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Estados Unidos

Tea Party: risco de perder relevância

Liderança nas pesquisas de nomes como Mitt Romney e Jon Huntsman aponta para um momento de uso da razão e inteligência política do eleitorado republicano

Tea Party: risco de perder relevância
Mitt Romney e Jon Huntsman despontam como favoritos à vaga republicana nas eleições

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Desde o dia em que John McCain escolheu um isolado contêiner de nitroglicerina chamado Sarah Palin como companheira de chapa na eleição presidencial, em 2008, a política republicana tem sido uma infinita coleção de choques e explosões. Na última semana, aparentemente, os membros do Partido Republicano tomaram o rumo mais inesperado e chocante até então: eles se tornaram políticos razoáveis. Tudo indica que Mitt Romney e Jon Hunstman, um par de pragmáticos qualificados e inteligentes devem liderar a disputa pela nomeação para as eleições presidenciais de 2012. E Barack Obama, que semanas atrás parecia pronto para esmagar um campo republicano composto por figuras de reality shows e charlatães sem princípios, agora tem razões para se preocupar.

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Romney lidera os índices de popularidade no partido, e no momento – excluindo a hipótese de uma recuperação econômica substancial – ele teria grandes chances de sair como vencedor da eleição presidencial. Ele parece ser apenas um corpo sem alma, mas um corpo sem alma bastante esperto, e os candidatos nunca precisaram de grandes doses de autenticidade para se tornarem políticos bem sucedidos em suas gestões. Dentro da categoria de “políticos republicanos”, o fato de Romney aparentemente não manter nenhuma convicção ideológica firme pode funcionar mais como uma bênção do que como um empecilho. Sua gestão dificilmente geraria espetáculos tão inusitados como uma ameaça do Congresso de destruir a avaliação de crédito AAA dos Estados Unidos em troca de pontos políticos, e poderia tornar permanentes as reformas que Barack Obama realizou na saúde, com os ajustes necessários que permitiriam a Romney afirmar que ele desfizera a tão odiada ObamaCare, e substituí-la por uma alternativa republicana substancialmente igual.

Mas o que acontecerá com o Tea-Party caso Romney seja o escolhido dos republicanos? Os websites do movimento mostram um ódio profundo dos RINos (“Republicans In Name Only”, ou “Republicanos apenas no nome”) que ele representa. Conseguiriam os eleitores, deixar seus conflitos de lado e votar nele? Sim. Se Romney se tornar um adversário à altura de Obama, pessoas que hoje são determinadamente contrárias ao RomneyCare e suas tentativas de distanciá-lo das reformas realizadas por Obama, poderão encontrar novos argumentos plausíveis para apoiá-lo. O apoio partidário é, de longe, a força mais poderosa da política norte-americana, atropelando todas as outras preocupações, substantivas e ideológicas.

E se Romney vencer, após um ou dois anos, ninguém se identificará mais como membro do Tea-Party, ou sequer se lembrará de quais eram os objetivos iniciais do movimento. Por consequência, suas revoltas seriam extintas. O grande legado do Tea-Party será o dano causado a Obama, aos democratas, e a destruição de qualquer possibilidade política de maiores pacotes de estímulos usando títulos de curto prazo para criar então, uma enorme reforma na infraestrutura, na economia norte-americana, e na sociedade como um todo.

Fontes:
The Economist - "Will the tea-party movement be irrelevant?"

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2 Opiniões

  1. Helio disse:

    Um pouco tarde a perda de prestígio desse cômico Tea Party. Melhor assim, porque o tempo será curto para que os republicanos se unam e atrapalhem a vitória de Obama.

  2. Peter Pablo Delfim disse:

    Caro Helio, o Tea Party nada tem de cômico ou excentrico, assim como não podemos confundi-lo com as características ou mesmo as propostas levadas aos eleitores por alguns candidatos. O Tea Party está mais para um partido sem registro e sem representantes oficiais mas que agem segundo determinados interesses. Foi importante na vitoria de Obama. Desta forma, colhe os louros dos acertos e desconhece a amargura proveniente dos erros.

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