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AMÉRICA DO NORTE

México tenta tirar proveito do NAFTA

Crise na economia norte-americana prejudicou as exportações, mas país pode fazer o Tratado funcionar a seu favor

México tenta tirar proveito do NAFTA
Economia mexicana depende da exportação de bens manufaturados para os EUA (Fonte: Bloomberg)

No momento são apenas alguns hectares de lama nas cercanias de Monterrey, uma cidade industrial no norte do México. Logo, a lama dará lugar ao “Interpuerto”, uma zona aduaneira que levará bens aos Estados Unidos com mais velocidade por meio de duas linhas ferroviárias e de estradas que serão conectadas. A meta do projeto de US$ 2 bilhões, financiado pelo governo estadual de Nuevo León e investidores privados, é permitir que as cargas driblem as longas filas na fronteira, 240 km ao norte.

Projetos como o Interpuerto são importantes para o México, cuja economia depende da exportação de bens manufaturados para seu grande vizinho. Apesar do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA) ter sido ratificado em 1993, as exportações do México para os Estados Unidos já foram superadas pelas da China.

A crise financeira e a recessão norte-americana foram um golpe ainda maior: uma queda nas exportações (que diminuíram em 25% no primeiro semestre de 2009, em comparação com o ano anterior) ajudou a levar a economia mexicana à recessão. A recuperação está em andamento, mas – de acordo com pesquisas recentes – os mexicanos continuam suspeitando de seu futuro econômico. E o setor empresarial mexicano teme ainda a “guerra cambial” que assola o planeta: o peso está aumentando seu valor em relação ao dólar e ao yuan, graças às injeções de capital.

No entanto, o cenário do comércio mexicano é melhor do que parece, e o país teve menos prejuízos que o resto do mundo, em 2009, se recuperando rápido de sua queda nas exportações. O país teve um aumento em sua participação no mercado norte-americano, que chegou a 12,2% – o índice mais alto desde a criação do NAFTA. A expansão chinesa acabou tirando o lugar de outros países, incluindo o Canada, o terceiro membro do NAFTA (veja o gráfico abaixo).

A resiliência mexicana revela várias vantagens. A proximidade geográfica se tornou mais valiosa com o aumento nos preços do petróleo e dos transportes. O NAFTA isenta o México das violentas tarifas impostas aos exportadores chineses, e seus produtos embora tenham um custo maior que os dos chineses, acabam chegando aos mercados com preços menores. O efeito do Tratado também está concentrando a produção de automóveis menores no México. A indústria automobilística do país está exportando mais do que nunca, e, de acordo com o governo, as montadoras anunciaram um investimento de US$ 4,4 bilhões nos próximos quatro anos.

Ainda que o México continue a ganhar o mercado ao norte da fronteira, esse crescimento estará limitado pelo fraco crescimento econômico dos Estados Unidos, o que mostra que todo o esforço mexicano não está sendo aproveitado da melhor maneira. O Interpuerto ainda não tem permissão norte-americana para cumprir seu papel. A maneira mais fácil seria deixar que membros do governo norte-americano realizassem as vistorias em solo mexicano, mas isso despertaria a ira nacionalista dos políticos mexicanos.

Mais de 15 anos depois do NAFTA, a missão do México é tirar a maior vantagem possível do Tratado – e ir além dele. Uma economia norte-americana abalada pode ser um grande incentivo.

Fontes:
Economist - Mexico's economy: Bringing NAFTA back home

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