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ESTADOS UNIDOS

Estados americanos divergem sobre imigrantes ilegais

Estado sulista proíbe imigrantes de frequentarem universidades públicas

Estados americanos divergem sobre imigrantes ilegais
Estudantes fazem campanha a favor da lei DREAM em São Francisco (Fonte: SFGate)

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Tudo começou com uma multa de trânsito. Em março, Jessica Colotl, uma mulher de 21 anos, formada em ciências políticas pela Kennesaw State University, foi presa por “impedir o fluxo do tráfego”. Autoridades do condado de Cobb, que participam de um programa da lei federal de imigração, descobriram que Colotl estava nos Estados Unidos ilegalmente, tendo chegado ao país com seus pais aos dez anos de idade. Ela se formou no colégio com uma média de notas A, e sonhava em ser uma advogada. No entanto, ela provavelmente será deportada na primavera, depois de se formar.

Se Tom Rice conseguir o que quer, não haverá mais casos como o de Jessica Colotl. Em outubro, o Conselho de Regentes da Georgia, que controla as universidades públicas do estado, baniu imigrantes ilegais de cinco das suas mais populosas universidades, e determinou que eles não podem ser admitidos em outras 30 instituições na frente de residentes legais qualificados. O Conselho encontrou 501 estudantes sem documentos entre os 310 mil que freqüentam as universidades públicas da Georgia. Para Rice, um congressista republicano do estado, isso não foi suficiente; ele pré-propôs uma lei juntamente com a Assembleia estadual que pretende banir os imigrantes ilegais de todas as universidades públicas. Caso ela seja aprovada no legislativo em janeiro, a Georgia será juntamente com a Carolina do Sul, o único estado com tal lei.

Na mesma semana em que Rice propôs sua lei, o Tribunal Supremo da Califórnia decidiu por unanimidade, que os imigrantes ilegais teriam direito a freqüentar as universidades públicas pagando o valor de mensalidade dos estudantes estaduais; nove outros estados têm leis semelhantes. E há também a lei DREAM, que busca legalizar os imigrantes com menos de 35 anos que chegaram aos Estados Unidos antes dos 16 anos, e completaram o ensino médio, ou aqueles que completaram uma educação semelhante e serviram dois anos o serviço militar ou no ensino superior, e mantiveram “bom caráter moral”.

O Migration Policy Institute, uma usina de ideias, estima que 2,1 milhões de pessoas – 934 mil delas abaixo dos 18 anos – em todo o país teriam direito a buscar a cidadania norte-americana. Mais de um quarto desse total vive na Califórnia; menos de 3% deles estão na Georgia, mas entre a população hispânica do estado, cerca de 11% – a quarta maior proporção do país – poderia se beneficiar da lei DREAM.

De acordo com o Pew Hispanic Centre, havia cerca de 425 mil imigrantes ilegais na Georgia em 2009, o que seria equivalente a 6,5% da força de trabalho do estado. Alguns estimam que na agricultura, o principal setor do estado, metade dos trabalhadores esteja em condições ilegais. Um painel legislativo considera a possibilidade de adotar leis semelhantes às do Arizona, que reforçam as leis federais de imigração e torna a contratação de imigrantes ilegais um crime. E em 2005, um legislador da Georgia propôs uma lei que bania os imigrantes ilegais de todas as instituições públicas de ensino (embora a Suprema Corte tenha declarado o procedimento como ilegal, em 1982).

Harry Reid e Nancy Pelosi afirmam que querem que o Congresso vote a lei DREAM no início de dezembro. Esse seria o momento ideal ou talvez a última chance: o Congresso que tomará posse em janeiro é muito mais favorável aos Tom Rices do que às Jessicas Colotls.

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Fontes:
Economist - Immigrants and higher education: School daze

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