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Hu Jintao volta a Washington

Visita de presidente chinês sucede ano marcado por críticas ferozes da mídia estatal

Hu Jintao volta a Washington
Hu Jintao fez comentários positivos a respeito dos benefícios da amizade com os EUA (Fonte: AP)

Com a visita do presidente chinês Hu Jintao aos Estados Unidos, a mídia estatal chinesa, de maneira muito obediente, trocou suas críticas à superpotência por comentários positivos a respeito dos benefícios da amizade com os norte-americanos.

Hu quer que a visita seja vista pelos chineses como uma amostra impecável e coreografada do comportamento de um chefe de Estado, sem protestos ou gafes (sua última visita oficial em 2006 envolveu ambos, e os anfitriões levaram a culpa). O presidente não é um amante do improviso, o que ficou evidente com a “entrevista” que ele concedeu a correspondentes norte-americanos antes de viajar (nada de encontros. Apenas respostas escritas). Ele e sua equipe de governo terão momentos especialmente difíceis desta vez, com a possibilidade de terem que encarar a fúria norte-americana com a recusa chinesa de libertar Liu Xiaobo, o aprisionado vencedor do Prêmio Nobel da Paz.

Mas conduzir a opinião pública chinesa não será fácil para Hu. O Partido Comunista tenta manter um controle rígido sobre os comentários a respeito das relações exteriores. Mas os censores, embora rigorosos em seus esforços para livrar a internet chinesa de qualquer crítica ao Partido ou a seus líderes, também dão espaço aos ferozes nacionalistas que desabafam na rede. Suas visões podem não representar as do público em geral, mas os líderes do partido muitas vezes se sentem obrigados a levá-las em consideração.

Mesmo na mídia impressa, resíduos de opiniões aberrantes aparecem ocasionalmente. Em geral, elas vêm da furiosa porção nacionalista. Mas há sinais de que pelo menos alguns comentaristas concordam com a visão vigente nos Estados Unidos, de que a política externa chinesa saiu de seu rumo nos últimos anos. Em uma entrevista publicada pela “Chinese Business News”, Shen Dingli, da Universidade Fudan, em Xangai, afirmou que “algumas ações super confiantes de nossa parte nos últimos anos” levaram os Estados Unidos a acreditar que suas suspeitas sobre a China estavam corretas. Shen também afirmou que a China teria “superestimado sua força” nas negociações com os Estados Unidos.

O chinaSMACK, um site que oferece traduções de conteúdo da internet chinesa, divulgou trechos de comentários online a respeito do primeiro teste público de seu novo caça, o J-20, no dia 11 de janeiro. Embora existissem alguns comentários previsíveis de triunfo, os trechos revelaram manifestações de ceticismo como “O que isso tem a ver com a população comum?” ou “preferia ver reduções no preço do repolho”.

O China Daily, um jornal de límgua inglesa, publicou os resultados de uma pesquisa a respeito da opinião sobre os Estados Unidos, que sugerem um surpreendente grau de simpatia pelos norte-americanos, após um ano em que a mídia estatal não poupou os Estados Unidos de críticas ferozes por vender armas a Taiwan, pelo encontro de Barack Obama com o Dalai Lama, pelo apoio a Lui Xiaobo, pelos treinamentos de guerra no Mar Amarelo, e por vários outros ‘pecados’. Cerca de um terço dos estudantes entre 16 e 17 anos na Escola nº80 em Pequim afirmaram que Obama deu a eles a melhor impressão de um presidente norte-americano que eles já viram. A escola é reconhecida como uma das melhores da capital, com vários de seus formandos encontrando espaço nas principais universidades do país.

Ao contrário da impressão de muitos observadores, o jornal afirmou que a atitude da população em relação aos Estados Unidos melhorou consideravelmente nos últimos anos. O “fator de popularidade” do país, medido em uma escala de 1 a 100, caiu no ano passado para 48,2%, após um auge de 65,1% em 2009.

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Fontes:
Economist - Mr Hu goes to Washington

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1 Opinião

  1. Peter Pablo Delfim disse:

    Realmente, divulgações pela mídia dos posicionamentos do povo chinêns a respeito de determinados assuntos estão corretos. Testes de aviões caças de alta tecnologia o que tem a ver com a população comum? Também torna-se evidente que estão mais preocupados, o povo, com o preço do repolho. Tais fatos, largamente divulgados internacionalmente, até pelo jornal chinês de lingua inglesa China Daily nos remetem a suposições de vigorosa contestação ao Governo. Entretanto, considerando-se que em nenhuma parte do mundo a compra, fabrico ou teste de armamentos é questão do povo então novidade alguma temos aqui. Quanto a preocupação com o preço do repolho é por demais justa porquanto são na China 1.300.000 de pessoas para serem alimentadas todos os dias enquanto em outros paises com 10% dessa população as pessoas morrem de fome. Conclue-se pois, da importância de informar-se bem e sem sectarismos. Por outro lado, se todo o chinês concordasse com o governo seria um ponto de desconfiânça alicerçado na burrice. É com éssa perspectiva das suas mazelas internas que a China se lança em suas negociações principalmente com os EE.UU que dispende um portentoso esforço no aprimoramento das suas relações internacionais com vies de modernidade.

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