Início » Sem categoria » Jornalistas de todo o mundo enxergam uma nova cara
Brasil

Jornalistas de todo o mundo enxergam uma nova cara

Por Claudio Carneiro

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Parece que o Brasil subiu mesmo alguns degraus na escada que leva ao prestígio e ao reconhecimento mundial reservado às grandes nações. Mesmo diante dos problemas sociais com os quais convivemos e dos incontáveis e caseiros escândalos políticos, é certo que já somos vistos de jeito diferente pelo mundo. A imagem do país mudou. O fato de termos passado sem maiores problemas pela crise econômica mundial, a escolha do país para sediar eventos como Copa do Mundo e as Olimpíadas, além da força midiática do presidente da República – chamado de “o cara” por Barack Obama e comparado a Jesus Cristo por Hugo Chávez –, reforçam a sensação de que o país está na moda e respira uma nova atmosfera de otimismo e crescimento.

Não é fácil esquecer as recentes imagens daquele helicóptero despencando em chamas ou do corpo de um homem num carrinho de supermercado em mais um dia de violência na futura cidade–sede de importantes competições. Isso sem mencionar – e já citando – o desmatamento da Amazônia e a manutenção de velhas raposas em pontos-chave do poder – fato que lembra citação de Lula à Folha de São Paulo de que “no Brasil, Jesus teria de fazer aliança com Judas”. O certo é que a imprensa internacional tem papel importante na exportação desta nova cara.

Para o comentarista político escocês John Fitzpatrick – 14 anos de Brasil – e também editor do Latin Business Chronicle, os países desenvolvidos agora entendem que existe um grupo com grande potencial – liderado pelos chamados BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) – e que o Brasil está ganhando espaço na mídia no exterior. “Nesta última semana, dei entrevistas para rádios e publicações da Áustria, China, EUA, Jamaica e Rússia. A imagem de Lula – equivalente a de Vladimir Putin – é mais forte que a dos presidentes destes outros países” avalia.

Lula, por exemplo, é considerado pelo colombiano Jaime Ortega, da Agência Efe, um símbolo da luta pelos direitos dos trabalhadores que soube conciliar as demandas trabalhistas com a visão do empresariado. Há doze anos no Brasil, Ortega acha que a liderança política na região e a luta contra a fome e a pobreza – que tem sua marca no Bolsa-Família – contribuíram para firmar a boa imagem do país e de seu presidente, nos últimos anos. Para o mineiro Marcelo Torres, correspondente do SBT na Inglaterra, Lula é tido pela imprensa europeia como o protagonista de um país que, nas próximas décadas, será visto pela comunidade internacional como uma potência. “As esquerdas nos países latinos da Europa, como a Espanha, por exemplo, veem no presidente brasileiro um líder que encontrou a terceira via entre a direita latino-americana e a esquerda mais “desastrada”, simbolizada por Hugo Chávez”, observa.

Corrida de obstáculos: a flexibilidade em lidar com as dificuldades

Os correspondentes concordam que o Brasil está entre os que menos sofreram com a crise econômica mundial. É o que diz o diretor da agência chinesa de notícias Xinhua no Rio de Janeiro, Yang Limin. ”A velocidade com que o Brasil se livrou do cenário recessivo surpreendeu os economistas chineses”. Fitzpatrick, por sua vez, acha que tudo não passou de um breve recuo: “Baseio meu julgamento naquilo que vejo nas ruas, lojas, restaurantes, supermercados e não em estatísticas e indicadores”. Mesmo sentimento tem Marcelo Torres. ”A recuperação foi principalmente centrada no mercado interno, que continuou a crescer apesar de o apetite externo pelas exportações brasileiras ter sofrido uma queda momentânea. O modo como o Brasil lidou com a crise foi elogiado por veículos especializados, como a revista The Economist e o jornal inglês Financial Times”, comenta.

Ainda segundo os jornalistas, as indicações para sediar a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos olímpicos, em 2016, são emblemáticas para demonstrar a mudança da imagem do país. “Até o início dos anos 1990, este era um país pouco sério – do futebol, samba e carnaval. Mas a estabilidade econômica – e também política – trouxe respeito internacional ao Brasil que passou a ser considerado ator importante no cenário global”, diz Ortega. Para Yang Limin, a escolha como país-sede de importantes eventos esportivos foi outra surpresa brasileira para os chineses “porque eles achavam que, economicamente, o Brasil era pouco desenvolvido”. Marcelo Torres arremata: “o país finalmente começa a ser levado a sério. Há um clima mundial favorável para inseri-lo, cada vez mais, como um dos grandes “players” do mundo moderno.

Para os correspondentes, a estabilidade política ajudou a aumentar o otimismo. O fato de Fernando Henrique Cardoso e Lula terem sido reeleitos criou um clima de confiança que o país nunca experimentara. É o que afirma Fitzpatrick: “Mesmo que Lula goste mais de fazer palestras e discursos do que administrar o país, ele teve o bom senso de deixar a área econômica em mãos seguras – especialmente o Banco Central –, não mexeu no câmbio ou na meta de inflação, ao mesmo tempo em que manteve o (Guido) Mantega sob firme controle”. Já o repórter do SBT acha que depois de mais de uma década de políticas consistentes para combater a inflação e a insolvência, o país finalmente começa a ser levado a sério para investimentos de longo prazo. “O carimbo das agências de crédito de que o país é seguro para receber esse crédito também ajudou muito”, afirma Marcelo.

E se o brasileiro tem como principais qualidades a flexibilidade em lidar com as dificuldades, o empreendedorismo, o potencial para o crescimento e sua simpatia – apontados por todos os correspondentes – ele tem também os seus defeitos. A tolerância quase apática do cidadão diante da violência, da burocracia, da falta de eficiência, da corrupção, do paternalismo, da preguiça e, ainda, a histeria diante da proximidade do verão estão entre os nossos comportamentos mais negativos. Tudo isso visto por profissionais que têm compromisso com a verdade e um distanciamento seguro de nossa realidade. Esta pode ser uma grande lição.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

10 Opiniões

  1. Evandro Correia disse:

    Lula é um bom garoto-propaganda. A grande imprensa mundial, com grande predominância da esquerda, está meio apaixonada por ele. Isso é bom para o Brasil, sem dúvida, mesmo se sabemos que ele não é tudo isso que pensam dele. O engraçado é que ele leva a sério e começa a sonhar com liderança mundial, como ser Secretário-Geral da ONU.

  2. Leamartine Pinheiro de Souza disse:

    O Presidente Lula passou a vida discutindo nas pelejas sindicais, nas quais, aprendeu a semear perseverantemente para conseguir colher e, o resultado é simplesmente este, UM VERDADEIRO TRABALHISTA QUE PLANTA, CULTIVA E EFETIVAMENTE COLHE, mostrando-se um ESTADISTA que ninguém ousaria prever que o fosse. E ainda o proibimos que seja novamente reeleito !!! Resultado, quem são os verdadeiros iletrados nesta história !!!

  3. Rubens disse:

    Se para nós brasileiros o cara soube se vender, lá fora, onde as informações são mais vagas e distantes, o convencimento funcionou ainda mais. Isso é boa notícia. Espero melhores.

  4. Rubens disse:

    Tomara que as más notícias não nos atrapalhem o prestígio este ano. Mas como ano que vem, que é ano de campanha não vamos escapar das más notícias.

  5. EDSON disse:

    Contra fatos não ha argumentos,parabéns CLAUDIO pelo o artigo, que mostra a verdade nua e crua,o bom jornalista são aqueles que dão a noticia como ela acontece e não tenta distorçer a verdade e a verdade esta ai no seu belo artigo, parabéns.

  6. Leandro disse:

    Como morador do Rio de Janeiro a 35 anos não vi melhora na qualidade de vida,ao contrario a saúde continua a mesma,A Educação é péssima e a violência só faz aumentar!

    Fico feliz que o Brasil ganhe Importância lá fora.
    mais feliz ainda de conquistar as Olimpíadas e a copa.

    Li em alguma reportagem que o PT estava contratando o Marketeiro da candidatura do Obama para ajudar aqui.

    Todos os dias sou bombardeado com propagandas do governo no radio,tv e jornal.A duvida que eu fico é se não estão fazendo isso lá fora para vender o produto Brasil.

  7. luiz antonio vieira barbi disse:

    QUE TUDO AQUI ESCRITO SEJA UMA VERDADE PURISSIMA!! QUE NAO SEJA MAIS UM ENGODO A NOS ENCHER DE VAS ESPERANCAS E DEPOIS…VAMOS ACREDITAR QUE, APESAR DA DUPLA LULA-DILMA 2010, O BRASIL REALMENTE ESTA AVANCANDO NO BOM CAMINHO E DEIXANDO DE SER APENAS O PAIS DO FUTURO!!!

  8. renato disse:

    Em plena ditadura do govêrno Médice o Brasil era também aclamado pelo “milagra brasileiro”.
    É como futebol, que vai das palmas às vaia em segundos.
    A PROPÓSITO, TODA AS CONQUISTAS É MERITO DO POVO APESAR DOS GOVERNANATES

  9. Ulisses disse:

    A crise, como anteviu Jesus (não o da Madonna, mas o Cristo), quer dizer, Lula, era mesmo apenas uma “marolinha” para o Brasil…

  10. Markut disse:

    A grande lição a tirar seria a de que as circunstâncias globais tiveram uma providencial influência , neste ambiente favoravel, não só para o Brasil, como para os outros integrantes do BRIC.
    Se a cúpula dominante tivesse a conveniente visão de futuro, e não a tem, seria o momento propício de entender que não há almoço gratis e que a necessidade de uma transformação mais profunda do país é essencial para a consolidação do indiscutivel papel que o Brasil , hoje, desempenha, no eterno embate geopolítico entre as nações.
    Está na hora de levar a sério assuntos como educação, saude e segurança.
    A oportunidade é única, com a condição de nos livrarmos dos efeitos catastróficos da infecção bolivariana, que anda rondando as nossas fronteiras.Para tanto, seria bom, para começar, uma boa faxina , no Itamaraty.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *