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Grã-Bretanha

Mudanças radicais acontecem na Grã-Bretanha

A prova mais contundente da audácia da esperança está no orçamento, apresentado em junho pelo novo chanceler do Tesouro, George Osborne

Mudanças radicais acontecem na Grã-Bretanha
(Fonte:Economist)

O primeiro –ministro inglês, David Cameron, poderia ser considerado o menos revolucionário dentre os políticos ocidentais. Ele entrou reivindicando o lugar central do Partido Trabalhista, que havia perdido seu viés. Quando Cameron perdeu a eleição definitiva em maio e teve que compartilhar o poder com os liberais-democratas de Nick Clegg, muitos temiam um governo tão desolador quanto havia sido a campanha eleitoral.

No entanto, depois de 100 dias, a coligação Con-Lib apareceu como uma força radical. Pela primeira vez desde Margaret Thatcher, a Grã-Bretanha parece ser o tubo de ensaio do Ocidente.

A prova mais contundente da audácia da esperança está no orçamento, apresentado por George Osborne, o novo chanceler do Tesouro, em junho. Para equilibrar as contas, ele levantou alguns impostos, mas três quartos da economia virão de cortes de gastos. No calor do debate entre economistas keynesianos (que temem que uma economia global fraca precise de mais gastos do governo) e os defensores de uma política fiscal mais dura, que acreditam que os déficits devem ser abordados agora para evitar o desastre grego, a Grã-Bretanha é o principal cenário de discussões polêmicas.

Enquanto isso, a coalizão Con-Lib avança rapidamente com planos para reformar o Estado britânico: escolas, serviços de saúde, a polícia e o bem-estar. Tudo enfrenta dramáticas mudanças. Atualmente, mais dados do governo estão sendo tornados públicos. Excepcionalmente para os conservadores, fala-se de aumentar as liberdades civis e prender menos pessoas.

O questionamento é: Por que a Grã-Bretanha tornou-se subitamente audaciosa? Um dos fatores mais apontados é a ideologia. Um dos pensamentos que os conservadores compartilham com os aliados liberais é o medo de que o Estado tenha ficado forte demais. Outro fator é a centralização excessiva, a maior do Ocidente.

A falta de freios e contrapesos na Grã-Bretanha dá à coalizão do primeiro-ministro poderes quase ditatoriais para aprovar rapidamente as leis, algo que presidentes como Obama e Sarkozy devem invejar.

No entanto, o principal motivador das mudanças foi a necessidade. Os conservadores herdaram um déficit orçamentário maciço (11% do PIB). Hoje, se há um padrinho espiritual dos políticos da Grã-Bretanha, ele é Gordon Brown.

Como em todos as jogadas políticas, essa pode dar errado. O maior perigo é o aperto fiscal. Enquanto Osborne quer diminuir o papel do Estado, Steve Hilton, o primeiro conselheiro de Cameron, prefere a descentralização. Enquanto isso, a oposição irá crescer.

Fontes:
Economist - Radical Britain

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1 Opinião

  1. Francisco J.B.Sá disse:

    A Crise Mundial ainda não atingiu o Brasil por isso não há alterações substanciais aqui.
    Entretanto esta Crise já diminui a capacidade de recuperação da Europa e dos EUA.
    Na Inglaterra – a Crise Mundial se confunde com a gestão do Estado,gerada no passado para conviver com a opulência antes da Crise.Agora eles viram que é preciso mudar o Estado e a Gestão para fazer frente ao drama que passa a Inglaterra e a Europa.Embora falem em descentralização e redução do papel do Estado,devido a redução das oportunidades,a política anti -migratória deve se aprofundar como na França já faz Sarkozy.
    No Brasil o risco da Crise entra pelos Mercados e a China que tem dado força a países com o Brasil se mnterem fora da Crise e crescendo,começa também a perder fôlego.
    Mudanças estão à caminho em todo o mundo e como muito bem coloca o reporter de Opinião,a Inglaterra desta vez pode ser oTubo de Ensaio.

    Francisco J.B.Sá
    Pesquisador e Aluno Especial da UfBA em Antropologia.

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