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Eleições nos EUA

Republicanos devem ir além da fúria cega

Após conquista recorde nas eleições legislativas, partido republicano agora terá que mostrar propostas concretas para impulsionar a lenta recuperação norte-americana

Republicanos devem ir além da fúria cega
John Boehner, o próximo orador da Câmara dos Representantes dos EUA (Fonte: Reuters)

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As eleições legislativas do dia 2 de novembro representaram a maior mudança a favor do Partido Republicano em 72 anos nos Estados Unidos. Pouco após terem responsabilizado os republicanos por mazelas como o aumento do déficit, a entrada em duas guerras custosas e os custos de saúde exorbitantes, os eleitores decidiram que Barack Obama e os democratas são ainda piores.

Para Obama, o fato dos republicanos terem conquistado mais de 60 assentos na Câmara dos Representantes e pelo menos seis no Senado mostra uma coisa: é hora de se preparar para anos difíceis. Com uma Câmara hostil e um Senado travado, as chances de passar leis grandes são remotas, e as vitórias republicanas em estados cruciais como Flórida, Michigan, Ohio e Pensilvânia vão dificultar uma reeleição em 2012.

Embora os resultados signifiquem menos um voto entusiástico por seus opositores e mais um grito de insatisfação de cidadãos descontentes com a recessão, Obama parece uma figura menos competente que há dois anos. O medo de muitos centristas é que ele tenha se desviado muito para a esquerda, que não goste do mundo dos negócios e que não entenda o americano médio. Se quiser ser reeleito, o mandatário precisará voltar para o centro pragmático de um país ainda muito conservador.

De Barack a Boehner

Contudo, os republicanos também precisarão disso. Se a estrada de Obama tem buracos, a de John Boehner, o próximo líder da Câmara, é cheia de armadilhas. Ele acaba de herdar um déficit fiscal de U$ 3 trilhões somado a uma recuperação fraca. Agora, é uma Câmara republicana que irá aprovar os orçamentos, decidir se vai estimular a economia ou apertar as rédeas e decidir o que fazer com o déficit.

Caso Boehner decida cooperar com Obama ou não, eleitores o responsabilizarão por uma parte dos problemas. As vantagens do líder, que não subestima a direita norte-americana e redescobriu uma crença no estado mínimo que George Bush tolamente ignorou, são suplantadas por três problemas: fúria, ausência de ideias e loucura. Apesar dos membros do Tea Party tentarem assumir o lugar de Ronald Reagan, eles não têm o otimismo ou pragmatismo do ex-presidente.

Um dilema é o déficit. Para reduzir a dívida norte-americana, é necessário diminuir os gastos, aumentar os impostos ou uma combinação dos dois. Aumento de impostos é uma abominação para os republicanos, mas eles também não se pronunciam muito sobre que tipo de gastos poderiam cortar. Nenhum conservador irá cortar gastos com defesa com as tropas norte-americanas em combate, a ameaça terrorista e a China em ascensão.

Um lugar óbvio para começar os cortes seria mexer no Medicare — o esquema de saúde para os idosos –, mas os membros do Tea Party, que tendem a ser idosos, apreciam esse fragmento do governo intervencionista. Obama, da mesma maneira, não tem nenhum plano muito crível para lidar com o déficit, mas, ao apoiar o pacote de estímulos, ao menos tem uma resposta ao problema imediato da recuperação lenta.

Boehner, do lado mais sensível de seu partido, está ciente de que as eleições são vencidas no centro. Os membros do Tea Party desperdiçaram pelo menos duas cadeiras do Senado ao impor lunáticos inelegíveis (inclusive uma ex-bruxa confessa) em estados onde a vitória republicana estava garantida. Mas ele será pressionado a manter sua base feliz, com a distração adicional de vários republicanos, incluindo Sarah Palin, que deve buscar a nomeação presidencial do partido.

O perigo do “não”

É fácil falar o que o Boehner não pode fazer. Tentar um impeachment de Obama, por exemplo, seria um grande erro. Bloquear todos os projetos de lei na esperança de impedir a reeleição poderia ter efeito semelhante ao de 1995, quando a tentativa republicana de fechar o governo auxiliou na reeleição de Bill Clinton. Sabotar a reforma no sistema de saúde também é arriscado: ela pode ser impopular, mas criar caos poderia ser ainda pior.

Em tese, há espaço para uma barganha na economia. Obama poderia auxiliar pequenas empresas e realizar reformas nos impostos que simplificariam o comércio e ajudariam a melhorar sua imagem de anti-negócios. Os cortes de impostos de Bush, que expiram no fim do ano, poderiam ser estendidos e aliados a um estímulo a curto-prazo. Boehner e Obama poderiam trabalhar juntos em um plano de médio prazo para diminuir o déficit.

O perigo é que o oposto pode ocorrer. Um acordo sobre o déficit pode ser impossível. Um impasse sobre os cortes de impostos de Bush pode continuar até que eles expirem, aumentando-os por consequência. Sem a ajuda do governo federal, estados com pouco dinheiro irão demitir empregados e cortar benefícios ano que vem. É de interesse geral que Obama e o orador republicano trabalhem juntos. Mas um conflito parece mais provável.

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Fontes:
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