. Carlos U. Pozzobon disse:

    Cerca de 14 anos atrás, ficou acertado entre entidades de segurança nos EUA que os certificados de criptografia a serem utilizados pelas instituições privadas para a proteção de dados, deveriam ser codificados em até 128 bits, permitindo uma segurança em transações muito além das possibilidades de quebra de código por sistemas convencionais de computação. Mas poderiam ser quebrados com o uso de supercomputadores que seriam vendidos pela IBM (e similares) somente para entidades aceitas pela comunidade internacional, porém com fiscalização de rotina por órgãos especiais. A questão da criptografia comercial ficava assim sob a possibilidade de ser quebrada, pois agências de segurança precisavam controlar as informações que circulavam em transações suspeitas, a razão de ser do combate ao terrorismo internacional. Todavia, os órgãos de defesa ficavam livres para utilizar algoritmos mais poderosos que o de 128 bits, bem como agências de combate ao crime. Desde então, muita coisa deve ter mudado, mas é preciso ter em mente o seguinte: não existe capacidade de computação instalada para quebrar códigos de todas as transações efetuadas diariamente no mundo. Isto é balela. Um supercomputador tem que rodar horas, dias e até semanas para quebrar um código, e claro, somente então passar a revelar todas as transações utilizadas com ele. Como no mundo circulam bilhões de transações diárias, naturalmente que elas vão ficar guardadas para sempre sem serem escrutinadas, mesmo que não sejam criptografadas. Portanto, o cidadão comum, que vive dentro da lei, certamente nunca vai ser bisbilhotado, e mesmo quando aparecem tipos como Edward Snowden, não é possível dizer com detalhes o que está sendo espionado, porque ele está para o conjunto das informações como um porteiro de um estádio de futebol por onde passam milhares de pessoas, que pode dizer apenas que ouviu alguém falando tal coisa, mas jamais poderia ter conhecimento do que aquelas milhares de pessoas falaram durante os 90 minutos de jogo. Portanto, os governos bolivarianos devem sim se preocupar com a espionagem, pois eles certamente foram, são e serão alvos de tentativas de quebra de código. Mas se estes governos desrespeitam as suas leis, abrigam organizações terroristas e criminosos exilados, publicam decretos permitindo ações sigilosas em atos públicos e tudo fazem para ocultar a obrigatória transparência de seus atos, podemos esperar que seu secretismo seja mesmo revelado: para o bem de todos e a felicidade geral da nação.

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