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Servidão e conveniência

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Levando em conta as alianças recém-celebradas em São Paulo, talvez não seja exagero emendar aquela assertiva com a locução “tampouco se elege”.

Lula, essa raposa política cada dia mais felpuda, que o diga. Ou o governador paulista José Serra, doravante aliado a ninguém menos que o capo do PMDB em São Paulo, Orestes Quércia, a quem o PSDB penhorou a vaga de candidato a senador por São Paulo nas eleições de 2010, em troca do apoio à candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) à reeleição, em detrimento do colega Geraldo Alckmin.

É verdade que Quércia, político de notável currículo, foi cortejado também por Alckmin e Marta Suplicy, mas acabou rendendo-se aos encantos de Serra, com quem ficam estabelecidos uma espécie de parceria de longo prazo e a muito provável cessão de alguns cargos na administração.

Muita gente, acreditando que esse tipo de realpolitik é necessária para impedir a volta da petista Marta Suplicy ao governo da capital de São Paulo, apóia a ligeira manobra, provavelmente as mesmas pessoas que condenam a adesão de Lula à mais hiperbólica forma de fisiologismo político de que se tem notícia “neste País”.

José Serra usou a prefeitura de São Paulo como trampolim para o governo do Estado, embora houvesse assinado e registrado em cartório a então solene promessa de cumprir o mandato até o final; apoiou, contra a vontade geral, a prorrogação da CPMF, e a eleição, apesar da candidatura do colega Gustavo Fruet, do petista Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara, além do projeto de Nelson Jobim da PEC 12, a Proposta de Emenda Constitucional que significará, na prática, um calote nos detentores de precatórios.

Segundo a Folha de S. Paulo (19.2.08), a Receita Federal detectou notas fiscais frias na campanha de Serra à Presidência da República em 2002, o que os representantes do PSDB negam.

Quando surgiu a denúncia dos gastos com cartões corporativos por integrantes do governo paulista, que movimentaram R$ 108 milhões em 2007, Serra afirmou que não havia gastos secretos em São Paulo – "A diferença é que aqui não existe conta secreta; aqui o secretário de Estado não tem cartão". Estas despesas não apenas existem como estão previstas em lei, e, de 2003 até 2007, somam R$ 28.602 milhões. Ninguém mais tocou no assunto dos cartões paulistas, talvez em reciprocidade à fidalguia da oposição na CPI dos Cartões.

Antes de o Brasil conquistar o grau de investimento, José Serra não perdia oportunidade para atacar o câmbio fora do lugar e a política dos juros, pregando a revisão da “política macroeconômica”.

É desconfortável saber que a principal alternativa a Lula e ao lulismo em 2010 leva mais em conta nos cálculos políticos a própria conveniência do que o interesse geral.

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2 Opiniões

  1. Gustavo disse:

    Esses políticos são um bando de ladrões e oportunistas. É um se filiando ao outro por conveniência política, por dinheiro, pode poder… Até quando teremos que aguentar tanta lama em nosso país?

  2. maria luiza guimatães disse:

    Dizer que todo político é da “mesma laia” afasta as pessoas boas e honestas da política. Temos, no caso dessa eleição, de escolher aquele que fará menos mal ao Brasil. São os que aí estão. José Serra pode não ser o ideal que o brasileiro sonha, mas acredito que não transformará o PALÄCIO em um lugar para a reunião de ladrões e safados. Como fazemos? Sei que o povo brasileiro se encontra em meio a um tiroteio, mas pior que a Dilma, acredito que ele não é, pois não há ninguém pior que ela e o Lula.

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