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EUROPA CENTRAL

Hungria anuncia plano de inclusão para os ciganos

Membros da etnia Roma enfrentam cenário de violência, preconceito e exclusão social

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No dia 8 de abril foi comemorado o Dia Internacional da Etnia Roma. Ciganos, ativistas de ONGs, políticos húngaros e membros do governo e da União Europeia se reuniram no Museu Etnográfico de Budapeste para lançara uma nova estratégia para os ciganos da UE. Após um início pouco promissor, e depois de seis meses à frente da presidência rotativa da UE, em janeiro, quando se viu envolvida em uma disputa com Bruxelas a respeito de uma polêmica lei sobre a mídia, a Hungria fez da questão dos ciganos, uma de suas prioridades, e tem planos ambiciosos. O governo prometeu criar 100 mil empregos para os Roma através de um enorme programa de serviço público.

Certamente, há muito a ser feito. Como Zoltán Balogh, ministro da inclusão social, diz: “Vinte anos após a mudança de sistema na Hungria, a maioria dos ciganos está em condições piores”. Os Roma sofrem com altos níveis de pobreza, desemprego e exclusão social. O preconceito e ódio estão aumentando, especialmente em momentos economicamente difíceis.

Ativistas da etnia Roma receberam os planos de forma mista. As ONGs reclamam que a estratégia não lida de maneira adequada com o preconceito anti-Roma, que o mecanismos de monitoramento são inadequados, e que alguns alvos, como a frequência escolar, já são obrigações estatutárias. Alguns grupos dizem não ter sido propriamente consultados.

A experiência dos Roma na Europa Ocidental ganhou as manchetes no ano passado quando a França iniciou uma expulsão em massa de ciganos que viviam como imigrantes ilegais. As autoridades italianas declararam Estados de emergência para lidar com o problema. Ao longo do continente, crianças ciganas são sistematicamente segregadas nas escolas. Na média, a expectativa de vida entre os Roma é de 10 a 12 anos menor que entre os não ciganos, um enorme desperdício de potencial humano.

A violência contra os Roma é um grave problema. Um recente relatório do Centro Europeu de Direitos dos Ciganos mostrou que pouquíssimos ataques contra os Roma na República Tcheca, na Hungria e na Eslováquia resultam em condenações. Em Budapeste, quatro homens estão sendo julgados pelo assassinato de seis ciganos em 2008 e 2009, incluindo uma criança de cinco anos e seu pai, que foram baleados enquanto fugiam, depois de ter sua casa incendiada.

Na última semana, Ferenc Gyurcsány, um ex-primeiro-ministro socialista, compareceu ao tribunal para expressar seu apoio às famílias da vítimas. Previsivelmente, sua aparição gerou revolta entre os políticos do partido Fidesz, que está no poder. Além disso, atraiu a atenção para a responsabilidade dos socialistas, que estiveram no poder pela maior parte do tempo desde a derrubada do comunismo, e não fizeram qualquer esforço para lidar com o problema dos Roma.

Durante o último governo socialista, entre 2002 e 2010, a pobreza, a corrupção e os problemas sociais aumentaram, enquanto um grupo auto apontado de comunistas convertidos ao capitalismo enriqueciam às custas da maior parte da população. As seções mais pobres da sociedade, como os Roma, foram as mais atingidas. Vastas áreas do país, especialmente nos paupérrimos leste e norte, foram virtualmente abandonadas pelo governo central. Em alguns acampamentos, as famílias ciganas não tinham (e algumas continuam não tendo) eletricidade, água potável ou saneamento básico. Alguns eram obrigados a roubar vegetais dos jardins vizinhos e cabeças de gado para alimentar suas famílias.

A resposta pouco eficiente da polícia para esses pequenos crimes cria um um terreno fértil de recrutamento para o Jobbik, um partido de extrema-direita, que faz campanha contra o que chama de “crime cigano”. O partido ganhou 16,7% dos votos na última eleição geral, e agora tem 47 parlamentares na Assembleia Nacional de 386 cadeiras. Muitas pessoas que votaram no Jobbik são ex-eleitores dos socialistas.

O Jobbik habilidosamente explorou o aumento nas tensões sociais. Seu apoio cresceu em 2006, após o terrível assassinato de Lajos Szögi. Szögi, um professor, dirigia por Olaszliszka, no norte da Hungria, com suas duas filhas, quando seu carro bateu, de leve, em uma garota Roma de 12 anos. A garota não se machucou gravemente, mas Szögi foi arrancado de seu carro por um furioso grupo de ciganos que o espancou até à morte.

Mas a sociedade Roma precisa mudar também. Algumas famílias ciganas mantém seus filhos longe da escola, para protegê-los do bullying, e os pressionam para que casem cedo e tenham filhos, alimentando o ciclo de privações e dependência do Estado. Mulheres ciganas (e não ciganas) carregando bebês ou crianças pequenas enquanto pedem esmola são comuns nas avenidas de Budapeste.

No mês passado, ativistas do Jobbik, muitos usando os uniformes negros das autoproclamadas associações de guarda civil, “patrulharam” Gyöngyöspata, uma pequena cidade, intimidando famílias ciganas, por duas semanas, com tolerância da polícia local. No dia 2 de abril, vários deles marcharam por Hejoszalonta, um vilarejo no leste da Hungria, acusando um Roma de ter assassinado uma senhora de 50 anos. Desta vez, a tropa de choque isolou a área, e manteve os manifestantes e contramanifestantes longe do local.

Sob críticas de que está permitindo organizações paraestatais, o governo elaborou um mecanismo de resposta à crise para melhorar a coordenação entre os municípios, a polícia e o governo central. “Lições foram aprendidas”, jura Balogh. “Medidas coercivas são monopólio do Estado. Não deixarei que ninguém ou que qualquer organização civil ou paramilitar substitua a polícia”.

Fontes:
The Economist - "Hungary's plan for the Roma"

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4 Opiniões

  1. Vinícius Ramos Bezerra disse:

    Poucos sabem que os ciganos sofreram tanto quanto os Judeus na 2ª Guerra Mundial. Milhares de ciganos morreram tragicamente em câmaras de gás, trabalhos forçados, fome… aquele mesmo B-A-BA que vemos na mídia em relação ao povo Judeu. Agora, diferente dos filhos de Abrão, o mundo ainda não se redimiu com o povo Cigano. Os “porques” não sei responder e não desafio nenhum desavisado a esse emprego. Apenas penso que os motivos que o mundo ainda não ter se redimido sejam os mesmo que levaram os Ciganos aos campos de concentração.

  2. iesmar mendes disse:

    Que bom saber disso, pois o europeu, de um forma geral ao desembarcar no “Brazil” faz comentários horrendo sobre: direitos humanos não respeitados pelo “Brazil”, belas praias,”o carnevalle”,comidas típicas, a bunda das “brazileirinhas.com.br.
    Porque não resolvem os probleminhas internos primeiro. enrrolar o rabo e sentar tentando esconder e apontador o dos outros é facil, não é?

  3. Geracina disse:

    VIVO NA EUROPA,AQUI ELES PORTAN-SE IGUAL EM TODO MUNDO. NAS RUAS MULHERES E CRIANçAS PEDINDO DINHEIRO. DA NOJO.

  4. Carlos U. Pozzobon disse:

    Essa reportagem me parece o prenúncio de um novo movimento nazista. Tem todos os matizes do antigo: preconceito, desprezo, estigmatização, relatos cultivados de delitos cometidos por ciganos, notícias de homicídios, e assim por diante. Se fosse um bairro de europeus marginalizados, a coisa não teria esse ódio todo, não é verdade? Mas sendo um grupo étnico tudo muda de figura. Os ódios se reacendem a cada delito banal. Organizações são criadas para combater os ‘criminosos’. De repente, os ciganos só não valem tanto esforço combativo. É preciso incluir mais alguns para dar justificativa a tanto ativismo. E transformar essa aversão em um movimento político. E assim vamos chegando em 1933, piano piano…

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