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Zona de Livre Comércio de Xangai

Entenda a nova zona de livre comércio da China

Promissora iniciativa decepcionou por não incluir várias reformas esperadas, como acesso à internet sem censura , os cortes nos impostos corporativos e permissão de venda de antiguidades para leiloeiros estrangeiros

Entenda a nova zona de livre comércio da China
As novas regras, porém, não incluirão várias reformas esperadas, como acesso à internet sem censura (Reprodução/Internet)

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Depois de semanas de especulações sobre seu funcionamento, a Zona de Livre Comércio de Xangai (ZLCX) foi inaugurada no dia 29 de setembro. A iniciativa traz incentivos como a redução de taxas e a flexibilidade nas regras para instalação de empresas de investidores internacionais.

Líderes chineses descreveram o evento com um momento marcante, comparável à criação, há mais de três décadas, da Zona Econômica Especial de Shenzhen, perto de Hong Kong, que marcou o início de reformas no país e desencadeou um crescimento espetacular. Na inauguração da ZLCX, as autoridades usaram a palavra “inovação” 43 vezes. Mas, apesar das expectativas a iniciativa foi um pouco decepcionante, dizem especialistas.

As novas regras não incluirão várias reformas esperadas, como  acesso à internet sem censura , os cortes nos impostos corporativos e permissão de venda de antiguidades para leiloeiros estrangeiros.

Além disso, a “lista negativa ” de setores em que os estrangeiros não podem investir surpreendeu. Em teoria, a lista de proibição de investimentos deveria ser relacionada à armas, drogas e pornografia. Isso seria “ser amigável com o investidor”. A despeito disso, a lista negativa da ZLCX contém mais de mil áreas proibidas.

Para o especialista da Universidade de Finanças e Economia de Xangai, Chen Bo, a China continua ambiciosa. “Não se deixe enganar pela cautela no início “, diz. Ele acredita que  fatores internos e externos estão forçando uma mudança no modelo econômico chinês.

A opinião é corroborada pelo o ex-embaixador brasileiro em Pequim, Clodoaldo Hugueney. Para ele, a abertura da zona franca de Xangai é um ensaio para o que será anunciado no Terceiro Plano, quando acontecerá a reunião do Partido Comunista, em novembro. Neste evento se tornará pública a nova agenda de reformas da China. “A primeira fase acabou. Agora eles têm que abrir o mercado financeiro”, disse.

No país, o aumento dos salários e uma força de trabalho envelhecida estão pressionando a China para a “armadilha da renda média “, onde a produção nacional não consegue acompanhar a demanda. Soma-se a isso as alianças entre países que competem e se faz necessário para a China liberalizar.

Para Kenneth Jarrett, diretor da Câmara de Comércio Americana em Xangai, o maior avanço da Zona é a “previsibilidade da regulação”. Ele observa que as implementações das regras na China oscilam ao longo dos anos e das regiões, criando uma tremenda incerteza para investidores.  Ele espera que o comitê de organização da ZLCX ajude na administração geral, diminuindo a burocracia e a “necessidade de controle” do governo.

 

 

Fontes:
Carta Capital-O que é a zona franca de Xangai?
The Economist-The next Shenzhen?

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