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Guerra urbana?

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Leia a primeira reportagem exclusiva da nossa série sobre violência.

A violência cresce em todos os níveis no Rio de Janeiro, em todas as classes sociais e em todas as regiões, pobres e abastadas. A quantidade e o requinte de perversidade dos homicídios dolosos – nos quais o criminoso tem a intenção de matar – estão muito acima das expectativas até dos mais pessimistas.

 

Adolescentes cometem crimes bárbaros. Em uma semana do mês de março, 12 policiais foram exterminados. E, como foi largamente noticiado, estrangeiros que investiram em projetos sociais tornaram-se vítimas letais justamente de um homem que tentaram ajudar. Tudo acontece, na avaliação do advogado Jorge Béja, porque a legislação ficou frouxa. Criminosos cumprem apenas um sexto da pena. Se condenados a 18 anos de reclusão, em três já estão na rua, destaca.

Béja lembra que, no Iraque, depois da invasão dos Estados Unidos, morrem, em média, 40 civis por dia. No Rio, com democracia e paz, morrem 20 no mesmo período. Trata-se, portanto, de uma guerra urbana, segundo ele. Há um estado anárquico cravado dentro de um Estado dito de direito. Não tem saída, diz, e com ironia sugere um armistício. Veja bem, isso é um escândalo no mundo jurídico. Sei que vou ser apedrejado. O Estado – o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral – deve sentar-se à mesa com os líderes do tráfico. Fazer um edital oficial reconhecendo sua impotência para destruir a violência e negociar uma trégua. É uma blague, mas talvez seja a melhor maneira de cumprir a Constituição que, no Artigo 144, determina que a segurança é dever do Estado com a colaboração de todos.

Para José Pereira de Oliveira Júnior, do Movimento Cultural AfroReggae (CGAR), a pior violência é a fome. O AfroReggae surgiu em janeiro de 1993, com o objetivo de oferecer formação cultural e artística para jovens moradores de favelas de modo que eles tivessem meios de construir suas cidadanias e escapar do caminho do narcotráfico e do subemprego. Ele destaca que, no Brasil, os níveis de educação e escolaridade da população são iguais ao de Serra Leoa, na África. Os investimentos em projetos sociais e de meio ambiente estão abaixo da crítica e a violência (caso do menino João Hélio, arrastado até a morte por sete quilômetros por um carro conduzido por três adolescentes), infelizmente, consegue mais status na mídia do que fatos em benefício do povo. As pessoas esquecem dos progressos. Coisas boas não têm visibilidade. Se tivessem 10% do espaço do crime na mídia, elas iam achar que estavam em outro mundo, argumenta. Situações como a dos franceses assassinados são únicas e isoladas para ele.
Béja, que em 33 ações contra o Estado perdeu apenas três, assinala que os pais do menino João Hélio só tiveram o apoio da imprensa porque não culparam diretamente o Estado. Pode observar que, a partir do dia em que declararam a intenção de processar o Estado, o apoio da mídia cai. Dessas causas – pessoas assassinadas por falta de policiamento, por exemplo -, 70% a 80% são ganhas em primeira instância, 10% em segunda instância (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) e todas acabam sendo derrubadas pelos tribunais superiores, em Brasília. A Justiça entende que o Estado não tem condições de colocar um policial ao lado de cada cidadão, explica. Na avaliação de José Júnior, o problema no País não é só deste tipo. Não se fala mais das CPIs, de crimes de colarinho branco. Foram abafados, de propósito ou não, por outros.

Júnior admite existir um terror generalizado. A desesperança é do pobre e do rico. Hoje, quem está no gueto é quem tem dinheiro. Tem que se blindar. Se o filho sai às 9 da noite, não chega até uma hora da manhã e o celular está desligado, entra em pânico. Vivemos um momento histórico muito especial. Começa a haver diálogo entre as classes sociais. O governador Sérgio Cabral acabou de assumir, não tem participação nesse caos. Pelo contrário, provocou o debate. Fala-se abertamente sobre drogas, menor idade penal, entre outros assuntos, antes quase que proibidos. Sei que é difícil pedir à população mais do que ela já dá. Mas a gente tem que acreditar que é possível mudar, incentiva.

Leia as outras reportagens da série sobre violência na quarta-feira (4/04) e na sexta-feira (6/04).

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

24 Opiniões

  1. Pato disse:

    NÃO SE TRATA DE GUERRA. NA GUERRA, OS DOIS LADOS TEM ARMAS. NO RIO, A SOCIEDADE DESARMADA É ELIMINADA, LENTAMENTE, SEM TER COMO SE DEFENDER, A NÃO SER PELAS PROMESSAS HIPÓCRITAS, INCLUSIVE DE ONG'S, OU QUEM SABE COM UM SANTINHO. COMO FICOU AQUELE ” PÉSSIMO EXEMPLO ” DO CASAL QUE PERDEU SEU FILHO DE 6 ANOS, E ANTES DO ASSASSINATO PELOS ” ADOLESCENTES “, SUA MÃE AINDA FOI CHAMADA DE VAGABUNDA? E AQUELES TRABALHADORES TORRADOS NO ÔNIBUS? E POR AÍ VÃO MILHARES DE VÍTIMAS INOCENTES. É DIFÍCIL PENSAR EM MUDANÇAS, SEM PENAS SEVERAS, COMO A CAPITAL, DOA A QUEM DOER.

  2. Pato disse:

    NÃO SE TRATA DE GUERRA. NA GUERRA, OS DOIS LADOS TEM ARMAS. NO RIO, A SOCIEDADE DESARMADA É ELIMINADA, LENTAMENTE, SEM TER COMO SE DEFENDER, A NÃO SER PELAS PROMESSAS HIPÓCRITAS, INCLUSIVE DE ONG'S, OU QUEM SABE COM UM SANTINHO. COMO FICOU AQUELE ” PÉSSIMO EXEMPLO ” DO CASAL QUE PERDEU SEU FILHO DE 6 ANOS, E ANTES DO ASSASSINATO PELOS ” ADOLESCENTES “, SUA MÃE AINDA FOI CHAMADA DE VAGABUNDA? E AQUELES TRABALHADORES TORRADOS NO ÔNIBUS? E POR AÍ VÃO MILHARES DE VÍTIMAS INOCENTES. É DIFÍCIL PENSAR EM MUDANÇAS, SEM PENAS SEVERAS, COMO A CAPITAL, DOA A QUEM DOER.

  3. Thomas Toth disse:

    A violencia no Rio é como o Dengue:Se não eliminar o mosquito, não acaba com o Dengue.Se não eliminar o traficante,o pratagonista de seqüestros, de latrocínios e de crimes hediondos, com uma pena de morte terapêutica, o poder paralelo vai continuar matando dezenas de inocentes todos os dias. Não adianta uma medida placebo para um caso tão grave.O sistema carcerário é obsoleto e inviável para a situação do país. Para abrigar os apenados, seria preciso construir dois presídios por semana.Mais da metade dos detentos fugiram e não foram recapturados.Apenas 5% dos homícidios são elucidados e 1% julgado. Pensem nisso e vejam que a única solução é a Pena de Morte Terapêutica, e já.

  4. Thomas Toth disse:

    A violencia no Rio é como o Dengue:Se não eliminar o mosquito, não acaba com o Dengue.Se não eliminar o traficante,o pratagonista de seqüestros, de latrocínios e de crimes hediondos, com uma pena de morte terapêutica, o poder paralelo vai continuar matando dezenas de inocentes todos os dias. Não adianta uma medida placebo para um caso tão grave.O sistema carcerário é obsoleto e inviável para a situação do país. Para abrigar os apenados, seria preciso construir dois presídios por semana.Mais da metade dos detentos fugiram e não foram recapturados.Apenas 5% dos homícidios são elucidados e 1% julgado. Pensem nisso e vejam que a única solução é a Pena de Morte Terapêutica, e já.

  5. Maria Marina Silva disse:

    Acho que as opiniões acima trazem um terrível preconceito em relação aos pobres e afrodescendentes.

  6. Maria Marina Silva disse:

    Acho que as opiniões acima trazem um terrível preconceito em relação aos pobres e afrodescendentes.

  7. Diogo Leite disse:

    A MMS está certa! Com pena de morte, no Brasil, só PPPs (pretos, pobres e prostitutas) serão mortos! Deixem de racismo e hipocrisia!

  8. Diogo Leite disse:

    A MMS está certa! Com pena de morte, no Brasil, só PPPs (pretos, pobres e prostitutas) serão mortos! Deixem de racismo e hipocrisia!

  9. Markut disse:

    Vejo um festival da barbaridades sendo ditas, o que mostra ,claramente, o estrago que a omissão e incompetência do estado fizeram, na sociedade.
    A curto prazo, medidas punitivas eficientes, são imprescindiveis. Isso passa pelo cumprimento da lei penal , já existente, mesmo com as suas falhas, e a vontade política de se dispor , sem hipocrisia, a tornar possivel a convivência social.
    O que tem que ser extirpado, a médio e longo prazo, é a qualidade dos nossos representantes, através, da alocação massiça de recursos do estado, para a educação de base competente, o que, nada mais é, do que uma clara obrigação do Estado, que ele está descumprindo.
    Antes disso, não será possivel criar o clima necessário de expectativa otimista para esse bando de jovens, desestimulados , pela falta de perspectivas, que o despreparo acarreta, quando se trata de obter um trabalho digno.
    A tão apregoada “inteligência” de que a polícia se gaba, afim de coibir o crime organizado, esbarra num primeiro obstáculo , que é a comprovada cumplicidade entre marginal e polícia, a ponto de não se saber a quem temer mais.
    Isto parece ser fruto do mau exemplo, vindo de cima, pois temos uma pirâmide social, cujo topo está apodrecido.
    Reforma política já refletindo, inclusive, na moralização dos três poderes, são caminhos necessários e urgentes.
    Se um Estado, como o atual, permite que as coisas cheguem a esses extremos (violência, corrupção, tráfego aéreo, etc), sem conseguir impor a sua autoridade, estamos, como sociedade, num beco sem saida, pelo menos, a curto prazo

  10. Markut disse:

    Vejo um festival da barbaridades sendo ditas, o que mostra ,claramente, o estrago que a omissão e incompetência do estado fizeram, na sociedade.
    A curto prazo, medidas punitivas eficientes, são imprescindiveis. Isso passa pelo cumprimento da lei penal , já existente, mesmo com as suas falhas, e a vontade política de se dispor , sem hipocrisia, a tornar possivel a convivência social.
    O que tem que ser extirpado, a médio e longo prazo, é a qualidade dos nossos representantes, através, da alocação massiça de recursos do estado, para a educação de base competente, o que, nada mais é, do que uma clara obrigação do Estado, que ele está descumprindo.
    Antes disso, não será possivel criar o clima necessário de expectativa otimista para esse bando de jovens, desestimulados , pela falta de perspectivas, que o despreparo acarreta, quando se trata de obter um trabalho digno.
    A tão apregoada “inteligência” de que a polícia se gaba, afim de coibir o crime organizado, esbarra num primeiro obstáculo , que é a comprovada cumplicidade entre marginal e polícia, a ponto de não se saber a quem temer mais.
    Isto parece ser fruto do mau exemplo, vindo de cima, pois temos uma pirâmide social, cujo topo está apodrecido.
    Reforma política já refletindo, inclusive, na moralização dos três poderes, são caminhos necessários e urgentes.
    Se um Estado, como o atual, permite que as coisas cheguem a esses extremos (violência, corrupção, tráfego aéreo, etc), sem conseguir impor a sua autoridade, estamos, como sociedade, num beco sem saida, pelo menos, a curto prazo

  11. Glória Campos disse:

    O Brasil é um país com forte tradição nos direitos humanos e, assim, a pena de morte representaria um odioso retrocesso.

  12. Glória Campos disse:

    O Brasil é um país com forte tradição nos direitos humanos e, assim, a pena de morte representaria um odioso retrocesso.

  13. Sara Santos disse:

    Com todo o respeito, mas sinto nojo dos discursos dos senhores Pato e Toth.

  14. Sara Santos disse:

    Com todo o respeito, mas sinto nojo dos discursos dos senhores Pato e Toth.

  15. Camilo Terras disse:

    Mas MMS, os leitores acima não falaram em pobres ou negros, parece que o preconceito está dentro da sua cabeça.

    Em tempo: sou contra a pena de morte.

  16. Camilo Terras disse:

    Mas MMS, os leitores acima não falaram em pobres ou negros, parece que o preconceito está dentro da sua cabeça.

    Em tempo: sou contra a pena de morte.

  17. Sérvio Túlio disse:

    Camilo Terras: Pior é a leitora que disse que o Brasil tem forte tradição nos direitos humanos…

  18. Sérvio Túlio disse:

    Camilo Terras: Pior é a leitora que disse que o Brasil tem forte tradição nos direitos humanos…

  19. Ulisses Magalhães disse:

    Barbaridade… pena de morte? É assim que se resolve? Vão matar os criminosos que são chefes dos bandos e já haverá vários garotos prontos para assumir… não é assim que a coisa funciona? Esses garotos, para desistir de impunhar armas e seguir a trajetória de seus ídolos traficantes, precisam de educação, em todos os sentidos. Não a educação que se limita aos bancos de escola, mas aquela que inclui o acesso a atividades culturais, dá possibilidades de diversão, enfim, a verdadeira chance de uma vida melhor. É fácil falar quando se tem educação, uma casa confortável, roupas lindas, tudo do bom e do melhor! Abraços.

  20. Ulisses Magalhães disse:

    Barbaridade… pena de morte? É assim que se resolve? Vão matar os criminosos que são chefes dos bandos e já haverá vários garotos prontos para assumir… não é assim que a coisa funciona? Esses garotos, para desistir de impunhar armas e seguir a trajetória de seus ídolos traficantes, precisam de educação, em todos os sentidos. Não a educação que se limita aos bancos de escola, mas aquela que inclui o acesso a atividades culturais, dá possibilidades de diversão, enfim, a verdadeira chance de uma vida melhor. É fácil falar quando se tem educação, uma casa confortável, roupas lindas, tudo do bom e do melhor! Abraços.

  21. Leila Miranda disse:

    Eu colocaria, agora, a minha opinião, mas desisti. O comentário do leitor Ulisses é genial e torna a minha manifestação desnecessária. Reprovo, todavia, os argumentos dos defensores da pena capital. O único que pode tirar a vida é o Criador. Um abraço a todos. Leila Miranda

  22. Leila Miranda disse:

    Eu colocaria, agora, a minha opinião, mas desisti. O comentário do leitor Ulisses é genial e torna a minha manifestação desnecessária. Reprovo, todavia, os argumentos dos defensores da pena capital. O único que pode tirar a vida é o Criador. Um abraço a todos. Leila Miranda

  23. Leandro disse:

    A guerra tem que ser definida de forma,educada,vamos mostra que no País como Brasil,a nossa sociedade em modo geral conclua de forma inteligente e rapída,fazendo os leitores de todo País vê e crer que isso é posivel.Fazer manifestação é mole, mostrar que é real também é mole,poxa esse país é o Brasil,isso não é o fim do mundo,gente esse foi meu desabafo e o que pode mudar.Amo minha cidade como o Rio de Janeiro e sou Brasileiro de orgulho.Obrigado, sou o Lendro universitário do futuro.

  24. Leandro disse:

    A guerra tem que ser definida de forma,educada,vamos mostra que no País como Brasil,a nossa sociedade em modo geral conclua de forma inteligente e rapída,fazendo os leitores de todo País vê e crer que isso é posivel.Fazer manifestação é mole, mostrar que é real também é mole,poxa esse país é o Brasil,isso não é o fim do mundo,gente esse foi meu desabafo e o que pode mudar.Amo minha cidade como o Rio de Janeiro e sou Brasileiro de orgulho.Obrigado, sou o Lendro universitário do futuro.

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