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JUSTIÇA

Suicídios levam executivos de empresa à Justiça

Uma série de suicídios de funcionários da France Télécom levou ao banco dos réus antigos executivos da empresa

Suicídios levam executivos de empresa à Justiça
Serão analisados suicídios de 19 funcionários, 12 tentativas de suicídio e oito casos de depressão (Foto: France Télécom société/Wikimedia)

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Após dez anos de investigações, antigos executivos da empresa de telecomunicações France Télécom, hoje Orange,  estão sendo julgados por assédio moral e pressão psicológica, que causaram uma série de suicídios de funcionários.

O julgamento deve durar dois meses e é o maior processo judicial envolvendo uma grande empresa e seus ex-diretores acusados de criar um clima de ansiedade para desestabilizar os funcionários.

No banco dos réus estão Didier Lombard, ex-presidente da France Télécom e seis antigos altos executivos da empresa. Todos se eximem de responsabilidade pelos suicídios.

Em 2006, dois anos depois de ter sido privatizada, a France Télécom iniciou um plano de reestruturação da empresa, que incluiu a demissão de 22 mil funcionários e a transferência de cargo de 14 mil.

Nos autos do processo judicial, os diretores da France Télécom são acusados ​​de expor os funcionários a situações humilhantes, de isolá-los em seu ambiente de trabalho, de intimidá-los e de transferi-los para filiais da empresa fora de Paris, afastando-os de suas famílias.

De acordo com a ata de uma reunião de diretoria realizada em outubro de 2006, publicada no jornal Le Parisien, Lombard dissera a um dos executivos que “as pessoas sairiam da empresa de qualquer forma, pela porta ou pela janela”.

O tribunal vai examinar os registros dos suicídios de 19 funcionários, de 12 tentativas de suicídio e de oito casos de depressão e de pedidos de licença médica ocorridos a partir de 2008.

Em 2009, uma funcionária de 32 anos atirou-se da janela de seu escritório na sede da empresa em Paris. Dois anos depois, um funcionário de 57 anos ateou fogo no corpo no estacionamento da companhia.

Lombard, que pediu demissão em 2011, admitiu que o plano de reestruturação estressara os funcionários, mas negou que a pressão psicológica das demissões e das transferências de cargo tivesse provocado os suicídios e doenças.

Em uma coletiva de imprensa em abril, representantes do sindicato de telecomunicações disseram que os funcionários da France Télécom tinham sido tratados com “profunda violência moral” durante a reorganização da empresa.

“Testemunhamos a criação de um sistema de assédio institucional”, disse Patrick Ackermann, líder do sindicato SUD. “Os altos executivos da empresa não tiveram escrúpulos em pressionar os funcionários a se demitirem levando-os a situações extremas, como o suicídio”.

A empresa negou todas as acusações. Em setembro de 2018, o advogado de Lombard, Jean Veil, descreveu como absurdo o julgamento do seu cliente.

Caso sejam condenados, os réus terão de pagar uma multa de € 15.000 e podem receber uma sentença de prisão de um ano.

Fontes:
The Guardian-Former executives at France Télécom go on trial over staff suicides

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2 Opiniões

  1. André Vinícius Vieites disse:

    Com muitas respostas sobre o que é realmente forte ou fraco, ser populista/oportunista, demagogos, mas não deixam de ter o que falta aos partidos tradicionais: a capacidade de se comunicar com as massas.

  2. André Vinícius Vieites disse:

    Não se explicam os aspectos fortes e fracos, mas a força de viver caiu, quando os propósitos são perdidos e o universo precisa de algo além de elementos químicos e fenômenos estritamente físicos, então é possível que os tais mecanismos dos demagogos e a tal depressão generalizada, talvez tenham uma regra entre as distinções, de fato isso vem oscilando, mas vem ocorrendo de fato, casos de depressão e de pedidos de licença médica ocorridos a partir de 2008.

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