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Reforma da saúde divide britânicos

Plano do secretário Andrew Lansley é acusado de transformar Sistema Nacional de Saúde em 'consórcio'

Reforma da saúde divide britânicos
Andrew Lansley vê nas reformas, 'uma oportunidade única para colocar a saúde sob uma base sustentável'

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O quão sérias são as reformas previstas para a saúde britânica? Houve muito som e muita fúria, mas todo o barulho, até agora se aproxima de uma grande reversão. Nessa semana, na Câmara dos Comuns, o secretário de saúde, Andrew Lansley falou de uma “oportunidade única para colocar os serviços de saúde sob uma base sustentável”. Grandes palavras, mas Lansley, longe de liderar uma mudança geracional, parece exausto, e sente a pressão de uma série de reportagens que sugerem que ele não está vendendo suas reformas da saúde ao público tão bem assim. Quase sempre, isso quer dizer que ele não as está promovendo corretamente para a mídia, mas, de qualquer forma, o cenário não é bom.

Uma das coisas mais inusitadas sobre a revolta no Serviço Nacional de Saúde (NHS) é o fato de ela reunir muitas pessoas que certamente conheciam as intenções dos conservadores – mais espaço para provedores privados e maior responsabilidade para médicos nos pedidos de serviços e no controle de seus orçamentos – que foram expressas em seu manifesto. O problema político é que o partido não tem intenção alguma de divulgar escandalosamente esses planos durante uma campanha que pretende apresentar uma segurança na questão de saúde. Uma turbulência que surge como uma surpresa costuma ser bem pior do que aquelas para as quais você está preparado.

O momento da intervenção do ex-secretário de saúde, Stephen Dorrell, antes do relatório do comitê de saúde é significativa. Dorrell vem há muito tempo reclamando das reformas, sem precisar exatamente o que nelas o incomoda. Como presidente do comitê de saúde ele tem um conhecimento mais íntimo dos planos que a maioria dos membros do Parlamento. Ele acredita que as propostas atuais põem em risco o princípio que afirma que o NHS deva responder às necessidades de seus pacientes. David Cameron planeja um relançamento, para explicar com mais ênfase, que o serviço responderá melhor após as reformas.

Enquanto isso, os democratas liberais se concentraram na “confiabilidade”. Mas isso é muito diferente da acusação de quebra de consenso sobre a natureza do NHS. Outros críticos na esquerda, e Lorde Tebbit, demonstraram objeções específicas à expansão “escolhida a dedo” que os provedores privados de saúde poderão realizar, usando equipes treinadas pelo NHS. Adicione a isso, as reclamações populares sobre o que é encarado como uma medida para forçar os grupos de saúde primária a se tornarem um consórcio de médicos.

Isso se soma a, pelo menos, quatro diferentes reclamações sobre o programa de Lansley. É pouco provável, por mais barulhenta que seja a oposição, que a coalizão se retrate em todos eles. Mas quanto mais tempo eles permitirem que a impressão de caos em todas as frentes cresça, enquanto não conseguem defender um aguerrido secretário de saúde, pior se tornará o cenário. Se Cameron quer uma virada de 180 gruas parcial, como todas as evidências sugerem, ele deve rapidamente deixar claro do que quer se livrar, e o que quer manter. Esse é o trabalho de um líder quando as luzes vermelhas piscam na sala de emergência.

Fontes:
The Economist - "Red light in the emergency room for NHS reform"

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