Início » Sem categoria » Outras barragens no Nordeste estão ameaçadas
Denúncia

Outras barragens no Nordeste estão ameaçadas

Apesar de denúncias de especialistas, os governos ainda não tomaram medidas necessárias sobre represas ameaçadas. Por Carla Delecrode

Outras barragens no Nordeste estão ameaçadas
Enchente no Piauí causada por rompimento de barragem, em maio de 2009

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Irregularidades nas construções e falta de manutenção das barragens são alguns dos motivos para rompimento e rachaduras de represas em estados brasileiros. Os problemas deram margem ao rompimento da barragem Algodões I no Piauí, em maio de 2009. “Houve problema na fundação da barragem. Houve deficiência no estudo geológico”, afirmou o engenheiro Jesus da Silva Boavista, que presidiu a comissão do CREA/PI, que vistoriou a represa de Algodões I. O relatório 2010 do órgão também apontou falhas no gerenciamento e manutenção da mesma.

Tragédias como a do Piauí – que matou nove pessoas e deixou 2 mil desabrigadas – poderiam ser evitadas ou ter menos perdas, já que geralmente há registro de denúncias sobre barragens que estejam sob ameaça, antes que enxurradas ocorram. Em alguns casos, a resposta dos governos demora ou não acontece. O Opinião e Notícia reforça a corrente de denúncias e divulga lista de sete barragens ameaçadas, cujas autoridades já foram avisadas, mas as medidas necessárias ainda não foram tomadas.

Piauí

Outras quatro barragens podem romper no Piauí. Elas estão em Salinas, em Itaueiras; em Corredores, em Campo Maior; em Bezerro, em José de Freitas; e em Piracuruca. As prefeituras comunicaram à direção do Conselho Regional de Engenharia e Agrimensura (CREA/PI), cujo presidente do órgão, José Borges de Sousa Araújo, afirmou que inspeções seriam realizadas em maio de 2010. Não há novas informações.

Em 2009, a barragem Algodões I rompeu e causou uma enxurrada que matou nove pessoas e deixou 2 mil desabrigadas. De acordo com o presidente do CREA/PI, a obra não foi registrada no conselho e foi considerada clandestina. O relatório do CREA/PI, apresentado em maio de 2010, afirmou que havia falhas no projeto da represa e que desde março de 1997 já havia sido constatada a ausência do poder público nas atividades de gerenciamento, manutenção e conservação da obra. No estado há 15 grandes barragens.

Maranhão

Três barragens estão ameaçadas de rachar ou desabar no Maranhão. Desde 2009, autoridades foram alertadas sobre o perigo. Não há informação de que algo foi feito.

Em 2010, o risco eminente de rompimento da barragem de Bacanga, em São Luís, foi tema de discussão de uma audiência pública em março. Desde 2007, as instâncias estadual, federal e municipal firmaram uma parceria para realizar obras de reparação, mas não foi dado prosseguimento, pois o governo estadual ainda não se pronunciou sobre a obra, de acordo com o site oficial da Prefeitura de São Luis.

Em 2009, o Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia do Maranhão (Crea-MA) constatou que as barragens Bacanga (São Luís), Pericumã (Pinheiro) e Flores (Joselândia) precisavam de medidas urgentes de manutenção e segurança a fim de evitar um acidente de grandes proporções. “E o pior de tudo é que ela está cedendo, correndo o sério risco de desabar. E, se isso vier a acontecer, pessoas e veículos que estiverem trafegando sobre a ponte serão jogados para dentro do lago e com isso muitas vidas serão ceifadas”, afirmou Raymundo Portelada, presidente do CREA-MA sobre a barragem de Bacanga, em maio de 2009.

Leia mais:

Barragens: o problema é de quem?

Rompimento de barragem é problema recorrente nos estados brasileiros

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

9 Opiniões

  1. Lucas Migotto disse:

    A Revista Veja mostrou que o rompimento de barragens provocaram o tsunami em Alagoas e em Pernambuco. Infelizmente o resto da imprensa está tão ocupada com a copa que não procurou investigar o ocorrido.
    http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/a-origem-do-tsunami-que-varreu-o-nordeste

  2. Markut disse:

    Está aí o exemplo chapado da morte anunciada.
    Está aí, tambem, a trágica confirmação do que representam o descaso, a leniência, a falta do espírito cívico dos nossos gestores políticos, mal escolhidos, como sempre.
    Com uma engenharia de ponta, como a nossa, não temos o respaldo de uma cultura de manutenção, cujo grande responsavel é o viés demagógico, oportunista e ignorante da nossa classe política, que não dá, nem deu a importância necessária para o que vem a seguir do foguetório de uma inauguração eleitoreira.
    Este drama se esparrama do topo da nossa pirâmide social e atinge todos os niveis decisórios e operacionais que devem ser acionados para manter as obras de engenharia, devidamente aptos a garantir funcionalidade e segurança.

  3. Markut disse:

    Corroborando o comentário de Migotto, ao que se saiba só a revista Veja abriu o espaço que um desastre como esse comporta.
    O resto da mídia continua focando a questão nas chuvas intensas e, acidentalmente, a apagada menção sobre ruptura de barragens, quando é evidente que esse verdadeiro tsunami, teve como causa principal o mau estado de baragens,sem manutenção, por desídia dos diversos niveis das gestões supostamente responsaveis.
    A competência da engenharia brasileira acaba sendo posta em xeque, por uma questão de leniência e irresponsabilidade de entidades oficiais, sob influência de uma gestão incompetente de apadrinhados políticos de toda espécie.
    Rogo à O&N manter a zuzuvela da indignação pública atormentando os castos ouvidos de quem a esta altura, ouvir este reclamo não convem aos seus imperiosos interesses eleitoreiros do momento.
    Não esqueçamos que estamos em ano eleitoral.

  4. Alfredo Sloane disse:

    É interessante notar que as grandes barragens, das grandes hidrelétricas de Furnas, Chesf e outras, feitas pelas nossas grandes empreiteiras de reputação internacional como Odebrecht, Camargo Correia e outras, não arrebentam. São bem feitas. O que arrebenta são as pequenas e médias, feitas por pequenas empresas ou por prefeituras, com pouca teconologia e com corrupção.

  5. Filipe disse:

    A questão aqui não é somente o resultado lastimável da negligência das pessoas especialistas ligadas as obras das represas, ou orgãos competentes, mas também como o cidadão de bem, que mora perto desses locais e esta sujeito a tal infortúneo pode requisitar assistência devida antes que tal tragédia venha a lhe incorrer.
    Caso similar que pode ocorrer na Barragem do Bacanga citado no artigo. Ainda há tempo!?

    Ps: em época de eleição, 5 meses, os políticos devem “parar” ou diminuir a implantação de projetos sociais, devido a possibilidade de usarem como propaganda eleitoral.

  6. andre becker(Santos/SP) disse:

    nossa ,engenheiro de obras prontas o mundo esta cheio, só agora vão ver que as barragens estão ruins provavelmente já estão arm,ando uma grana preta para reparar toda
    ai todo mundo quer meter a mão

  7. Lourinaldo Teles Bezerra disse:

    Em atenção ao que foi comentado por: ALFREDO SLOANE
    NA DATA: 29 DE JUNHO DE 2010 AS 19:10.

    A bem da verdade, meu caro Alfredo Sloane, existe uma diferença muito grande entre as barragens que romperam no Nordeste e as grandes barragens (hidroelétricas) citadas por vc.
    As barragens que se romperam, provocando as inundações catastróficas no Nordeste, são construções à base de terra e pedras (o paredão ou talude) e a(s) galeria(s) e sangradouro(s) em concreto armado, com rigoroso controle na qualidade dos materiais empregados.
    Nessas construções, assim como nas grandes barragens de concreto, permanece no canteiro de obra uma equipe técnica em concreto para acompanhar a confecção desse material de suma importância. A fiscalização deve ser feita por pessoas altamente capacitadas e de grande experiência nesse tipo de obra.
    A construção do talude deve seguir rigorosamente os ditames das normas técnicas construtivas preestabelecidas.
    Baseado em pesquisas existentes, as BARRAGENS existem desde 5000 anos a.c.. Uma, concluída no antigo Ceilão, atual Sri Lanka, de terra, data de 504 a.c. e tinha 17.6 km de extensão e 21m de altura máxima(talude). Armazenava cerca de 13 mihões de m3 d’água (fonte: “Curso de Barragens de Terra” com vistas ao Nordeste brasileiro, vol. 1, de L. Hernani de de Carvalho, DENOCS, Depto. Nacional de Obras Contra as Secas).
    Não acredito que tenha havido ruptura de alguma peça concretada. O que houve, possivelmente, foi um excesso de carga sobre o talude, que poderia já conter algumas fissuras ou falhas invisíveis e com o grande volume d’àgua repentino não permitiu o acionamento a tempo das comportas, para a extravasão do excesso de água que poderia aliviar o esforço excessivo sobre o talude.
    É muito arriscado dar palpites em coisas que não estão às nossas vistas, mas acho que pode ter havido isso que descrevi.
    Quanto às grandes barragens de concreto armado, acidentes como esse é muito mais difícil de acontecer. Suas estruturas são muito bem calculadas e executadas por especialistas capazes. A menos que aconteça um tremor de terra de grande intensidade, o risco de um desses colossos como Ilha Solteira, Urubupungá ou mesmo Itaipu ruir é muito remoto.
    Em janeiro de 2004 em Pernambuco, choveu durante 13 dias consecutivos provocando o rompimento de dezenas de pequenas barragens (açudes) pelo interior, assim como inúmeras pontes. Petrolina ficou isolada por todos os quadrantes, com exceção do sul, onde sobre o Velho Chico existe a grande ponte Pres. Dutra que liga Bahia a Pernambuco. As outras pontes que ligavam outros município à Petrolina ruiram todas, deixando a cidade quase isolada.
    Desta feita, os estragos aconteceram na Zona da Mata, região que entorna a grande Recife e onde os rios são mais volumosos por estarem mais próximos de suas fozes.
    Isso poderia ter sido evitado se houvesse mais responsabilidade dos governos estadual e federal ou mesmos dos municipais, no caso das pequenas barragens locais.

  8. Helio (Rio de Janeiro) disse:

    Ótima explicação do leitor Lourinaldo. Reforço assim a idéia de que nossos governantes têm sido irresponsáveis. A situação do Maranhão é então mais preocupante. O estado mais pobre da federação vai re-eleger a mesma governante da eterna família no poder, garantidora do atraso. Tomara que lá as barragens não se rompam. Mesmo sem uma catástrofe os maranhenses tem vivido muito mal.

  9. mario disse:

    Carla,
    Artigos interessantes! Parabéns!
    Como engenheiro civil ex-barrageiro, há muito recomendo, em tom de piada, que não morem em prédios e à jusante (água abaixo) das barragens.
    A decadencia da técnica e da moral deve ser confirmação do ciclo progresso>barbárie>progresso> focado pelo Isaac Asimov na A Fundação.
    Está na milenar obra indiana Mahabharata, que, em tempos remotos (há 10.000 anos…,)na India já existiam armas atomicas e aviões.
    Estamos a repetir o inexorável ciclo?

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *