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Reino Unido

Hora de aposentar a família real

Às vésperas do casamento do príncipe William, britânicos questionam papel da monarquia

Hora de aposentar a família real
Celebrar um casamento real hoje é se arriscar a uma profunda decepção amanhã (Fonte: Economist)

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Em poucos dias, o Príncipe William, de 28 anos, se casará com Catherine Middleton, sua colega de universidade de 29 anos, cujos pais mantém um bem sucedido negócios de vendas de artigos para festas. No centro de Londres, a maquinaria da futilidade estatal já está a pleno vapor. Por toda a extensão do Mall, bandeiras britânicas estão sendo colocadas em postes com coroas, os corrimões do palácio reluzem com tinta fresca e guardas em cavalos com ornamentos de plumas participam de treinamentos nos parques. Um palanque para os âncoras televisivos foi erguido em frente ao Palácio de Buckingham: horas de programação especial vêm pela frente.

O clima da opinião pública britânica é difícil de ser medido. A imprensa está repleta de matérias sobre chapéus e vestidos, mas pesquisas de opinião mostram que metade dos britânicos não dá atenção ao casamento, e apenas um terço da população deve assistir a cerimônia pela televisão. Conselhos relatam uma divisão entre o norte e o sul nos pedidos para celebrações nas ruas, e os números são bem menores do que os registrados no casamento dos pais do príncipe William em 1981.

O que está acontecendo. Em termos simples, a experiência ensinou aos britânicos que celebrar um casamento real hoje é se arriscar a uma profunda decepção amanhã. Depois de décadas de divórcios reais e guerras maritais conduzidas por tablóides e biografias, suspirar pelo casamento de um príncipe exige uma fé digna de Zsa Zsa Gabor.

Talvez, podem esperar os otimistas, os britânicos sintam uma ponta de remorso coletivo por conta da curta e invadida vida da mãe de William, a Princesa Diana. Talvez o público queira somente dar um pouco de espaço a um jovem casal.

Otimistas defendem a plausível idéia de que William prosperará caso incorpore a impaciência de sua mãe com o protocolo e sua empatia com o sofrimento, e aprenda com o calor da classe–média da infância de Kate, ou a ascensão de sua mãe da pobreza há apenas duas gerações. Uma grande dose de normalidade, todos concordam, fará maravilhas pela monarquia.

No papel, o regime parece bastante seguro: o apoio aos republicanos continua estacionado por volta dos 20%. Mas questão – Você quer a manutenção da monarquia? – é muito rudimentar. A rainha e seus filhos são coisas diferentes simultaneamente: eles são “uma família no trono”, incorporando Unidade e continuidade. Embora a descrição de seu trabalho tenha se desenvolvido para incluir manifestações de emoções humanas, ser uma monarca ainda remove a rainha das experiências normais. Após quase 60 anos, ela poderia ser um unicórnio ou qualquer outra criatura mitológica. Ao mesmo tempo, a família real interage com o mundo real, parte dele habitado pelo que sobrou da aristocracia: uma vida de campos e caça de veados, de verões sob a chuva da Escócia, cães e cavalos, a igreja, as forças armadas, os mesmos poucos colégios internos e o tipo certo de clubes noturnos. Esse é um terreno mais perigoso: a maioria dos britânicos não gosta de gente assim.

Se a família real é como os unicórnios – existindo fora da sociedade – seu lugar é razoavelmente seguro. Se eles estão no topo da sociedade, correm perigo. Embora seu pai fosse um nobre, O desprezo de Diana pelos cavalos, pelos verões em Balmoral e por todo o resto eram indicativos de que ela era uma princesa moderna e uma mãe melhor que seu marido. Ela levou seus filhos a parques temáticos vestindo anoraques, enquanto o príncipe Charles o levou em ternos de tweed para matar animais. Ela passava seus verões sob o sol, ou na companhia de estrelas de cinema. Ela era mais famosa que aristocrata, e era adorada.

William, por sua vez, pode compartilhar do gosto de seu pai pela vida no campo e pelos esportes de campo, mas passa boa parte de seu tempo como um unicórnio real. Ele é membro do exército, da marinha e da aeronáutica, e deixou seu helicóptero para representar a indicação do Reino Unido à Copa do Mundo de Futebol. Essa não é a vida comum de alguém de 28 anos. Evitando colocar uma capa de super-herói sobre seus ombros, a família real não poderia fazer muito mais que isso. É claro que uma esposa de classe média poderia aumentar seu apelo. Talvez: casar-se com a filha de um duque poderia ser mais arriscado. Mas e se todo contato com o sistema de classes for letal à atual família real?

A jornada de Kate Middleton, da periferia de Londres ao palácio, por meio do colégio interno, pode inspirar a população como uma história de mobilidade social. E também inspira a acidez: um colunista do “Times” recentemente descreveu sua história como um conto do “novo dinheiro sistematicamente criando uma garota de maneira tão perfeita aos olhos do príncipe, que ela se torna virtualmente indistinguível da realidade”.

Esse é um assunto infinito entre os britânicos. Os jornais estão repletos de matérias suspeitas se perguntando porque o príncipe William não usaria uma aliança. Ele não gosta de jóias, diz o palácio. Eles não podem responder: na verdade, aristocratas ingleses consideram alianças uma cafonice. O primeiro-ministro, David Cameron, declarou que não usará um fraque na cerimônia. Outros primeiros-ministros usaram vestimentas formais em ocasiões estatais, reclamou o “Daily Telegraph”. Cameron não pode dizer “na verdade eu sou um veterano da Eton College, que na vida privada talvez usasse um fraque: é por isso que não posso usar um em público”.

Chega. Dêem aos britânicos um motivo para se magoarem uns com os outros, e eles o irão saborear com gosto. A mãe de William usou a pompa da família real como uma arma em sua guerra contra eles; sua disputa marital arruinou vidas, e quando a Princesa Diana morreu, a opinião pública britânica se viu perturbada, cínica e dividida. Middleton pode ser uma boa pessoa, mas se sua jornada de vida se concentra no papel de William na sociedade, ela pode acabar prejudicando o príncipe. A classe média representa o que há de pior no Reino unido. Para o bem do país, e também como um ato de bondade, é hora de aposentar a família real, e o momento ideal para um republicanismo com compaixão: a república talvez seja o melhor presente de casamento para esse jovem casal.

Fontes:
The Economist - "No more royal weddings"

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4 Opiniões

  1. Alexandre disse:

    Abaixa a Monarquia dominante e viva a Republica corrupta e destrutiva!!!

  2. WELLER MARCOS DA SILVA disse:

    Quanto tempo perdido! Essa monarquia é algo acima do ridículo. O Reino Unido é uma tragédia que nada de útil fez ao mundo, senão tirar de suas partes mais desprotegidas todas as riquezas possíveis. Terra de bandoleiros e piratas. O que fizeram no Canadá, Africa do Sul, Escócia, Irlanda e Austrália, senão o surrupio de suas riquezas e a intervenção em suas culturas. Tocadores ridículos de gaitas de fole. Olha ai um bom teatro para a OTAN fazer suas experimentações bélicas covardes e espionagens!
    Adios Muchachos

  3. teresa bertoldi disse:

    Na minha opinião temos tantas coisas para ser
    vista e anunciada,que esse casamento não tem nenhuma importancia para nós brasileiros.
    Antes de fazerem tantos comentários sobre casamento que nimguém tem nada a ver com eles,
    falem do povo brasileiro saúde, educação,que está tão precária que nem sabemos aonde vai chegar.
    Tudo bem sejam felizes eles merecem elogios,
    mais um mês falando acho que deixou qualquer balde cheio de gente curiosa,pois eles não davam a minima.
    Acorda Brasil mostra o país aqui e agora la fora deixe pra eles se divetir.

  4. Robson Mothé disse:

    O Brasil continua na sua posição submissa com relação aos países do norte, não têm mais cabimento, nos dias atuais, que as redes de TV do país parem a sua programação para televisionar esse fato, é uma falta de respeito com parte da população que não esta nem aí com esse casamento. Essa nobreza faz parte do passado, onde usavam as colonias para exaurir as suas riquezas, para garantir o seu luxo.
    Será que os ingleses pararam quando a nossa presidente tomou posse?
    Coitado dos garis britânicos que tiveram que limpar as bostas dos cavalos que desfilaram nas ruas.
    Acorda Brasil.

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