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nova polêmica

Primeira capa do ‘Charlie Hebdo’ após ataque é alvo de críticas

Imprensa fica dividida sobre publicar ou não a capa que estampa o profeta Maomé chorando

Primeira capa do ‘Charlie Hebdo’ após ataque é alvo de críticas
Essa edição histórica conta com desenhos inéditos de Charb, Cabu, Tignous e Wolinski, mortos no ataque do dia 7 de janeiro (Reprodução/Exame)

A primeira edição do jornal satírico francês Charlie Hebdo após o ataque à redação na última quarta-feira, 7, traz uma caricatura do profeta Maomé chorando na capa. Ele segura uma placa com a frase “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie), que virou lema das manifestações contra o massacre e a favor da liberdade de expressão. Acima da imagem, está escrito “Tout est pardonné” (Tudo está perdoado). A capa dividiu a imprensa e foi criticada por organizações e autoridades muçulmanas.

Concluída na última segunda-feira, 12, pela equipe sobrevivente, a edição foi lançada nas bancas nesta terça-feira, 13, numa tiragem recorde de 3 milhões de exemplares, diferentemente das típicas 60 mil cópias.

Essa edição histórica conta com desenhos inéditos de Charb, Cabu, Tignous e Wolinski, mortos no ataque do dia 7 de janeiro. O restante do conteúdo foi produzido exclusivamente por sobreviventes da equipe, sem a contribuição de colaboradores externos. A edição de número 1178 será traduzida para 16 idiomas. O humor satírico do jornal foi mantido, e há caricaturas de Maomé nas oito páginas da edição, diferentemente das 16 páginas normalmente publicadas. O novo diretor da publicação, Gérard Biard, havia descartado um número de espírito “necrológico”. Segundo Biard, a ideia era “fazer rir”.

Reações à nova capa

“Esta edição causará uma nova onda de ódio na sociedade francesa e ocidental em geral e o que o jornal está fazendo não serve para um diálogo entre as civilizações”, afirmou ao Globo Biard Allam, um dos clérigos muçulmanos mais influentes do Egito.

Abdelbaki Attaf, administrador de uma mesquita visitada ocasionalmente pelos irmãos Kouachi, afirmou no enterro do policial Ahmed Merabet, morto por eles após o ataque a redação, que a representação de Maomé continua sendo um incômodo. “Qualquer muçulmano reponsável achará difícil de aceitar (a capa). Mas não deveria ser banida”.

Vários jornais ao redor do mundo reproduziram a capa. Entre eles estão o Guardian, o Le Monde, o Washington Post, o Wall Street Journal, e o Libération (que vem abrigando o jornal). O New York Times, por outro lado, optou por não mostrar a capa. Redes de televisão também exibiram a nova edição. A BBC e a ABC australiana mostraram rapidamente a capa com avisos de atenção para o teor das imagens.

 

Fontes:
The New York Times-Reprisals Feared as Charlie Hebdo Publishes New Muhammad Cartoon
O Globo-Capa do 'Charlie Hebdo' com Maomé chorando divide imprensa e é alvo de críticas

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1 Opinião

  1. André Luiz D. Queiroz disse:

    Pergunto: se no mundo islâmico não se fazia ilustração do Profeta Maomé, nem há uma ‘iconografia’ consagrada de como representá-lo (como ocorre com a imagem de Jesus Cristo, ou a de Buda), como saber que o homem de turbante na charge é supostamente Maomé?…

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