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Índia

Região da Caxemira volta a ser palco de confrontos

Polícia e população se enfrentam nas ruas, e situação piora relações indianas com o Paquistão

Região da Caxemira volta a ser palco de confrontos
Diariamente, contrariando os toques de recolher, multidões se reúnem para apedrejar a polícia (Fonte: AFP)

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Carregando o cadáver de Anees Ganai, um jovem de 17 anos, milhares de homens da região da Caxemira marcharam até a principal mesquita da cidade de Srinagar, no dia 3 de agosto. Entre seus principais gritos estavam pedidos de liberdade e a lembrança constante de que o sangue de Anees iria “iniciar uma revolução”. Durante dois meses de protestos violentos, na região controlada pela Índia, a mesquita foi isolada para evitar aglomerações. As mortes de 49 pessoas no período – incluindo 29 na última semana de julho–, a maioria baleada por policiais, sugere que a política local tem falhado.

Mesmo para seus padrões turbulentos, a porção indiana da Caxemira está mergulhada no caos. Diariamente, contrariando os toques de recolher, multidões se reúnem em Srinagar e outros distritos para apedrejar a polícia. Uma instalação militar perto da fronteira com o Paquistão foi invadida no início de agosto e uma delegacia de polícia foi incendiada. A economia local está estagnada, uma situação comum nas últimas duas décadas de protestos e violência.

A estrada para Srinagar está bloqueada e os estoques de sangue, remédios e leite infantil são escassos. Protestos na região têm acontecido em todos os verões, desde 2008, quase sempre motivados pelo assassinato de moradores da região por forças policiais. O governo da Índia espera reverter a situação ampliando serviços e empregos, mas essas medidas ignoram as aspirações separatistas dos moradores da Caxemira, apontadas pelo ministro-chefe da região, Omar Abdullah, como principal causa dos conflitos. Com exceção da separação, que seria impossível mesmo se um terço da região não estivesse localizada no Paquistão, é difícil encontrar alguma solução que pudesse satisfazer os moradores da Caxemira, que ano após ano, protagonizam sangrentas batalhas contra as forças indianas.

O estado deplorável da Caxemira alimenta as hostilidades do Paquistão contra a Índia, o que aumenta a possibilidade de uma guerra e incita os militantes islâmicos. Daí a proposta levantada por Barack Obama durante sua campanha presidencial, de enviar um representante à região, e a sugestão de David Miliband, antigo ministro das relações exteriores do Reino Unido, de associar o terrorismo na Índia à sua ocupação da Caxemira.

O governo da Índia demonstrou descontentamento em ambas as situações. Isso pode ter encorajado o atual primeiro-ministro britânico David Cameron a ligar terroristas paquistaneses a membros do Talibã no Afeganistão, o que enfureceu o governo do Paquistão. Esperando convencer Cameron a mostrar mais equilíbrio, o primeiro-ministro paquistanês Yusuf Raza Gilani tratou de deixá-lo a par da miséria presente na porção indiana da Caxemira.

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Fontes:
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