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Direitos Humanos

Nada de novo sob o sol

Fórum na Noruega analisa atual cenário dos direitos humanos no mundo, e conclui que pouco mudou com a Primavera Árabe

Nada de novo sob o sol
Violência, tortura e censura são táticas de opressão deprimentemente familiares (Fonte: AP)

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O mundo pode realmente se tornar um lugar melhor – essa parecia ser a crença dos manifestantes que marcharam pelas ruas do Oriente Médio no início do ano. Infelizmente, os palestrantes do Fórum da Liberdade de Oslo, um iluminado encontro de veteranos na luta pela defesa dos direitos humanos, confirmaram uma velha máxima do livro de Eclesiastes: “O que foi é o que será; o que acontece é o que há de acontecer”.

O Facebook e outros serviços de mídias sociais criaram oportunidades para dissidentes e revolucionários se organizarem e expressarem sua oposição. Mas aqueles que estão no poder descobriram que eles também podem usar a internet, no seu caso, para interromper a liberdade de expressão. O sonho de todos os ditadores é saber tanto sobre você quanto o Google sabe, diz Jacob Mchangam, um advogado dinamarquês de direitos humanos.

Estados autoritários também aprenderam a usar a linguagem dos direitos humanos para legitimar suas táticas opressivas, por exemplo, alegando defender grupos religiosos. Mas seus instrumentos de abusos – violência, tortura e censura – permanecem deprimentemente familiares. A grande tradição de fazer com que oponentes “desapareçam”, aperfeiçoada pela ditadura militar na Argentina dos anos ’70, ainda é usada com frequência hoje em dia. No Bahrein, médicos e enfermeiras que atenderam manifestantes feridos pelas forças de segurança, simplesmente sumiram. Também no Bahrein, Abdullah al-Khawaja, ex-chefe do Centro de Direitos Humanos, e um feroz crítico do regime, foi raptado por homens armados no meio da noite. Um mês depois ele reapareceu, torturado e agora enfrentando um julgamento.

Sucessões e incertezas

Líderes pós-revolucionários podem ter certa facilidade em repetir os hábitos abusivos de seus antecessores. Em Oslo, Lina Ben Mhenni, uma blogueira tunisiana falou de seu medo de que o regime de transição use os mesmos métodos do regime derrubado de Zine el-Abidine Ben Ali. Quando novas demonstrações surgiram, no início de maio, a polícia tunisiana usou gás lacrimogêneo e balas verdadeiras. Jornalistas foram espancados e tiveram seu equipamento roubado.

Mas os governos não têm o monopólio da violência. Da Jamaica à África do Sul, gays e lésbicas continuam a ser vítimas da intolerância violenta. Lésbicas são estupradas como forma de “correção” sexual. Na conferência de Oslo, o Fórum Jamaicano para Gays, Lésbicas e Bissexuais, o primeiro grupo do gênero na ilha caribenha, afirmou que era incrível que apenas um de seus fundadores tenha sido assassinado na década passada, tamanha é a violência contra os homossexuais na Jamaica.

Ainda assim, surgiram notícias melhores em Oslo. À medida que os poderosos se tornam mais engenhosos em suas repressões, seus oponentes também o fazem. Alguns deles passaram a ajudar as vítimas a tornar suas experiências públicas. Em Malawi, crianças que foram violentadas, ou casadas à força são estimuladas a escrever cartas para a Rádio Timweni, um noticiário nacional, que as entrevista. Na era do Facebook e do Google, a verdade continua sendo a mais poderosa das armas

Fontes:
The Economist - "Nothing new under the sun"

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2 Opiniões

  1. Carlos U. Pozzobon disse:

    Mas é muito cedo para se conhecer os frutos dessa primavera. A luta continua. Não houve ainda as reformas esperadas, pois elas deverão ocorrer na lutar parlamentar. E essa é sempre tortuosa e lenta. E muito sangue ainda vai correr, infelizmente.

  2. Peter Pablo Delfim disse:

    Os governos têm e continuarão tendo o monopólio da violência. Ocorre que as chamadas redes sociais permitem que as pessoas se comuniquem de forma rápida, seja informando ou “desinformando”. Os governos somente usam essas redes em beneficio próprio. Determinados comportamentos com base em fatores culturais não mudam facilmente, a informação rápida sobre esses acontecimentos e as discussões que sugerem dão a falsa impressão de solução do problema. O trágico é que os lados da questão aceitam tolerar-se, mas antes querem sangue.

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