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Líderes políticos da Caxemira sofrem com perda de credibilidade

Fracassos nas negociações com governo indiano enfraquecem políticos e fortalecem separatismo

Líderes políticos da Caxemira sofrem com perda de credibilidade
Governo indiano tenta conter protestos na região de Caxemira com toque de recolher (Fonte: AFP)

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Anos atrás, um antigo membro do governo indiano, encarregado de definir a política governamental em relação à Caxemira apresentou a um jornalista britânico um cenário otimista para a resolução dos conflitos que assolam a região. Segundo ele, a política no estado seria determinada por jovens líderes em ascensão.

Dois deles, Omar Abdullah e Mehbooba Mufti, faziam parte de partidos que aceitavam a constituição indiana e contestavam os resultados eleitorais. Outros dois, Umar Farooq e Sajjad Lone, eram separatistas, de partidos que rejeitavam a constituição e boicotavam as eleições. Mas ambos eram moderados, e dialogavam com o governo indiano, o que sugeria que eventualmente ambos poderiam se juntar ao cenário político principal.

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É interessante ver os rumos que o quarteto tomou anos depois das previsões. Abdullah hoje é o ministro-chefe da região, mas nos últimos meses não parece ser capaz de lidar com os protestos que se espalham pela Caxemira, e constantemente se limita a implorar ao governo central que envie mais tropas para a região. Quando um sapato foi atirado contra ele, nas comemorações do Dia da Independência, muitos lamentaram o fato do arremesso não ter atingido seu alvo.

Mehbooba, por sua vez, se tornou chefe da oposição local, e é uma das mais ferozes críticos de Abdullah, a quem acusa de querer “que o povo da Caxemira sofra humilhações e derrotas”. Embora sua retórica se assemelhe à dos separatistas, ela afirma que ainda é uma nacionalista indiana e que só luta por autonomia, e não independência. Mehbooba admite também que, assim como os outros líderes políticos, teve sua credibilidade danificada por não conseguir produzir mudanças reais.

Umar Farooq é o Mirwaiz, ou líder espiritual, dos muçulmanos sunitas do vale da Caxemira, e é um homem furioso. Está em prisão domiciliar por dois meses, uma tentativa das autoridades de conter seu hábito de liderar grandes protestos. Farooq acredita que os protestos devem cessar com o fim do Ramadã, mas que é só uma questão de tempo até que eles retornem. “Não queremos paz. Queremos uma solução”, diz o Mirwaiz.

Sajjad Lone se tornou uma figura freqüente nos programas da televisão indiana, e é visto por muitos como um traidor. Como Mehbooba e o Mirwaiz, ele entende os protestos dos jovens indianos como uma crítica a si mesmo e a outros políticos que falharam em suas negociações como o governo em Nova Déli, e perderam sua credibilidade. As falhas da política indiana ficam evidentes: o governo central acabou com a credibilidade de políticos moderados, fortalecendo indiretamente os separatistas e irredutíveis. Nos últimos anos, mais de 60 manifestantes foram mortos e as frustrações na população da Caxemira se tornaram cada vez mais visíveis. “Todos nós sabemos fazer sacrifícios. O problema é que em determinado momento, eles se tornam o fim, e não os meios”, diz Lone.

Fontes:
Economist - The costs of moderation

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