Início » Sem categoria » Número de green cards trabalhistas cai nos Estados Unidos
IMIGRAÇÃO

Número de green cards trabalhistas cai nos Estados Unidos

Dificuldade de reformas na lei e perda de apelo diminuiu número de trabalhadores estrangeiros no país

Número de green cards trabalhistas cai nos Estados Unidos
Em 2009, o número de vistos e green card de origem trabalhista foi o menor da década

Por piores que fossem as relações entre os negócios e os democratas, sempre se imaginou que a imigração fosse uma exceção. Sempre houve um acordo de conveniência na questão, com compreensivas reformas sendo apoiadas pelo setor empresarial para obter trabalhadores estrangeiros mais qualificados.

Isso, ao menos, é o que deveria acontecer. Em março, Chuck Schumer, um senador democrata, e Lindsey Graham, um republicano, propuseram uma reforma multifacetada que reforçaria o controle nas fronteiras, e criaria um caminho para a cidadania dos imigrantes ilegais, enquanto alcançava duas metas do setor empresarial: green cards automáticos (que garantiam residência permanente) para estudantes graduados em ciências, tecnologia, engenharia ou matemática nos Estados Unidos; e uma eliminação das cotas nacionais para o green card. As cotas não têm ligação com a demanda, criando acúmulos que faziam com que aplicantes da China e da Índia tivessem que esperar de oito a dez anos. Barack Obama anunciou seu apoio imediatamente.

Mas a proposta nunca se tornou uma medida, muito menos uma lei. Graham se tornou receoso, e retirou seu apoio; o senador se preocupou com a possibilidade de os democratas estarem se movendo muito rápido, já que a crise econômica norte-americana que posicionou a população contra o comércio estrangeiro, cresceu, e se transformou numa rejeição aos trabalhadores estrangeiros. Em 2009, o Congresso tornou a contratação de estrangeiros através do visto H-1B mais difícil para os bancos que receberam dinheiro do Programa de Alívio dos Ativos Problemáticos (TARP). Em janeiro, o Serviço de Imigração e Cidadania proibiu o uso do H-1B com base nas premissas dos clientes, e não das companhias, uma medida que tenta atingir empresas terceirizadas, muitas delas, sediadas na Índia.

Em agosto, até mesmo Schumer, que precisava combater a terceirização, promoveu uma medida que aumentava violentamente as taxas de emissão do H-1B para as firmas que dependem enormemente dos vistos. Talvez no mais escandaloso ato de hostilidade contra estrangeiros em um ano eleitoral, apareceu por durante o debate em setembro a respeito de uma medida dos democratas que recompensaria empresas que despedissem estrangeiros e os substituíssem por norte-americanos. Charles Grassley, um senador republicano, respondeu com uma proposta que proibia qualquer empresa que tivesse demitido norte-americanos, de contratar estrangeiros. A medida não conseguiu votos suficientes para ser levada a discussões futuras.

Um aumento nas restrições, o agravamento da situação política e as condições econômicas parecem estar surtindo efeito. Em 2009, o número de vistos e green card de origem trabalhista foi o menor da década. Dessa vez, a cota nacional de vistos H-1B demorou um longo período para ser preenchida. Várias empresas indianas de terceirização passaram a promover a contratação de locais em suas várias instalações nos Estados Unidos. O gráfico abaixo mostra as variações na emissão de green cards trabalhistas e vistos H-1B ao longo da década.

Esse cenário é, em parte, fruto da recessão, que prejudicou a demanda por todos os tipos de trabalhadores. Mas um recente estudo do Hamilton Project, um instituto de pesquisa moderadamente liberal, mostra que o número de trabalhadores estrangeiros nos Estados Unidos vem decaindo há algum tempo, o que pode ser um reflexo da diminuição do apelo do país apara os trabalhadores mundiais, e das melhoras em seus próprios países. Uma pesquisa de 2007, realizada pela Kaufman Foundation, uma instituição pró-imigração, mostrou que apenas uma pequena parcela dos estudantes estrangeiros tinha planos de permanecer no país. Isso certamente será sentido na economia, já que, proporcionalmente, imigrantes tendem a abrir mais negócios e registrar mais patentes que os locais.

As políticas de imigração norte-americanas deram muito mais prioridade à reunificação familiar do que ao emprego. A taxa de imigrantes legais nos Estados Unidos que completou o ensino médio é menor que a de nativos americanos nascidos no país ou a de imigrantes para outros países de língua inglesa. Entre os imigrantes que seguem para o Canadá há mais chances de haver indivíduos com diplomas universitários.
Legisladores de ambos os partidos apresentaram, em diferentes momentos, propostas que facilitariam a vida de trabalhadores mais qualificados, mas elas quase sempre esbarraram no problema incurável da imigração ilegal. “Os dois casos podem e devem ser separados. Estamos abrindo mão do crescimento econômico ao juntá-los”, diz Michael Greenstone do Hamilton Project.

Legisladores democratas de origem hispânica temem a separação por medo de perder o apoio empresarial pela reforma compreensiva. A princípio, uma maioria republicana na Câmara deve aumentar as chances de uma medida que separe as questões. No entanto, essa não é uma prioridade do partido. Lamar Smith, o republicano que provavelmente se tornará diretor do Comitê Judiciário da Câmara, está mais preocupado em deportar imigrantes ilegais e reforçar as fronteiras. Ainda assim, seria prematuro descartar a reforma da imigração. Se Obama pretende conseguir algo com o novo Congresso, ele precisará encontrar pontos em comum como os republicanos. Um reforma da imigração que ajude o setor empresarial não seria uma má ideia.

Leia mais:

EUA serão avaliados sobre direitos humanos

Brasil lidera lista dos mais barrados em aeroportos europeus

Alemanha precisa de imigrantes, alerta especialista

O drama dos brasileiros ‘ilegais’

Fontes:
Economist - Skilled immigration: Green-card blues

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *