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Haiti luta para se reconstruir após terremoto

País ainda sofre para se recuperar de tragédia e relações com doadores internacionais se complicam

Haiti luta para se reconstruir após terremoto
1,5 milhão de pessoas ficaram desabrigadas após o terremoto (Fonte: AP)

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Uma das maiores diferenças entre o Haiti e seu vizinho, a República Dominicana, é que o país viu apenar um par de mudanças democráticas no poder, enquanto os dominicanos já viram uma dúzia. A frase é do primeiro-ministro haitiano Jean-Max Bellerive. Ele está sendo generoso, já que as eleições dominicanas estão longe de serem comandadas dentro do princípio da justiça. Mas seu discurso tem como objetivo mostrar que a organização de eleições diretas será importante para dar comida, abrigo e empregos para um milhão e meio de pessoas que ficaram desabrigadas com o terremoto de janeiro de 2010.

A vida nos acampamentos urbanos do Haiti é difícil. O governo tem uma presença mínima e os auxílios oriundos da caridade só contemplam um quarto da população desabrigada. Quando a chuva não inunda as tendas, o sol de verão as transforma em saunas. A distribuição geral de alimentos foi interrompida em março. O trabalho é escasso e limitado a empregos de curta duração na remoção de entulho. Eventualmente, o governo espera transformar Corail Cesselesse, seu principal campo de desabrigados em uma cidade planejada, com escolas, casa e fábricas têxteis. Atualmente não há nada além das tendas, e 25% delas foram derrubadas por uma tempestade seis meses após o terremoto — uma indicação do que pode acontecer se a temporada de furacões se tornar mais intensa.

Há um aumento na frustração e no descontentamento. “Estamos funcionando em duas escalas de tempo diferentes. Há o tempo da internet e da comunidade internacional, e o ritmo vagaroso do tempo haitiano”, diz Leslie Voltaire, representante do Haiti nas Nações Unidas. Membros do governo reclamam que os estrangeiros se concentram muito nos abrigos e que a população não se mudará para residências novas sem garantia de empregos e serviços. Segundo eles, o governo já era fraco antes do terremoto, e ficou devastado depois da tragédia. Um sexto de sua equipe morreu, praticamente todos os seus prédios foram destruídos e a coleta de impostos caiu em 80%. Sua maior esperança, uma doação de US$ 1,15 bilhão dos Estados Unidos ainda depende de aprovação do Congresso norte-americano e boa parte do dinheiro pode nunca chegar ao Haiti: membros do governo afirmam esperar um valor entre 15 e 20% das doações prometidas.

Boa parte da área ao redor de Porto Príncipe é atualmente ocupada por invasores que resistem ao despejo. “Muitas pessoas não tiveram suas casas destruídas, mas não podem voltar, pois não têm emprego e os preços dos aluguéis aumentaram muito”, conta Jean-Michel Dorvil, residente de Corail. “O campo oferece uma alternativa melhor. Ser dono de uma casa, que — por mais que seja minúscula — será sua”.

O senador norte-americano Richard Lugar criticou os esforços do presidente haitiano, René Préval, na reconstrução do país, e afirmou que suas ações não sugerem que Préval tenha deixado para trás “o comportamento político autodestrutivo que manteve o Haiti como o país mais pobre do hemisfério norte”. As eleições de novembro oferecem a oportunidade de consertar as relações do país com seus doadores. No entanto, a estrutura do processo eleitoral é precária, vários partidos acusam o governo de corrupção e ameaçam boicotar as eleições, e nenhum candidato se destacou na preferência do eleitorado (o nome mais celebrado dos potenciais candidatos é o do rapper Wyclef Jean). O desejo dos estrangeiros por um novo governo pode estar os impedindo de trabalhar em conjunto com o atual. “Acho que eles estão à espera do próximo governo, mas se suas intenções são sérias, deveriam estar investindo em projetos agora”, lamenta Voltaire.

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Fontes:
Economist - Haiti's earthquake: Frustration sets in

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