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EUA devem conter a fúria para lidar com vazamentos

Em meio à revolta nacional, autoridades devem aprender com os erros do passado e respeitar suas próprias regras

EUA devem conter a fúria para lidar com vazamentos
Wikileaks vazou 250 mil documentos secretos na internet (fonte: Economist)

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Crimes sérios exigem respostas duras. Em qualquer país, o roubo e a publicação de 250 mil documentos governamentais secretos seriam passíveis de punição. Se o vazamento custar vidas — além das carreiras e a confiança que já foram destruídas em meio às revelações do WikiLeaks –, a necessidade de ação é ainda mais forte.

Da mesma maneira, um governo não deveria ter medo de agir só porque seus adversários são populares e revidam. O fato de que os jacobinos digitais do WikiLeaks têm um culto não deveria salvá-los de uma condenação ou um processo. Remover material ilícito da internet é difícil. Mas governos gastam muito dinheiro, com razão, para desmantelar conteúdos como pornografia infantil, técnicas de fabricação de bombas e quebras de direitos autorais na internet. Da mesma maneira, desencorajar o WikiLeaks e aqueles que dão apoio financeiro e técnico ao site é justificado para políticos eleitos em um estado regido pela lei.

Contudo, calibrar esta resposta levanta questões de princípios, prática e prioridade. Empresas seguirão seus caminhos. Algumas, como a PayPal, a Visa e a MasterCard, que abrigaram doações ao WikiLeaks, e a Amazon, provedora de serviços de hospedagem na internet, abandonaram o site em resposta à fúria norte-americana. Mais firmas podem segui-las. Elas sofrem riscos de ataques dos fãs do WikiLeaks, da mesma maneira que aqueles que se recusam a abandoná-lo enfrentam hostilidade de seus clientes nos Estados Unidos. Uma pena: o mundo dos negócios é cheio de escolhas difíceis.

Para o governo norte-americano, processos – e não perseguições – oferecem a melhor chance de limitar os danos e impedir roubos futuros. Os clamores vociferantes pelo assassinato de Julian Assange – fundador do WikiLeaks atualmente sob custódia em Londres e aguardando a extradição para a Suécia sob alegações misteriosas de abuso sexual – parecem fracos e repulsivos. Se Assange quebrou alguma lei norte-americana, ele deve ser julgado, assim como Bradley Manning, a suposta fonte que vazou os documentos. De qualquer maneira, talvez sirva de consolo o fato de que os documentos revelaram um retrato lisonjeiro dos diplomatas norte-americanos: conscienciosos, equilibrados, bem-informados, perceptivos e ocasionalmente eloquentes.

Não criem um Afeganistão digital

Se os Estados Unidos se mantiverem fiéis a estes padrões agora, irão demonstrar uma força e uma sanidade que contrastam com o absolutismo e cyber-vandalismo dos partidários do WikiLeaks. Chamar Assange de terrorista, por exemplo, é contraproducente. Suas cyber-tropas não manobram aviões em prédios, não atiram ácido em garotas de escola e tampouco assassinam infiéis. Na realidade, as poucas similaridades verdadeiras entre o WikiLeaks e o Talibã – suas capacidades de fuga e vastas bases de apoio – depõem contra ataques infundados que simplesmente aumentam este apoio. Após uma semana de tentativas atrapalhadas de fechar o WikiLeaks, ele agora é hospedado em mais de 700 servidores ao redor do mundo.

O grande perigo é que os Estados Unidos sejam provocados a alterar ou quebrar suas próprias regras, desgastando alianças, erodindo a credibilidade e, uma vez que não serão capazes de silenciar o WikiLeaks, passando uma imagem de impotentência. Recentemente, o país vem promovendo a internet como um perigo à censura estrangeira. Isso parece um embuste agora. Assim como pareceu sua alegria de sediar o World Press Freedom Day do ano que vem. O regozijo da China e da Rússia com o desconforto norte-americano é um sinal claro de erros de conduta.

As melhores lições para se manter em mente são aquelas aprendidas de maneira tão custosa durante a “Guerra ao Terror” da última década. Lide com a fonte dos problemas, e não apenas com seus sintomas. Mantenha a superioridade moral. E escolha brigas que você pode vencer.

Fontes:
Economist - The right reaction

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Hta disse:

    É a guerra cibernética está acirrada.
    É preciso diplomacia e atitudes certas
    para encerrá-la.

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