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Futuro econômico da Irlanda preocupa zona do euro

Primeiro-ministro afirma que país não precisa de resgate, mas reconhece crise no setor bancário

Futuro econômico da Irlanda preocupa zona do euro
Brian Cowen, primeiro-ministro da Irlanda (Fonte: EPA)

As diretrizes de um novo pacote de resgate para a Irlanda estão surgindo a partir do turbilhão da mais recente crise na zona do euro. Enquanto os ministros financeiros se reúnem em Bruxelas, o governo irlandês está fazendo a distinção entre o que precisa e o que não precisa ser salvo: o Estado irlandês não precisa de um resgate, mas o setor bancário precisa de ajuda para se reestruturar.

O Banco Central Europeu, que vem tentando ajudar, comprando títulos do governo irlandês para estimular as finanças nacionais, quer que a Irlanda invista dezenas de bilhões em fundos europeus para estabilizar seu setor bancário, e evitar um possível contágio para os outros países da zona do euro. Portugal já dá sinais de que pode seguir pelo mesmo caminho, e a Grécia trava uma batalha de nervos com a Alemanha. Como muitos, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, culpou a Alemanha por aterrorizar os mercados ao buscar um sistema de reestruturar as dívidas dos países que lutam para pagá-las. “Isso pode levar as economias à falência”, diz Papandreou.

O primeiro-ministro irlandês Brian Cowen, insiste que seu país não precisa de um resgate, já que tem reservas suficientes para se manter bem até o próximo verão. Essa é uma estranha reversão da crise grega. Naquela ocasião eram os doadores que estavam relutantes. Agora são os receptores que estão incertos quanto a aceitar a oferta.

Uma opção considerada é a de chamar o resgate de ajuda ao setor bancário. Há lógica no planejamento, já que o colapso do setor é o centro do problema. A esperança é de que a ajuda seja sólida o suficiente para fazer com que os bancos irlandeses sejam comprados por estrangeiros, o que ajuda a aliviar a crise do setor no país.

Considerando as garantias globais que o Estado dá ao setor bancário, é difícil determinar onde termina a crise bancária e começa a crise de soberania fiscal. Ainda assim, essa ação salvaria o amour-propre do governo irlandês, e o ajudaria a afirmar a manutenção da tão batalhada soberania.

Uma das opções é usar apenas recursos da Comissão Europeia, talvez com ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI). Essa é uma opção atraente, já que o dinheiro da CE pode ser liberado mais com apenas um voto da maioria dos 27 países da União Europeia, ao invés da unanimidade dos 16 países da zona do euro, necessária para usar os recursos do Fundo de Estabilidade Financeira Europeia. E por ser parte do orçamento “europeu”, a manobra acaba com a impressão de que a Alemanha está tirando dinheiro dos próprios bolsos para salvar estrangeiros novamente. Pelo menos, imagina-se que o tribunal de Karlsruhe seria menos críticos dos usos dos fundos comunitários.

O problema é que, ao amenizar as sensitividades alemãs, os irlandeses podem ainda assim, sair dessa situação extremamente irritados. Com o dinheiro da Comissão, a participação alemã seria menos evidente, mas isso requeria a participação de outro país, membro da Comunidade Europeia, mas não da zona do euro: o Reino Unido, o antigo colonizador.

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Fontes:
Economist - The Irish problem

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